Ascensão significa subida ou elevação de algo, que, contrariando a força da gravidade, faz com que um corpo se eleve do seu ponto de inércia até o limite da atração terrestre.
As religiões cristãs têm como coluna mestra do seus cultos, a vida de Jesus: seu nascimento, seu ministério, sua morte, ressureição e sua ascensão física ao reino do céu, onde "foi visto", ora de pé à direita de Deus (Atos, 7:56), ora assentado (Marcos, 16:19) do mesmo lado.
Lucas, em 24:5l, diz: "E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles, e foi elevado ao céu."
Nessa apartação Jesus ter-se ia afastado das suas vistas, ou se deslocado simplesmente por alguns passos? Teria simplesmente “desaparecido”, como aconteceu mais de uma vez, ou teria sido visto flutuar da terra para o espaço?
No versículo 53, diz: “E estavam sempre no Templo, ( os discípulos) louvando e bemdizendo a Deus”. Por essa citação, parece que os seguidores de Jesus não se escondiam, com medo dos judeus, conforme diz João,
João e Mateus, que foram discípulos de Jesus, não mencionam sua ascensão. Marcos, que foi discípulo de Pedro, faz uma pálida referência ao que se quer definir como ascensão, ao dizer: "O Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido acima no céu e assentou-se à direita de Deus".
Sòmente Lucas, influenciado pela freqüente aparição de anjos, mesmo sem estar presente, diz em Atos dos Apóstolos,
De acordo com ensinamentos antigos, ou mesmo de agora, o céu é apresentado como um espaço físico, ou mesmo um reino cujo monarca é Deus, sendo a futura habitação dos justos, após o Juízo Final, quando serão julgados os vivos e os mortos, ressuscitados. A ascensão não foi privilégio só de Jesus.
Não são raros os casos de “ascenções” nas Escrituras.
Elias foi arrebatado ao céu num redemoinho, quando apareceu ali um carro de fogo e com cavalos, também de fogo (II Reis, 2:11).
Jesus ascendeu aos céus, onde foi visto por Estevão, de pé ao lado de Deus (Atos 7:56), ao passo que Marcos diz que ele estava assentado (Marc.16:19), do mesmo lado, deduzindo-se que se locomovia em torno do Trono.
Outra “ascenção” mencionada na Bíblia, foi em Juizes,
Para os adeptos do Velho e do Novo Testamento, no céu há espaço físico para um trono de Deus, bem como assentos para seus subalternos. Ou se acredita na Bíblia, como verdade absoluta, já que foi ditada ou revelada por Deus, ou se usam sofismas baseados exclusivamente na fé, com interpretações polêmicas, quando adquirem caráter de folclore ou lendas. Nesse último caso, contraria-se o que o próprio Jesus disse: "Até que o céu e a terra passem, nem um jota nem um til se omitirá da Lei..." (Mateus, 5:18).
Cada edição da Bíblia tem uma redação, não com os mesmos vocábulos, porém, não alterando substancialmente o conteúdo. Assim, para Jesus, omissão seria modificação do sentido pois, mesmo ele não previu que o Antigo Testamento viesse a ser vertido para centenas de idiomas, onde as palavras podem não ser bem traduzidas.
A Bíblia relata fatos interessantes que, examinados como estão relatados, adquirem o caráter de lendas, embora diversas religiões tenham os fatos como realmente acontecidos, nos quais se deve crer sem discussão, portanto acreditam que Elias subiu ao ceu num redemoinho, ao lado de um carro de fogo, e o anjo de Manué, também, no meio de labaredas.
Assim Eva poderia ter mantido um longo diálogo com uma serpente, identificada como encarnação do mal, e que a desviou do caminho traçado por Deus.
Balaão foi repreendido por uma jumenta, que reclamou o fato de ter sido espancada três vezes (Num. 22:30): “ Então Deus abriu a boca da jumenta, a qual disse a Balaão: que te fiz eu, que me espancaste estas três vezes? Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? Costumei eu alguma vez de fazer assim contigo”?
