A Alma

Segundo as doutrinas filosóficas e religiosas espiritualistas, a alma é o princípio da vida, dos sentimentos e do pensamento.

E’ uma força inexplicável que anima um corpo como uma espécie de mola invisível num mecanismo, e o movimenta, e que tende a voltar ao ponto de equilíbrio, perdendo sua elasticidade e estabilizando-se na inércia, a que daremos o nome de morte.

A origem dessa energia é um ponto de especulação cujo princípio escapa, por enquanto, às investigações humanas.

A ciência, prova concreta, e a religião, prova idealista, ainda não conseguiram explicar a origem dessa força, embora esteja ela presente na vida, tanto animal, quanto vegetal.

Voltaire diz que, um dia, ouviu uma toupeira raciocinar com um besouro, diante de um gabinete que mandara construir no fundo do jardim: -"Eis uma bela construção, dizia a toupeira; só uma toupeira muito poderosa poderia ter feito essa obra". - Ora, não brinque, disse o besouro, "o arquiteto de uma tal construção tem de ser um besouro de gênio".

Assim, Voltaire chegou à conclusão lógica de que, cada um, raciocina à sua maneira.

Um bispo sueco, Krister Stendhal, uma autoridade da Igreja, teólogo de respeito, que lecionaou durante duas décadas na Universidade de Harvard, diz- Creio que a longa e gloriosa tradicáo cristá de referir-se a imortalidade da alma e apenas um periodo de tradicao judaico-crista que pode estar chegando ao fim.

Em consequencia foi formada uma corte pelos treze bispados em que se divide a Igreja da Suecia para julga-lo. (Entrevista a Revista Veja - 1-4-87-fl.51).

O homem, pensando a seu modo, inchado de soberbia, acha-se o centro da criação. Tudo o que existe foi feito para o seu deleite. Como poderemos entender o pensamento da toupeira, se ela, como tal, raciocinando a seu modo, achava-se, por sua vez, o centro e a razão da existência de tudo?

Será que os demais seres vivos não pensam? Quando uma abelha ou uma formiga encontra uma fonte de néctar bem longe da sua colmeia ou do seu ninho, que mensagem transmitiria a um possível "centro de informações", para que, logo em seguida, dezenas delas partissem para o local matematicamente certo? Teria ela gravado no seu cérebro as coordenadas do local, com indicação exata da latitude e longitude daquele ponto, tal como um artilheiro ao acertar seu alvo, longe da sua vista? Nesse "centro de informações" dentro da colmeia ou do formigueiro, não existiria um "conselho dos maiorais" que, registrando o relato, determinasse quais os elementos que iriam participar da empresa? Porque não foram, aos milhares, para o local apontado, e somente algumas, escaladas para a missão? Teria havido, ou não, uma seleção com avaliação da capacidade de cada expedicionária?

Quando num grupo de leões, somente determinadas leoas partem para o ataque a uma manada de presas, ficando os demais membros do grupo, ocultos, à espera da aproximação das desorientadas e apavoradas vítimas, não teria havido um conselho, ou acordo, determinando a função de cada elemento? Não houvesse sido determinada uma tática, talvez a caçada tivesse se frustrado. Se cada um tivesse procedido desordenadamente, sem um comando tático, talvez não obtivessem suas refeições naquele dia.

Isso tudo obedece a um raciocínio inteligente que, talvez o homem não consiga compreender nem igualar, devido ao seu orgulho e à sua vaidade.

A esse princípio vital o homem deu o nome de "alma", que anima o seu próprio corpo susceptível ao envelhecimento. As religiões querem impor a aceitação da Bíblia como a legítima palavra de Deus, por ele mesmo ditada aos seus profetas, portanto, esse mesmo Deus teria afirmado: "Os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tão pouco têm eles jamais paga, mas a sua memória ficou entregue ao esquecimento"(Ecles. 9:5). - Através do profeta Isaias, 26:14, Deus diz: "Morrendo eles, não tornarão a viver; falecendo, não ressuscitarão; por isso os visitaste e destruíste, e apagaste toda a sua memória".

O Deus da Bíblia, através de outro porta-voz, parece apresentar outro pensamento: "Eis que todas as almas são minhas; como é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá. (Ezeq.8:4)

E a alma que não foi contaminada pelo pecado viverá, em conseqüência não será atingida pela morte?

