O mundo em que vivemos

Segundo o conceito bíblico, aceito sem maiores reflexões por milhões, entre diversas raças de níveis diferentes de cultura, a formação do mundo partiu do "nada". Era simplesmente o "nada". Nem luz, nem trevas.

Parmênides, filósofo grego (535-450 AC), afirmava: "...posto que não pode ser pensado, o nada não pode existir".

Platão disse: "A discussão sobre o nada leva à conclusão de que a sua negação acarreta a impossibilidade do discurso".

A Bíblia, no Gênesis, oferece um exemplo de cosmologia criativa, nada científica. Utilizando imagens herdadas das mitologias do Oriente Antigo, Moisés (ou a fonte de que se tenham valido os escritores da Bíblia) apresentou sua teoria da criação. Quando o "nada" deixou de existir, algo tinha sido criado. Nesse momento surgiu o Tempo, seguido da primeira pulsação do cronômetro universal. O Universo, com seus sistemas, galáxias, nebulosas, poeiras cósmicas, passou a "existir".

Dessa imensidão infinita, só nos interessa esse nosso pequeno, ínfimo planeta, girando em torno de uma pequenina estrela de quinta grandeza, a que demos o nome de Sol, perdida num dos braços da Via Láctea, e por sua vez perdida na imensidão do Cosmos. A uma velocidade de trezentos mil quilômetros por segundo, luzes de bilhões e bilhões de estrelas correm o éter a bilhões e bilhões de anos e ainda não chegaram à nossa Terra. A imensidão e a compreensão dessas distâncias fogem completamente ao raciocínio humano, e a estória bíblica da criação passa a ser um ingênuo conto infantil. Um nosso possível observador, postado num dos extremos da nossa Galáxia, onde se encontram o nosso Sol e a nossa Terra, numa distância de milhões de anos-luz, ao focalizar com seu telescópio em nossa direção, nada veria, a não ser um pequeníssimo ponto luminoso, que poderia ser o nosso “grandioso” Sol. Nossa Terra não impressionaria seu instrumento, porque seria impossível conhecer da sua existência! Talvez um pequenino grão de areia na imensidão do Saara possa dar uma pálida idéia da localização do nosso Sol, num recanto perdido do Universo.

Para se ter uma vaga idéia de como vivem os homens, animais e as plantas nesse minúsculo mundinho, idealizemos uma bola com dezesseis metros de diâmetro (um edifício de seis pavimentos). Nessa bola espetaremos milhares de palitinhos com alturas diferentes. Só um deles terá um centímetro de altura. Os demais serão menores. Olhando-a de certa distância, nenhuma saliência impressionará nossa vista e diremos que a bola é perfeitamente lisa! Pois esse palitinho de um centímetro representará a mais alta montanha da terra, o Himalaia. Até à metade da sua altura, meio centímetro, a vida poderá estar presente naturalmente. Se subirmos além desse estágio teremos que usar máscara de oxigênio, pois a atmosfera vai se tornando cada vez mais rarefeita e a vida impossível. A camada de ar respirável não passa de uma delgadíssima película que a cada dia se torna mais tênue em razão dos desmatamentos e do desequilíbrio provocado pela produção de gases letais por milhões de maquinismos que o homem inventou, quebrando o equilíbrio ecológico, mal sabendo que está se destruindo a médio prazo.

Pois foi esta microscópica poeira o palco escolhido pelo deus bíblico para lançar o seu "Fiat", aliás, péssimo local, numa região quase toda desértica. Teria sido muito sábio se tivesse optado pelas terras da América, onde serpenteiam rios caudalosos entre florestas tropicais.

A ciência vem abrindo novas páginas no livro da criação. De acordo com teorias científicas o Universo teve origem com uma grande explosão há cerca de dezoito ou vinte bilhões de anos. Através dos telescópios eletrônicos, descobriram-se corpos que não são estrelas, embora primeiramente julgados como tais, localizados entre dois e quinze bilhões de anos luz da nossa terra. São aos milhões, e cada um emite, em média, cem vezes mais energia que o conjunto de todos os bilhões de sóis da nossa galáxia. São os "quazares". Como se pode admitir, sem vertigem, tais maravilhas? (David Jauncey - Austrália).

