As Reliquias

As relíquias compreendem partes de corpos de santos ou quaisquer objetos que a eles pertenceram, ou que foi por eles usados, ou mesmo que só se relacionem com eles indiretamente.

Talvez seja o "Santo Sudário" a mais importante relíquia para a Igreja Católica. Quando Madalena diz ter encontrado vazio o túmulo de Jesus, apressadamente foi comunicar o fato aos discípulos. Pedro indo ao local, viu os lençóis, e retirou-se admirado, isto é, sem compreender o fato. (Luc. 24:12). João diz que o primeiro discípulo que lá chegou, não entrou na sepultura e só viu os lençóis postos. Pedro, chegando depois, entrou no sepulcro, e viu também os lençóis, mas o lenço que cobria a cabeça de Jesus, se achava enrolado num lugar à parte. (Jo. 20:6-7)

De acordo com os Evangelhos Canônicos não mais existe qualquer referência a essas duas peças. Nada se menciona, se foram recolhidas pelos discípulos ou por outras pessoas.

Esse "Santo Sudário é a relíquia mais importante do cristianismo porque reproduz a imagem de Jesus morto, impressa com seu próprio sangue e suor. O maior milagre dessa relíquia, foi haver escapado de um incêndio no Século XIII. Depois foi localizado num Convento de freiras; passou por diversas mãos através dos séculos até chegar à Casa Saboia, em Turim, na Itália, onde se encontra.

Um sábio francês, Paul Vilon, em sua obra "Le Saint Suaire de Christ", após meticuloso estudo, como o próprio disse, deu como exuberantemente provado ter sido realmente ele que envolveu o corpo do homem que se chamou Jesus!

Para a conclusão dessa certeza “exuberante” esse sábio deve ter encontrado no “sudário” alguma inscrição, ou feita por José de Arimatéia ou por alguma pessoa que tenha ajudado a nele envolver o corpo de Jesus.

Essa assertiva certamente se deu em decorrência de um fabuloso milagre, pois na atualidade, com todos os progressos, tem-se dificuldade de identificar até um corpo de uma pessoa morta recentemente. Para saber-se que o sangue que manchou aquele lençol era realmente de Jesus, seria necessário que houvesse uma série de registros em seu nome, do contrário não poderia ser identificado, senão através do maior de todos os milagres feitos pelas Potências Divinas.

Com relação a essa inestimável e divina relíquia, surgem outras indagações:

l° - Qual teria sido a razão de terem guardado, na época, os panos que envolveram o corpo de um morto, praticamente desconhecido em Jerusalém e que foi julgado e condenado por duas autoridades:- pelos judeus, por blasfêmia e desrespeito às Leis, e pelo Procurador Romano, por sedição contra Roma. Os Evangelhos nada dizem sobre a guarda dessas peças. Só se referem a uma partilha de uma túnica, por soldados, após a crucifixão. (Jo.19:23-24).

Os discípulos estavam apavorados de medo dos sacerdotes, e nenhum teria tido a idéia de voltar ao sepulcro para recolher algo que ali pudesse estar esquecido, para ser guardado como lembrança do Mestre, principalmente dos panos que o envolviam. Mesmo que acreditassem em ressurreição, nunca pensariam que Jesus tivesse saído nu da sepultura.

Mesmo na Galiléia, onde viveu e possivelmente tivesse trabalhado, nenhuma recordação foi preservada, nem sequer uma cadeira, uma cama, uma mesa, por ele fabricada, ou mesmo uma das suas ferramentas de trabalho. Porque iriam se interessar por um lençol sujo de sangue?

2°- Na hipótese de ter sido recolhido por alguém, é certo que Jesus, ao ressuscitar, se não tivesse saído envolto nele, logicamente, então, teria saído nu. Poderia ter acontecido outro milagre: teria saído vestido suntuosamente de acordo com a sua majestade divina. No entanto nada disso aconteceu, pois Madalena teria contado da sua admiração: ou que o vira nu ou vestido com outras indumentárias, que não a mortalha em que fora envolvido seu corpo.