Quando o Deus da Bíblia disse: "Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; e assim foi". (Gen.1:24 e Lev.ll:10)

Assim declarou suas criaturas como almas. Só depois resolveu criar o homem, que foi feito, igualmente, alma vivente, (Gen.2:7), como todos os demais.

Em Num.31:28, o mesmo Deus diz: "Então para o Senhor tomará o tributo dos homens de guerra: de cada quinhentos, uma alma, dos homens, e dos bois, e dos jumentos, e das ovelhas".

Não foi feita qualquer distinção, pelo Deus bíblico, entre almas de homens, bois, jumentos e ovelhas, fazendo supor que todos possuem a mesma espécie de alma. E os pequenos insetos, teriam, ou seriam desprovidos de alma?

No Salmo 146:4, consta: "Sai-lhe o espírito, volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos". Em Atos, 3:23, Lucas diz: " E acontecerá que toda alma que não escutar esse profeta, será exterminada dentre o povo".

Em Sabedoria, 2:1, diz-se: “Curto é, e com tédio se passa o tempo da nossa vida, e não há refrigério no fim do homem, como também não há quem se haja conhecido, que tornasse a vir dos infernos”. Em 2:5, consta:” Porque o nosso tempo é uma passagem de sombra, e não há regresso de nosso fim: porquanto se lhe põe o selo, e ninguém torna”.

Até aí nenhuma referência foi feita à imortalidade da alma, que morre conjuntamente com o corpo. Somente em Mateus, 10:28, há uma vaga idéia de uma alma independente do corpo e, possivelmente não sujeita à morte: "E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo". Em l6:26, diz: "Pois que aproveita ao homem, se ganhar o mundo inteiro, e perder sua alma?".

Um Bispo sueco, Krister Stendhal, uma autoridade da Igreja, teólogo de respeito, que lecionou durante duas décadas na Universidade de Harward, diz: “ Creio que a longa e gloriosa tradição cristã de referir-se à imortalidade da alma é apenas um período de tradição judaico-cristã que pode estar chegando ao fim.”

Em consequência “ foi formada uma côrte pelos treze bispados em que se divide a Igreja da Suécia para julgá-lo. (Entrevista à revista Veja, de 1/4/87 - pg.51).

Não está explicitamente declarado que a alma seja imortal, pois de um morto nunca se obteve qualquer revelação.

Talvez, com base nesse escrito constante no Evangelho atribuído a Mateus, foi que o Papa Leão X, no Concílio de Latrão V (1512/1517), resolveu não acatar as palavras de Deus aos seus profetas, desmentindo-o e decretando a imortalidade da alma.

Como as mulheres sempre foram colocadas em segundo plano nos relatos bíblicos, teria havido dúvidas de que elas pudessem ser portadoras, como o homem, de uma alma imortal; assim, para dirimir dúvidas, a Igreja convocou um Concílio em Macon, no ano 585, decretando que, também ela, mulher, era dotada de uma alma imortal.

Estabelecem-se polêmicas sobre a existência ou não da alma. Mortal, ou imortal ? A ciência, em qualquer época, já demonstrou e comprovou sua existência? Se a sua aceitação é baseada exclusivamente na fé, nasce a presunção mais facilmente aceitável da sua inexistência, pois a fé só existe quando determinado pensamento ou fato não pode ser comprovado, do contrário não haveria necessidade de qualquer fé para algo naturalmente comprovado.

Certas religiões espiritualistas apregoam que a alma é susceptível de aperfeiçoamentos, o que caracteriza sua imperfeição, sendo geradas ou produzidas inacabadas ou defeituosas.

De acordo com o Positivismo “a noção de imortalidade toma um sentido bastante diferente todo feito de imanência. Não há sobrevivência pessoal em outro mundo. Mas aqueles que, por seu gênio, seu heroísmo ou sua moralidade, foram benfeitores da humanidade, sobrevivendo na memória dos homens. É a isso que Augusto Comte dá o nome de “ imortalidade subjetiva”.