A ciência abre mais uma página e descobre os "pulsares"; foram observados porque emitem um sinal de rádio que "acende e apaga", daí o nome que lhe foi dado. Admitiu-se estarem localizados dentro da nossa galáxia e não serem estrelas comuns. Para emitirem os seus sinais precisam girar, como os feixes de luz de um farol, e pulsam até trinta vezes por segundo, daí serem pequeníssimos e girarem como um pião. Supõe-se terem um diâmetro de cerca de vinte e quatro quilômetros, mas são tão densos, que uma massa de dezesseis centímetros cúbicos pesaria milhões de toneladas. (Despertai, 22-9-84),.

Em 1981 foi descoberta uma estrela azul, que recebeu o nome de R136, que é dez vezes mais quente que o nosso sol, duas mil e quinhentas vezes mais maciça, um milhão de vezes maior e milhões de vezes mais brilhante. Ante tanta grandeza, o nosso planeta poderia ser comparado ao micróbio de um micróbio de outro micróbio!

O homem, que descobre tantas maravilhas, ainda não conseguiu encontrar um tratamento para as doenças mais comuns entre os seus semelhantes!

Kant supunha que a matéria original era feita de gás e matéria cósmica. Descartes diz que partículas sujeitas a movimentos em turbilhão teriam permitido a formação dos planetas e das estrelas. Cientistas e filósofos, às centenas, apresentaram as suas teorias, surgindo assim, as ciências relacionadas com o Universo.

William A. Fowler, em "A Origem dos Elementos", diz: "No começo, os cosmólogos pensam, existiam apenas prótons e neutros. É agora possível estabelecer a cadeia complexa de reações nucleares pelas quais foram aqueles corpúsculos transformados na mistura de elementos que compõe o universo atualmente. Ter-se-iam realizado alguns desses processos durante os primeiros poucos minutos após a "criação", ao passo que outros ainda estão em plena fase de atividade no interior das estrelas."

Aristóteles admite que Deus não foi o criador do Universo, pois a matéria criada era indigna da perfeição divina. A princípio a propagação das suas idéias chegou a inquietar a Igreja, porém, Tomas de Aquino (1225-1274) deu-lhe uma interpretação de acordo com o pensamento por ela admitida.

O fato de não ser conhecida a origem cosmogônica do Universo, postas de lado todas as teorias dos nossos "sábios", chega-se à conclusão de que esses ínfimos micróbios que se dizem cientistas se apegam, naturalmente, às suas hipóteses, ora se combatendo, ora se contestando, sem conseguirem, jamais, ter o mínimo vislumbre da verdade que jamais será conhecida: a maneira como se formou o universo.

Voltaire, em seu conto "Micromegas", fala de hipotéticos habitantes de Júpiter aportados à Terra. Com seus mais de dois quilômetros de altura pisaram no Mediterrâneo, onde a água mal lhe chegava a cobrir os pés, e acharam a Terra um planeta mesquinho. Notando um barquinho boiando nas águas, tomam-no na concha da mão. Isso aconteceu em plena Idade Média, na época das Cruzadas. Vendo que o barquinho estava lotado de "homículos", estabeleceram uma conversação, quando ficaram sabendo que eram combatentes e soldados de Cristo e que se dirigiam à Terra Santa onde iriam libertar o sepulcro do Filho de Deus, que era também o mesmo Deus que havia criado o Universo. Depois de algum tempo de conversa concluíram que tais "homículos" eram gigantes de presunção e orgulho, partindo indignados de volta às suas viagens interplanetárias.

Conclui-se que "homículos" ainda existem e querem, em suas microscópicas mentes, descobrir o mistério da criação e, à sua falta, têm a insensatez de atribuí-la a algum deus...

A cosmologia se refere a tudo que podemos observar aplicado "ao nosso universo" com extensão presumivelmente homogênica e isotrópica.

Na antigüidade e na Idade Média, surgiram muitas cosmologias, variadas e imaginativas, geralmente fundamentadas na idéia de que a Terra era chata, imóvel e de que ocupava o centro do universo, circundada por esferas nas quais estavam afixadas as estrelas, o sol e a lua. Os cometas eram estrelas que se despregavam das respectivas esferas e caiam...