Como esses panos puderam passar por diversas mãos no decorrer de vinte séculos sem sofrerem a ação do tempo, apodrecendo ou se reduzindo a pó?

No Egito, onde se embalsamavam os poderosos envoltos em linho da melhor qualidade e com todo um processo de conservação, os revestimentos das múmias não resistiram à ação do tempo, embora sepultadas em túmulos hermeticamente fechados.

Alem dessa importante relíquia, manchada com o verdadeiro sangue de Jesus, portanto com o sangue do próprio Deus, existem, aos milhões, outras que pertenceram ou se relacionaram com os "santos", algumas tão prodigiosas que só podem ter acontecido com a intervenção direta do próprio Deus.

Vejamos algumas relíquias dentre milhões, veneradas pelos crentes:

1- O "Manto de Cristo" reverenciado como uma túnica que serviu a Jesus, é roubado da Basílica de St. Denis, na França, onde se encontrava ha 800 anos.

2- Dedo da mão direita de Santo Antônio, encontrado em Pádua e transportado para Pola, na Itália, em solene procissão no mês de outubro de 1932.

3- Fragmentos da cruz em que Jesus foi crucificado, incrustados nos anéis dos Bispos.

4- Maná colhido no deserto por ocasião da fuga dos hebreu do Egito é conservado no Vaticano.

5- Um braço de Santo Antônio, em Genebra.

6- O corpo de Santo Antônio se encontra em 5 lugares diferentes: Stambul, Viena, Dauphiné, Marselha e Arles, todos eles operando milagres.

7- Corpos de Santa Helena: em Constantinopla, na Igreja dos Doze Apóstolos; em Roma, na Igreja de Araceli; em Veneza, na Ilha de Sta. Helena e um outro em Hauteville.

8- A cabeça de Santa Helena em Colônia.

9- A lanterna que Judas usou quando indicou o local em que Jesus se encontrava, ao ser preso, acha-se na Igreja de São João de Latrão. Nessa Igreja ainda se encontram algumas das moedas que Judas recebeu para entregar Jesus, bem como um pedaço da corda com que se enforcou.

10- No pomo da espada Durandel, de Rolando, paladino de Carlos Magno se encontrava um dente de São Pedro.

11- Na Catedral de Marselha havia duas ou três espinhas dos peixes que Jesus havia multiplicado no deserto.

12- Algumas penas desprendidas das asas do Anjo Gabriel ao anunciar à Maria que ela seria a mãe do Messias se encontram na Catedral de Marselha.

13- A serpente de bronze, de Moisés, foi conservada por muito tempo em Santo Antônio Ambrósio, em Milão.

14- O escudo de São Miguel é venerado em São Julião, em Tours.

15- Uma lágrima de Jesus é venerada no Convento dos Beneditinos, em Vendôme.

16- O machado que pertenceu a São José está conservado em Conchiverny.

17- Na Catedral de Santo Homero há uma carta escrita do céu, por Jesus, incitando os cristãos a pagarem o "dizimo".

O que mais admira é a maneira por que essas relíquias se multiplicavam e se espalhavam por toda parte. São Mauro tinha 9 corpos; Santo Erasmo, 11; S. Francisco de Paula, 12; São Juliano, 13; São Pedro, 16; São Paulo, 18; São Jorge, 30.

São Tiago tinha 11 queixos; São Leger, 12; São João Batista, 20; Santo Inácio de Antioquia teve 6 cabeças: sendo que uma foi comida pelos leões, outra estava em Roma, na Igreja de Jesus, em Igrejas de Clarivau, Praga, Colônia, Messina. (Jesus e sua Doutrina, pag. 531-3).

O escritor e historiador Ludovico Lalann assinala: 17 braços de Santo André; 12 mãos de S. Leger; 60 dedos de S. Jerônimo.

Em todas as comemorações da Semana Santa aparece a representação de uma mulher que dizem chamar-se Verônica, mostrando ao povo uma toalha que teria enxugado o rosto de Jesus, deixando, ali impressa, a sua efígie, com todos os detalhes fisionômicos.