A filosofia espiritualista sustenta a tese segundo a qual a alma sobrevive à morte do composto humano, com sua individualidade própria, para uma existência que jamais terá fim. É uma concepção helênica admita por Platão, inclusive, adotada posteriormente pelo cristianismo. (Enciclop. Tudo, fl.2684)

Seria como uma fábrica que só produzisse objetos inacabados ou defeituosos, que deveriam ser corrigidos numa segunda indústria, que eliminaria determinada falha. Uma terceira manipulação, noutro estabelecimento, corrigiria outra deficiência de acordo com a sua especialização. Ainda incompleto, esse produto passaria por dezenas ou centenas de oficinas, recebendo de cada uma delas algum melhoramento, até que a última desse o retoque final ou a liberação para o mercado.

Esse raciocínio é sobre a produção ou fabricação de "almas" inacabadas e incompletas. Essa alma habitaria e daria vida a corpos defeituosos e se adaptaria às suas deformidades. Passaria por homens em diversas fases, desde os deformados fisicamente até àqueles criminosos chamados irrecuperáveis. Em reencarnações futuras, chegaria à perfeição necessária para se incorporar àqueles que gozam a presença do Criador.

Não teria esse inventor de almas a capacidade produzi-las já puras? Caso o fizesse, qual seria o fim ou a necessidade dessa produção infinita? Ou seria o caso de ter esse fabricante o desejo de assistir, "de camarote", sadicamente, ao milenar sofrimento dos seres que produziu? Seria um divertimento para sua existência monótona, já que não tem a companhia de outros deuses, porque ele é único?

Como é amplamente sabido, as religiões têm suas atividades dirigidas exclusivamente para a dominação das consciências dos seus seguidores. O seu propagado desejo de salvar almas não passa de um pretexto maquiavélico para se promover ante o povo ignorante e pobre, mais susceptível às suas sub-reptícias artimanhas.

Segundo Voltaire: "A religião é genitora do fanatismo e da discórdia civil...a inimiga da humanidade". Já antes dele, no século XVII, o clérigo anglicano Robert Burton, declarou: "Uma religião é tão verdadeira quanto a outra".

Poderia ter afirmado: "uma religião é tão falsa quanto a outra", sem alterar o sentido da afirmativa.

Karl Marx disse: " A miséria religiosa é, de um lado, a expressão da miséria real do outro, o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da pessoa aflita, o estado de ânimo de um mundo sem coração, porque é o espírito da situação sem espírito. A religião é o ópio do povo".

Alguém mais disse: "A pessoa verdadeiramente religiosa não é aquela coberta por uma crosta de crenças, dogmas, rituais. A pessoa religiosa não tem crenças; vive de momento a momento...descobrindo o novo".

Em outro artigo, escreveu-se sobre a Igreja Católica: " No decorrer dos séculos tem-se contentado com orações que utilizam o rosário, com o comparecimento à Missa e com a confissão feita a um padre".

Para a consolidação do poder de uma religião sobre o povo, era necessário que fosse explorado o sobrenatural em todas as circunstâncias.

A mola mestra para essa consolidação foi a invenção da "imortalidade" da alma, sujeita a prêmios num fictício paraíso, e punição num inferno de fogo eterno, sob a pavorosa ameaça de uma divindade do mal, tão ou mais poderosa que o próprio Deus, a que deram o nome de Satanás, ou Diabo.

Para o domínio espiritual sobre os crentes, a Igreja foi pródiga em invenções: céu, inferno, purgatório e limbo. Para a conquista de uns ou proteção contra os outros, inventou a Igreja uma série de "sacramentos", fazendo com que o crente em todas as situações possíveis estivesse sempre sob o poder de um dos seus braços.

O "batismo", quando os pais traçam para o filho qual o caminho religioso que deverá seguir, numa presunção de que será um fiel servo daquela crença.

A "confirmação ou crisma" é uma revalidação do batismo, embora sem qualquer procuração do crismando.

A "penitência ou confissão", quando a criança ou adulto se prostra aos pés de um padre, ou frade, ou mesmo bispo, (se o penitente ocupa um alto ou proeminente cargo na sociedade), consiste em relatar ao confessor todos os atos desonestos que tenha praticado; se esposa, as faltas que tenha cometido num possível mau desempenho das funções de esposa ou de dona de casa. Se for uma donzela, deverá declarar todos os anseios que possam se atritar com os bons costumes, ou responder a todas as perguntas que o confessor lhe fizer, pois trata-se da ajuda divina para a salvação da sua alma, portanto, deverá contar-lhe os seus mais íntimos pensamentos.