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Entre os muçulmanos, como entre os judeus, animais também falavam: uma formiga convoca suas companheiras, dizendo: “Formigas, entrai em vossas moradas com receio de que os soldados de Salomão vos esmaguem sem o perceber”. (Sura, 27:18) e uma poupa (espécie de pomba européia) discorre sobre a rainha de Sabá com o Rei Salomão: “ A poupa chegou e disse de uma certa distância: “ descobri o que não descobriste, e venho a ti de Sabá com uma notícia segura.”. (Sura, 27:22-23).
No livro de Job, 1:7, Deus interroga Satanás e mantém com ele uma longa discussão. Em Êxodo, 33:11: - "Deus fala cara a cara com Moisés, como qualquer fala com seu amigo". Em Gênesis, 6:6, Deus arrepende-se de haver criado o homem, devido a um erro de previsão sobre o futuro da sua criação.
Fatos idênticos são relatados às centenas, e foram aceitos como verdade inquestionável, até o momento em que a instrução deixou de ser exclusividade dos sacerdotes das velhas religiões e, quando o povo começou a pensar com o próprio cérebro.
Até Copérnico (1473-1543), entre os indoutos, era doutrina da Igreja ser a Terra o centro do Universo, conforme as teorias de Ptolomeu. Impunha-se um número de céus acima da Terra, dispostos em camadas como um bolo, idéia esta não mais defendida pela Igreja Católica, porém, ainda em vigor entre os muçulmanos. Na Sura, 41-12, consta que Deus tenha criado os sete céus em dois dias. Nas Suras 67:3 e 71:15 o céu é composto de sete camadas superpostas, estando o inferno, o purgatório e o limbo em esferas diferentes.
Paulo, o apóstolo, em II Cor. 12:2-4, diz haver conhecido um homem que fôra arrebatado até o 3° céu, o paraíso. (Jesus, ou ele mesmo ?), ou seria referência ao acontecimento que o levara a se apostatar do judaísmo na estrada de Damasco?
Copérnico descobriu que a Terra não era o centro do Universo, porém, ameaçado pela Igreja Católica, sua teoria só foi difundida após sua morte.
Em 1633 o Papa Urbano VIII, com sua infalibilidade, decretou a queima, na fogueira, para Galileu, por haver ensinado que a Terra girava em torno do Sol. ( Foi indultado após repudiar publicamente sua teoria. Para a Igreja, com sua infalível sabedoria, a Terra continuava sendo o centro do Universo, quando, sol, e estrelas em suas galáxias, giravam ao seu redor para contemplação do homem.
A ascensão de Jesus foi defendida quase que exclusivamente por Lucas, que não foi discípulo, nem conheceu Jesus.
Esse evangelista, discípulo de Paulo, passou a ser um convertido fanático e apaixonado, herdando essas características de Paulo que, de perseguidor implacável dos cristãos, tornou-se o personagem mais fervoroso do cristianismo, sem o qual, talvez as pregações atribuídas a Jesus tivessem sido esquecidas depois da sua morte.
Para se conhecer melhor o caráter de Paulo, veja-se o que ele diz de si mesmo: "era grande perseguidor dos seguidores de Cristo e excedia em judaísmo a muitos da sua idade, sendo extremamente zeloso das tradições (Gálatas, 2:13-14). Foi um elemento crente, convicto, um verdadeiro fanático, despótico e cruel. Ao se converter, conservou sua formação, somente que, agora, em favor da doutrina que tanto perseguiu.
Lucas imprimiu no seu evangelho todo o misticismo dos judeus, povoando-o de fatos sobrenaturais. Os seus personagens conviviam com anjos e demônios, da mesma maneira em que outras civilizações conviviam com deuses, semi-deuses, fadas, ninfas, iaras, oguns e quejandos, que participavam diariamente da vida desses povos, quer fossem civilizados como gregos , romanos, ou persas, ou como as tribos africanas ou índios americanos com seus sacis, boitatás e outros.
