A Bíblia

A Bíblia, ou melhor, o Antigo Testamento, relata a história do povo judeu: sua formação, suas lutas e sua literatura, entremeando lendas primitivas da criação do mundo oriundas de outras civilizações mais antigas.

Os hebreus, cuja história é bastante controvertida, têm sua origem em grupos nômades da região da baixa Mesopotâmia, que teriam emigrado da região de Ur, na Caldéia, para a Síria, por volta do ano 3000 AC.

Segundo a tradição, a história começou com o patriarca Abraão, cujos descendentes constituíram um grupo semi-nômade que se estabeleceu na região central da Palestina depois de peregrinar por diversas terras, inclusive o Egito.

Abraão foi pai de Isaac, e este de Jacob, que mais tarde se fixou no Egito, onde a vida era bem mais fácil, não só pela qualidade das terras como pelas diversas facilidades que os semitas encontravam no país, recentemente conquistado pelos hicsos, invasores de raça também semita.

Com a expulsão dos hicsos pelo Faraó Ahmosis I (1580 A.C.), todos os semitas, inclusive os descendentes de Jacob, perderam suas regalias, das quais abusaram discricionariamente por mais de um século, e começaram a sofrer, por parte dos egípcios, os mesmos sofrimentos que infligiram ao povo nativo, terminando por viver em verdadeira escravidão, que durou quatrocentos e trinta anos.

Esse foi um dos fatos mais marcantes da história dos judeus narrada no Antigo Testamento.

Com a expulsão dos escravos semitas do Egito (1250 A.C.), aparece em cena Moisés que, aproveitando-se da desesperada ansiedade do povo, insinuou-se como seu guia e condutor pelos desertos, e evitou a estrada real, que era pontilhada de fortalezas, ora egípcias, ora filistéias. Era de seu interesse se afastar o mais rápido possível, pois as mulheres hebréias furtaram o que foi possível nos lares onde trabalhavam, e os bens poderiam cair em poder dos soldados, ou serem recuperados.

Então ( o Faraó) chamou a Moisés e a Aarão de noite, e disse: Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os filhos de Israel; e ide. E os egípcios apertavam ao povo, apressando-se para lançá-los fora da terra. E o povo tomou a sua massa, antes que levedasse, as suas amassadeiras atadas em sus vestidos, sobre seus ombros. Fizeram pois os filhos de Israel conforme a palavra de Moisés, e pediram aos egípcios vasos de prata e vasos de oiro , e vestidos. E o Senhor deu graças ao povo nos olhos dos egípcios, e emprestavam-lhes: e eles despojaram aos egípcios. E cozeram bolos ázimos da massa que levaram do Egito, porque não se tinha levedado; porquanto foram lançados do Egito; e não se puderam deter, nem ainda se prepararam comida”.( Êxodo: 12:39)

Após três meses de caminhada, a indisciplina chegou a tal ponto e intensidade, que Moisés, aconselhado por seu sogro Jetro, outorgou ao povo uma rigorosa legislação de cunho militar que lhe garantiu a autoridade.

Além de dividir os homens em formações militares, atribuiu ao seu irmão Aarão todo o poder religioso nos moldes egípcios, com sumo-sacerdotes e todo o clero subalterno, que passou a exercer sobre o povo uma verdadeira ditadura religiosa, com penas de morte para centenas de infrações.

De acordo com o que se encontra em Êxodo , 12:37-38, que diz: “ Assim partiram os filhos de Israel de Ramsés para Sucot, coisa de 600.000 de pé, somente de varões, sem contar os meninos. E subiu também com eles muita mistura de gente, e ovelhas e vacas, uma grande multidão de gado.”

Calcula-se em pelo menos 3 milhões de pessoas, pois não se contavam mulheres e meninos, tanto dos israelitas, quanto dos demais semitas expulsos juntamente.

Se a alimentação de cada pessoa fosse de 200 gramas de qualquer tipo de comida, a ração diária seria de, pelo menos, 600.000 quilogramas, ou o eqüivalente a 10.000 sacos de 60 kg. cada.

Para transportar essa grande quantidade de alimentos haveria necessidade de um grande número de animais de carga, fossem bois ou jumentos.

Calculando-se que só a metade da carga fosse transportada por animais (300.000 kg.) e que cada um transportasse 100 kg., seria necessário um mínimo de 3.000 cargueiros, sem contar suas rações.

Cada um dos animais desse imenso rebanho necessitaria de um mínimo de 500 gramas de alimentos por dia para o próprio sustento.

Nenhum ser vivo resistiria à falta d’água ao caminhar por um deserto, portanto uma quantidade de água semelhante aos alimentos deveria ser transportada.