Como já não existe mais o Tribunal da Inquisição ou do Santo Ofício, não há mais necessidade de delatar a pouca devoção dos seus familiares e amigos, ou mesmo que não freqüentam às missas e não contribuem com o dízimo. Isso já não é mais considerado heresia e já não existe mais o risco de serem condenados ás fogueiras, ou excomungados, e terem os seus bens confiscados para a Igreja.

O "sacramento da ordem" é ministrado pelos Bispos ou por outro membro da Igreja, de maior hierarquia, àqueles que serão admitidos no clero, como sacerdotes. A partir dessa diplomação, o novo padre, já estará apto para ouvir os crentes em confissões, conhecer-lhes todas as intimidades, a fazer casamentos e, o mais importante: pegar uma hóstia, isto é, um pequeno pão em forma de disco e dizer umas frases mágicas, ou sacramentais. Terminada a última palavra da consagração, aquele pãozinho se transforma no corpo de Jesus, com sua alma e toda sua divindade. Naquele minúsculo disco de farinha passa a estar presente o Filho de Deus, e, como tal, o próprio Deus nas suas três pessoas distintas. É maravilhoso o poder do padre, seja ele branco ou negro, pobre ou de família abastada, inteligente ou ignorante. Ao proferir as palavras certas, tem o próprio Deus em suas mãos, quando acontece um milagre estupefaciente: em cada hóstia está presente Jesus em corpo e alma, num dos maiores mistérios da Igreja Católica, pois não são centenas de Jesus, porém um único; mesmo que centenas de hóstias sejam colocadas lado a lado, permanece o mistério: ele se encontra inteiro em cada uma...permanecendo sempre único.

Esse sacramento da “ordem” foi feito pela Igreja, exclusivamente, para homens. O Papa João Paulo II, em manifesto para toda a “cristandade”, diz na sua infalibilidade:

A Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir ordenação sacerdotal às mulheres e esta sentença deve ser considerada definitiva para todos os fiéis da Igreja.

Diz ainda que o fato de “não ter recebido a missão dos apóstolos nem o sacerdócio não diminui a dignidade nem constitui discriminação contra a mulher, mas uma disposição que deve ser atribuída a Deus.”

O Papa, no entanto, não mencionou quando, ou em que encontro, foi que Deus lhe fez tal recomendação discriminatória, tão a gosto do Deus dos judeus, para os quais a mulher era um simples objeto doméstico, que nem ao menos figurava nas estatísticas.

Um Bispo brasileiro diz: “Somente a uma mulher foi dada a honra de ser “Mãe de Deus”, formar-lhe o seu corpo, alimentá-lo e acompanhá-lo por toda a vida. Por outro lado, escolheu livremente o homem, e apenas varões, para receberem o Sacramento da Ordem.”

Essa declaração episcopal chega às raias do absurdo ao dizer que Deus nasceu no útero de uma mulher e que foi amamentado nos seus seios! Que coisa sublime seria ver Maria com Deus-recemnascido no seu colo, embalando-o carinhosamente!

Quando Jesus saia em suas pregações, acompanhado de um grande número de mulheres, não seriam elas coadjuvantes nos trabalhos de catequização, ou seriam, então, companheiras, com quais finalidades? Vê-se que Jesus não discriminava as mulheres durante o seu sacerdócio, fazendo delas companheiras de trabalho, não fazendo qualquer distinção entre os seus seguidores.

O Padre, após a sua ordenação, por alguma falta grave, pode ser afastado do sacerdócio, não perdendo, porém, a faculdade recebida de oficiar o que chamam de “ sagrado sacrifício da Missa”. É’ afastado, oficialmente, do seio da Igreja, conservando, porém, a sua qualidade de “ministro. ”

E os padres ateus? O convívio diário com a divindade, sua comunhão constante com Deus, como dizem; seu estado de espírito, no momento, por acaso acabrunhado por possíveis dissabores alheios ao seu ministério, ou por outras preocupações, não poderá conduzi-lo à frivolidade e afrouxamento da sua crença?

A recente seita, oriunda da Igreja Anglicana, denominada “Mar de Fé”, certamente herética ao pensamento da Igreja de Roma, já vai se consolidando, e afirma:

“ Não acreditar em Deus como uma entidade sobrenatural, onipresente e oniciente do destino dos humanos mortais.

Ele é uma criação da mente humana e vive em nossos corações. Jesus foi um homem especial, assim como Bach ou Shaekspeare, e não uma entidade suprema e diferente dos humanos”. ( Jornal do Brasil, 4/8/1994).