Para se crer na misteriosa ascensão de Jesus (Lucas, 24:50) assistida por dois anjos, tem-se que acreditar, também, na ascensão de Elias (II Reis, 2:11) ou nas centenas de aparições de anjos em circunstâncias diversas, como: à Maria, (Lucas, 1:26), Zacarias, (1:11), Simeão, (2:26), ou na legião de anjos guerreiros dos exércitos celestiais numa noite de inverno a alguns pastores no campo (2:8-13).
É de se notar a impropriedade dessa aparição de generais, coronéis, tenentes, sargentos e soldados providos de asas e espadas de fogo a simples e humildes pastores em noite gelada de dezembro, quando seria muito mais convincente essa aparição divina ter se dado no próprio palácio de Herodes ou do governador romano.
Outros anjos mais ousados soltaram apóstolos aprisionados pelos sacerdotes bem como as masmorras foram abertas para a libertação do apóstolo Pedro. “ E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: “Levanta-te depressa. E caíram das mãos as cadeias....chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma. (Atos, 12:7-10).
Para Lucas, no seu espírito sobre-excitado, essas aparições nascidas e criadas em seu cérebro tomavam a forma de uma verdade tão real, que não se constrangeu em deixá-las gravadas em escritos para que outros as lessem, a não ser que previsse sua difusão só entre o povo pobre e inculto, tão ao agrado de Jesus. (Lc. 4:l8).
Lucas afirma em Atos l:3-9 que Jesus permaneceu ressuscitado por quarenta dias, porém, nenhum fato foi constatado ou citado desse período e atribuído a ele.
Como nos outros Evangelhos não se menciona esse período, não se sabe em que fonte Lucas obteve esses dados, isso depois de mais de trinta anos após à morte de Jesus, contrariando o que afirmara antes: “Mas ele os conduziu para fora, até Betânia, e, erguendo as suas mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, foi separado deles e começou a ser levado para o céu”, (Lucas, 24:50-52), isso na noite de domingo, após aparecer inesperadamente aos discípulos.
No seu Evangelho diz que, assim que os discípulos que voltaram de Emaús se reuniram aos outros, na noite de domingo, Jesus aparece no meio deles, depois os leva para Betânia “...e foi elevado ao céu”. Diz, então, que a “ascenção” se deu na noite desse dia, que as religiões chamam de domingo da ressurreição, ou domingo de Páscoa.
São duas narrativas diferentes do mesmo autor. Qual delas é a verídica?
A "Ascenção" tem seu relato somente nesse Evangelista que informa de uma maneira muito ligeira para a magnitude do evento que, conhecido em Jerusalém , teria repercussões revolucionárias e imorredouras.
Diz (Luc. 24:50 e Atos 1:10): " E havendo dito estas coisas, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto ele ia subindo, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco (Atos , 1:1-10). (Seriam anjos, já que aparecem sempre nos relatos atribuídos a Lucas...)
A ascenção de Jesus foi inventada, ou descoberta, não se sabe ao certo em que data; possivelmente ditada a Lucas pelo próprio Paulo que se viu embaraçado com a ressurreição de Jesus, que passaria a ter uma vida normal, em companhia dos seus discípulos.
A Igreja Católica, conforme consta da Bíblia Sagrada (Livros do Brasil S.A. - Vol. IV-1962) diz que no Concílio de Jerusalém, anos 49/50, foi descoberto que a ascenção de Jesus se deu no dia 20 de maio do ano 30.
Era urgente fazer com que Jesus deixasse o cenário. . Sua permanência entre os vivos seria por demais embaraçosa, pois estaria sujeito a novas escaramuças e a uma nova morte, talvez menos espetacular do que a que sofreu na cruz, ou até mesmo morrer de velhice como qualquer mortal.
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