Isso tudo aconteceu numa época em que as divulgações eram restritas. As populações das cidades, vilas, aldeias e pequenos povoados nunca saiam alem das suas localidades. Não havia intercâmbio cultural para um povo completamente ignorante. Somente a Igreja sabia do que se passava alem das fronteiras. Os Padres estavam em constantes comunicações com os Bispos, e estes com a Igreja de Roma, de onde provinham todas as instruções referentes ao culto, aos deveres dos cristãos, à disciplina e às penalidades para as inobservâncias das leis da Igreja.

Havia ainda, em cada paróquia, o omnipresente fantasma da Inquisição. O padre era a personagem mais importante. Conhecia a intimidade e privacidade de todos os habitantes. Aqueles que não freqüentassem os confissionários, poderiam ser confundidos com "hereges", o crime mais hediondo para a Igreja, que era sempre e irremediavelmente castigado com excomunhões, expropriação dos bens e, se o "herege" fosse de grandes posses, poderia ser condenado à fogueira ou coagido a fazer vultoso donativo à Igreja.

Nessa época, nesse estágio da civilização, quando, durante os 1.500 anos em que a "Santa Inquisição" dominou completamente o mundo ocidental, e a Igreja era a primeira preocupação do povo, os milagres, as indulgências, as relíquias eram questão de fé obrigatória. Não se discutia o que era afirmado e pregado dos púlpitos.

Mesmo agora, em pleno século XX, ainda existem personagens dos séculos passados. Uma notícia publicada no Jornal do Brasil de 13/5/1993:

“Leiloados em Paris, na Casa de Leilões Drouot, por $l8.500, (CR$740.000.000,00), uma lasca da cruz em que Jesus foi crucificado. A compradora, uma francesa que preferiu não se identificar, planeja exibir em uma Igreja o fragmento, montado em uma pequena cruz de ouro, protegido por tampa de cristal. A relíquia estava acompanhada de uma declaração de autenticidade do Vaticano”.

Nova maravilha religiosa surge para os católicos brasileiros, com a vinda, pela primeira vez, nada mais, nada menos do que O Sagrado Manto de São Francisco de Paula, vindo da Itália, e acompanhado por seis devotos padres italianos, e de um Bispo Brasileiro: D. José Vaz, o que dá à relíquia incontestável autenticidade.(O Globo,29-11-93).

Esse “sagrado manto” que deve ter recoberto a nudez daquele maravilhoso santo, deverá figurar, glorioso, junto ao “Santo Sudário” que recobriu o cadáver de Jesus, e da figura da cabeça do “filho de Deus”, estampada com seu próprio sangue no lenço apresentado nas procissões por uma certa Verônica.

A veneração, a posse de relíquias, não era desejo só para as classes pouco instruidas.

- O Papa Pio XII trazia relíquias da santa de Lisieux (França) junto ao corpo. (x)

-Paulo VI mantinha um “dedo” do apóstolo Tomé sobre sua escrivaninha.

-João Paulo II mantem em seu próprio apartamento fragmentos dos restos mortais de São Benedito e de Santo André.

-O suposto berço de Jesus encontra-se numa Basílica erm Roma, bem como seu “manual de ortografia ” e mais de 1.000 pregos usados na sua execução!!!

Na cidade de Trier, na Alemanha, existe uma túnica sagrada, roupa interior, inteiriça, usada por Jesus Cristo.

O Concílio Vaticano II reafirmou que, “ segundo a tradição, a Igreja cultua os santos e tem em veneração suas relíquias autênticas e imagens”. (Constitution “Sacrosanctum Concilium” sulla sacra Liturgia, no I Documenti del Concilio Vaticano II, 1980 - Edizione Pauline).

“As relíquias ilustres, bem como as honradas por grande piedade popular” são mencionadas no “Codex Iuris Canonici”, promulgado por João Paulo II, em 1983. ( A Sentinela - 15-11-91).

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