Mais adiante, em Êxodo, 18:21, consta que os homens foram divididos em grupos de 10, 50, 100 e 1000. Formariam 600 contingentes de 1.000 homens cada, um verdadeiro exército, certamente sem qualquer armamento, pois , embora possuíssem grandes riquezas furtadas dos egípcios, dificilmente encontrariam no deserto um fornecedor de armas de tal porte. Entretanto enfrentaram uma batalha com um certo Amalek, que, sendo derrotado, teve todo o seu povo passado (assassinado) a fio de espada. (Êxodo - l7:13)

Essa escaramuça se deu antes do terceiro mês após a saída do Egito, portanto os hebreus, ou saíram de lá com armamentos de guerra - o que seria inconcebível - ou essa luta teria feições de assistência divina. Se os hebreus tiveram que sair tão apressadamente, que nem tiveram tempo para preparar o pão daquele dia, como teriam conseguido armas?

Após quarenta anos pelos desertos, Moisés chega às margens do Jordão, que não chegou a atravessar. Dos hebreus saídos do Egito, adultos, o número dos que viram a "terra prometida" foi bem pequeno. Em Gênesis, 12:37, são mencionados 600.000 retirantes, só varões, sem contar as mulheres e crianças, o que daria no mínimo de três milhões de pessoas, aproximadamente. Esse número fabuloso de flagelados a atravessarem um deserto inóspito, sem água e sem alimentos, durante quarenta anos, é certamente exagerado e não pode ser exato de acordo com os entendimentos atuais.

A estória bíblica da travessia do Mar Vermelho é uma lenda épica para sugestionar o povo inculto que não tinha acesso às Escrituras e, era levado a acreditar no que os Sacerdotes lhes pregavam.

Os escravos semitas, tanto israelitas quanto de outras nacionalidades, estavam localizados nas imediações do Delta do Nilo, na Terra de Gosen, onde os Faraós desenvolviam uma avançada agricultura e obras de construções diversas, valendo-se ali de escravos de várias raças, recrutados em campanhas militares.

O Mar Vermelho perde sua qualidade de mar ao norte das terras egípcias que fazem limites com a Península do Sinai, seguindo para o norte numa espécie de alagado, com água quando a maré estava alta, e dando passagem a pé pelo fundo areento, quando a maré estava baixa. Ali já existiu um canal que ligava o Mar Vermelho ao Grande Mar ( Mediterrâneo), construído por um Faraó de antiga dinastia, que, devido às guerras constantes, ficou açoreado. Nesse percurso existiam, permanentes, somente alguns lagos.

Os egípcios atravessavam constantemente esse alagado, nas intermitências das marés; ao sul, na estrada que ligava Menfis às minas de cobre do Sinai e, ao norte, na estrada que ia para a Babilônia ou, noutro percurso, para as terras dos filisteus e de Canaã.

A passagem da Bíblia, em Êxodo, l4:21-23, que diz: “Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do mar seco, e as águas foram-lhes como muro à sua direita e à sua esquerda.”

Moisés conhecia perfeitamente os locais onde as passagem seriam fáceis, pois foi educado como um príncipe egípcio em todas as suas formas, inclusive com conhecimentos geográficos e militares.

Tudo isso não passa de uma lenda, verdadeiramente admirável como tal, porém inadmissível como acontecimento real, pois, uma travessia de cerca de três milhões de retirantes, com seus rebanhos de ovelhas, jumentos e bois, animais estes de andar moroso, suas bagagens, por mínimas que fossem, reservas de alimentos, milhares de crianças, demandaria dias para se processar.

Segundo a descrição bíblica, o mar se abriu para a passagem daquela multidão no momento em que se aperceberam que tropas egípcias se aproximavam em sua perseguição.

Com a morte de Moisés, termina a mais emocionante fase da história dos judeus.

2 comentários:

Mario A. Cabestre disse...

Vou comentar o que? Se o irmão não acredita no poder do nosso Deus todo poderoso, a unica coisa que posso lhe adiantar é que não devemos ler ou comentar a bíblia estando na carne, mas sim no espírito, pois somente estando no espírito é que podemos sentir e entender as grandezas de Deus.
ET: Esta matéria não deixou de ser importante, pois estarei usando num dos resumos de cultos que faço onde o nosso pastor nos alertou dizendo:O mar não baixou e sim abril, mas sempre tem alguem dizendo que o mar baixou!
Em Cristo
Mario A. Cabestre
www.grupodehomensmissionarios.com.

Mario A. Cabestre disse...

Vejo que o irmão não acredita no poder do nosso Deus todo poderoso, a unica coisa que posso lhe adiantar é que não devemos ler ou comentar a bíblia estando na carne, mas sim no espírito, pois somente estando no espírito é que podemos sentir e entender as grandezas de Deus, pois assim deixamos de igualar aquilo que é possivel aos homens com aquilo que é possível ao nosso Deus todo poderoso."Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR" <-> "Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Isaías 55: 8-9.
Em Cristo
Mario A. Cabestre
www.grupodehomensmissionarios.com