Em Gen. 1:17, diz a Bíblia: E Deus os fez e os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra.

O Alcorão diz que o sol e a lua "deslizam" no céu (Cap. 39:5). Isaias, em 40:22, fala no globo da terra dentro da esfera como cortina.

Essa era, também, a maneira de pensar de Aristóteles no IV século antes da era cristã e de Ptolomeu, no segundo século depois. Heráclides do Ponto, astrônomo e filósofo grego (388-315 AC) já ensinava que a terra girava em redor do seu eixo. Aristarco de Samos (310-230 AC) foi o primeiro a admitir os movimentos simultâneos de rotação e translação da Terra. Inventou um processo para calcular as distâncias da Terra à Lua e ao Sol. Devido à falta de instrumentos de precisão, estas medidas não estavam certas. O Sol seria de seis a sete vezes maior do que a Terra.

Hiparco, por volta de 128 AC, descobriu a precessão dos equinócios e fez o primeiro catálogo das estrelas. Achava que o sol tinha uma órbita circular, mas que a Terra não era o centro, o que dava origem às estações.

Ptolomeu abrangeu em sua principal obra, o Almagesto, toda a teoria conhecida, especialmente a de Hiparco, e foi considerada a teoria definitiva: a Terra era o centro planetário e o Sol e a Lua giravam em sua volta. Essa teoria era a mesma de Aristóteles e foi considerada definitiva até o aparecimento de Copérnico, que demonstrou o duplo movimento dos planetas sobre si mesmos e à volta do sol, o que veio destruir a verdade bíblica a que se referia o Gênesis e, mais tarde, Josué, 10:13, quando diz a Bíblia: "E o sol se deteve e a lua parou até que o povo se vingou dos seus inimigos".

Isaias também, II Reis 20:11 fez a sombra voltar dez graus no relógio de sol do rei Achaz. Kepler foi quem, de vez, acabou com a teoria do movimento uniforme em círculos, ao comprovar que os planetas se deslocam em órbitas elípticas, porém, só depois de Newton, com sua teoria da gravitação universal, foi que se estabeleceu um ordenamento científico à astronomia.

“Com o desenvolvimento dos instrumentos de observação, começou a ser vislumbrada a vastidão e a complexidade do sistema. Eram ainda muito rudimentares as idéias sobre a organização das estrelas em associações livres ou em constelações compactas, ou nos vários tipos de nebulosas, para que se revelasse o enigma do agrupamento de dezenas de milhares desses universos-ilhas em supersistemas tão vastos que exigem dezenas de milhões de anos para serem atravessados pela luz.” (H. P. Robertson - O Universo).

O telescópio, desde os primitivos refletores de W. Herschel, que descobriu Urano em 1721, e demonstrou o movimento do sol no espaço (1783) veio abrir as cortinas do infinito, demonstrando ser a Via Láctea um agrupamento em forma de lente, com cerca de cem bilhões de estrelas, com o Sol deslocado em direção a uma das suas bordas.

Verificou-se que a distância do sol em relação ao centro da nossa galáxia seria da ordem de vinte e seis mil anos luz. Verificou-se, ainda, que a galáxia estaria girando em torno daquele centro distante, numa velocidade tal, que faria o sol rodar em sua volta por duzentos milhões de anos.

Galáxias que ora se apresentam aos modernos telescópios, têm a formação como eram há bilhões de anos, quando a sua luz teria iniciado a sua enorme viagem até nós.

Com o desenvolvimento dos instrumentos de observação, iniciou-se o conflito Bíblia-Ciência, que levaria às fogueiras da Inquisição, esteio do catolicismo, milhares e milhares de pensadores livres. Conseguiu calar o frade Copérnico, sendo que a sua teoria heliocêntrica só foi publicada após a sua morte, em 1543.

A teoria geocêntrica era imposta como divina pela Igreja de Roma, pois tinham as concordâncias de Aristóteles e Ptolomeu e, acima deles, a da própria palavra de Deus quando deu o seu apoio a Josué. (Josué 10:13): “E o sol se deteve e a lua parou, até que o povo se vingou dos seus inimigos.”

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