O Batismo

O Batismo não foi criado, nem pelo cristianismo, nem pelo judaísmo. Já existia nas religiões primitivas desde o alvorecer das primeiras civilizações.

Na Pérsia o recém-nascido era apresentado pelos sacerdotes ao Deus Sol, simbolizado pelo fogo, ocasião em que recebia um nome. Na Índia, milhares de anos antes da Europa se tornar civilizada, o batismo era praticado nas águas sagradas do Rio Ganges. No Egito essa prática se processava às margens do Rio Nilo, sendo o costume levado a outros povos através das conquistas militares.

Entre os judeus a prática do batismo não era usual, e praticamente desconhecida. João Batista possivelmente pertencesse à seita dos Essênios, do culto de Rama, uma das encarnações de Vichnu, divindade indiana, que praticavam o batismo, divergindo dos fariseus e saduceus, e o faziam nas águas do Rio Jordão.

Os essênios praticavam uma vida em comum, na mais extrema pobreza, nada possuindo de bens materiais. João, sendo possivelmente um dos essênios, ao batizar Jesus, fez com que este se fizesse prosélito dessa doutrina, oriunda da antiga seita de Melquisedek, conforme diz Paulo em sua epístola aos Hebreus, 6:20: “Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedek”.

Lucas, no capítulo 9, do seu Evangelho, demonstra que Jesus tinha a mesma filosofia dos essênios, ao mandar que seus discípulos andassem sem alforje, bordão, pão, dinheiro e roupas para troca, mesmo quando as usadas já estivessem bastante sujas. João Batista seguia os mesmos princípios: usava um camisolão de pêlos de camelo e alimentava-se com o que pudesse encontrar, simbolizado por gafanhotos e mel silvestre, o que chamaríamos de completa mendicância.

Certamente João não era muito equilibrado de espírito. Andrajoso pelas ruas ou pregando suas idéias pelos desertos, a camponeses humildes e sem instrução, cometia também o grande erro de se imiscuir na vida dos poderosos. Ao recriminar publicamente os procedimentos do Rei Herodes quanto à sua vida particular, difamando seus familiares, trouxe sobre si o ódio do rei, que o fez prender e decapitar.

Confirmando a insanidade de João, Mateus, em 11:18, e Lucas 7:33 dizem: “Pois veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: tem demônio.”

É de se notar que isso tudo foi escrito ha quase dois mil anos, e, tanto naquela época, como nos dias de hoje, não se diz estar possuído pelo demônio uma pessoa que propaga coisas insensatas?

Ao receber o batismo Jesus não se libertou do “ pecado original”, pelo fato de ter sido isentado dele, desde seu nascimento, conforme decretaram as Igrejas. O seu batismo seria, então, sua filiação à seita dos essênios?

Ao iniciar suas pregações, nos moldes de João Batista, não inventou uma nova religião e, simplesmente se filiou à seita dos Essênios, ou de Melquisedeck.

O que não se menciona nos escritos bíblicos é o nome da entidade para a qual batizava. De acordo com o pensamento da igreja Católica, na Santíssima Trindade ainda não existia o Filho; como seriam, então, as palavras sacramentais nessa cerimônia?

O batismo, segundo o catolicismo, é o primeiro sacramento e tem a finalidade de exorcizar um anátema do próprio Deus, perdoando um pecado por ele imposto ao lendário Adão.

Maria, mãe de Jesus, não foi batizada, portanto seria herdeira do pecado de Eva. A Igreja veio em seu socorro, e num Concílio em Nicéia, quando se reuniram Bispos e Frades forneceram-lhe a imunidade indispensável para que ela pudesse gerar um filho do Espírito Santo, fazendo de Maria “sine labe concepta”, já que o próprio Deus disso não se precavera sobre tão necessária condição.

Se o Pai Celeste tivesse tido a intenção de livrar Jesus desse pecado hereditário, que ele mesmo impôs ao condenar Adão por haver comido um simples fruto que lhe fôra vedado, mais divino teria sido se o tivesse feito nascer milagrosamente, e não com a complicação de uma gestação intra-uterina, que tanta amargura provocou à sua mãe ao ser julgada pelos Sacerdotes do Templo, e José, o seu “casto esposo”, não teria passado pelo sofrimento de se casar e depois descobrir que sua esposa já se encontrava grávida, e não lh’o comunicara, o que lhe ocasionou um humilhante julgamento pelos enfurecidos Sacerdotes do Templo. (Mateus, cap. X, do Evangelho apócrifo).

Jesus não deu grande importância ao batismo, pois não constam dos escritos qualquer referência à aplicação desse exorcismo a membros da sua família, ou aos seus discípulos, quando nem ele mesmo batizava.

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