Outro sacramento é o do "matrimônio" ministrado por um sacerdote, que obriga os nubentes a se manterem unidos até que a morte os separe. No caso de um pretendido divórcio, o processo é bastante complicado, podendo ser solucionado somente com a autorização do Papa através de um despacho muito dispendioso para as partes, porém, possível.

Onde consta, nos Evangelhos, a existência de um matrimônio indissolúvel, pregado pelos Evangelistas ?

Outro sacramento é chamado de "extrema unção". E’ ministrado a moribundos. Antigamente, quase sempre a ricos e broncos fazendeiros do interior, solteironas ou viuvas beatas, às vezes sem herdeiros diretos, que, pretendendo perdão dos seus pecados, (in extremis) e conseguir vultosas indulgências que os livrassem das penas do "purgatório", e mesmo do inferno, faziam (expontâneos) testamentos, deixando fazendas, dinheiro, gado e outros bens, ou para a Igreja, ou para o "santo" de suas devoções, fato que tem criado dificuldades para a Igreja ao querer alienar imóveis registrados em nome de entidades divinizadas sem representantes legais perante os Cartórios.

Com base no Evangelho de João, 20:23, que diz: " Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes serão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos", inventaram o "sacramento da penitência ou confissão", que foi o instrumento mais poderoso em mãos da Igreja, na Idade Média, quando ela, através dos confissionários, espionava toda a cristandade, com muito mais eficácia que nos tempos modernos as organizações de regimes autoritários, tais como a SS do nazismo, a KGB dos russos, a CIA dos americanos ou do SNI, para os brasileiros. Nesses regimes as delações eram obtidas sob tortura, quando os torturados informavam o mínimo que pudessem. Nos confissionários, sob a esperança da obtenção de indulgências, as delações eram expontâneas contra seus próprios familiares, conhecidos, ou inimigos de quem se quisesse vingar, com o máximo de detalhes e de informações.

Jesus, em vida, não teve oportunidade de outorgar aos seus discípulos tão poderosa oportunidade para, a seu bel prazer, mandar um “cristão” para o céu ou para o inferno, dependendo do seu ânimo ou da sua vontade momentânea, ou mesmo da simpatia do confessor. Como o Evangelho de João é o único que dá aos discípulos tal poder, sendo desconhecido dos outros evangelistas, e pela hipótese desse poder ter sido dado por “Jesus-manifestação”, isto é, só durante a sua segunda aparição, tudo faz crer que foi uma interpolação dos sacerdotes e papas do início do cristianismo.

“A crítica moderna está dividida sobre a origem precisa de todos esses textos”, referindo-se a João, (Enciclop.Universo, 6° vol., pg.2929), pois João era ignorante e idiota, como consta da Vulgata, Atos dos Apóstolos, Cap. IV, 13: “Videntes autem Petri constantiam et Joannis, comperto quod homines essent sine litteris et idiotæ, admirabantur...”.

A Inquisição, obra prima, ou como se diz, "a menina dos olhos" da Igreja, foi o terror com que ela dominou o mundo ocidental durante quatorze séculos. Nenhum poder humano suplantou o poder do Papado, nem o da Grécia, Egito ou o do Império Romano. Reis e Imperadores só eram coroados com a presença do Papa ou de seu preposto. Reis e Imperadores eram destituídos ao sabor dos caprichos da Igreja.

Henrique IV, Imperador do Sacro Império Romano Germânico, foi deposto e excomungado pelo Papa Gregório VII. Em Canossa, esse Imperador compareceu perante o Papa, descalço, no inverno, em jejum, com uma tesoura e uma vassoura nas mãos e pediu, perante o povo reunido, o perdão de Sua Santidade.

Cem anos depois, para comemorar a humilhação de um Imperador por um Papa, o Sumo Pontífice Alexandre III quis mostrar ao mundo o poder absoluto da Igreja sobre a humanidade e, principalmente sobre qualquer Rei ou Potentado. Intimou outro Imperador do Sacro Império, Frederico I, o Barba-Roxa, a lhe pedir perdão publicamente e segurar o estribo de ouro da arreata da mula em que o Papa montou perante o povo reunido.(Bíblia Sagrada, Livros do Brasil S/A - XI Concílio Ecumênico. Latrão III)

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