A partir do Concílio de Nicéia, uma nova religião surge com o nome de Religião Católica Apostólica Romana. No futuro passaria a usar o nome de Jesus em sociedade com milhares de deidades; algumas se fizeram internacionalmente conhecidas, outras só em seus países, outras regionais ou limitadas somente às suas cidades. Por uma preferência de ordem natural, sendo os fazedores de santos membros da classe sacerdotal, as divindades femininas sobrepujam os santos nas preferências. São milhões os seus templos, com liturgias próprias e paramentações luxuosas que contrastam com suas posições e traços fisionômicos que possuíam em vida. Em muitas sociedades o nome de Deus é fracamente reverenciado, sendo que Maria e outras santas são muitas vezes mais evocadas que o próprio Jesus.
Nas religiões romana e grega os deuses eram permanentes, oriundos, talvez, de civilizações mais antigas e se relacionavam com as coisas naturais. Júpiter, Saturno, Urano, Plutão, Juno, Hera, Réia filha de Geia com seus irmãos Titãs, Musas, Ninfas, Faunos, Zéfiros, enchiam de poesia uma religiosidade romântica e contemplativa.
O panteão católico, com seus santos produzidos aos borbotões, suplanta, em número, todas as religiões antigas e, suas santidades ambíguas não merecem fé: Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, diz ter encontrado a verdadeira cruz onde Jesus foi crucificado.
Irene, santa da Igreja Ortodoxa, mandou cegar seu filho Constantino VI para reinar em seu lugar.
Santa Fredegunda foi santificada por ter sido esposa de Clotário, rei dos francos.
O beato Jorge Spencer vai ser canonizado para agradar a futura rainha da Inglaterra.
Dom Juan, o famoso e romântico conquistador de donzelas e destruidor de lares, por ter se arrependido dos seus crimes em sua velhice.
São João Capistrano, São Raimundo, São Pedro Arbues de Epila por terem se revelado excepcionais matadores de hereges, pelo fato de não assistirem às missas e não pagarem o dízimo desejado.
São Domingos, durante a maior matança registrada na história da humanidade, ia com um crucifixo numa das mãos e um archote na outra, incitando à matança de velhos, mulheres e crianças e incendiando as casas, depois de escrupulosamente saqueadas, pois os homens se encontravam em combate desigual e desarmados, contra quinhentos mil bandidos e celerados, escolhidos entre a ralé com a promessa de participação nos saques e posse das mulheres, enviados pelo Papa Inocêncio III contra o crime de não pagarem tributos ou dízimos a Roma. Cinco cidades, vilas e aldeias às centenas, foram aniquiladas em nome de Jesus, na maior carnificina em nome da religião. Diversas expedições se sucederam, açuladas pelos Bispos, em busca daqueles que conseguiram se refugiar nas matas e nos montes. O ódio "divino" era tal, e tão perfeito, que era para não ficar vivalma naquelas paragens heréticas.
Encontra-se em processo de canonização o padre espanhol José Maria Escrivá de Balaguer, a que um suposto milagre lhe deu o direito de ocupar um nicho nas Igrejas Católicas: haver curado a freira carmelita Concepcion Bollon Rubio que sofria de uma hérnia e uma úlcera gástrica!!! No seu processo foram examinados alguns “pecadilhos”, dos quais foi absolvido; um deles foi haver aceito o título de Marquês de Peralta.
Esse “virtuoso” e aristocrata sacerdote tinha em comum com o atual Papa João Paulo II o credo anti-comunista. (Veja, l7/7/1991, fl.-5l).
Do seu “currículo”, além da “ Opus Dei,” não foi mencionado qualquer benefício que tivesse feito para o bem da humanidade, a não ser àquela virtuosa carmelita.
A partir de 325, o cristianismo, agora catolicismo, de perseguido, passou a perseguidor, e agiu, sistematicamente, como se quisesse descarregar sobre uma só vítima todas as perseguições sofridas até então.
A repressão ao crime comum, contra a propriedade ou contra os costumes é muito branda e leva o infrator a reincidir, aperfeiçoando os seus métodos até o levarem à completa impunidade, por saber evitar as provas que o possam incriminar. Na imprensa, lê-se constantemente a detenção de indivíduos processados por dezenas de estelionatos, estupros, assaltos e latrocínios e que permanecem em liberdade, na continuidade dos seus crimes, por falta de um flagrante ou por frouxidão da lei que faz florecer, ao lado da criminalidade, uma fauna imensa de “advogados de porta de xadrez”, especializados na defesa de bandidos. Para o crime comum, a impunidade começa com a aplicação de um exótico instrumento jurídico a que chamam "habeas corpus".
A Igreja Católica, sob a máscara de “Direitos Humanos”, compactua com a criminalidade. É cena comum e já se tornando tradicional a visitação por altos dignitários da Igreja às penitenciárias e prisões do Estado, onde levam conforto moral e material aos prisioneiros criminosos, bandidos da mais alta periculosidade, ladrões, falsários, estupradores, assassinos e toda casta de celerados, levando-lhes palavras de conforto e carinho e, muitas vezes, toneladas de presentes diversos. Nas Páscoas, centenas de quilos de chocolates sob a forma de “Ovos de Páscoa”, lhes são ofertados, agrados esses inatingíveis para milhares de famílias na mais terrível miséria, vítimas dessas feras fora da Lei, que têm até seus pés beijados por “Príncipes da Igreja”, numa prova insofismável de apoio às suas criminalidades.
Nunca se viu a Igreja oferecer festas às viuvas e aos órfãos desses bandidos que são tratados tão carinhosamente, por ocasião das festas religiosas.
Para a Igreja Católica os “Direitos Humanos” não se aplicam às vítimas e sim, exclusivamente, a bandidos.
É estarrecedor ver os “Príncipes da Igreja” prostrados aos pés de bandidos, no recinto das prisões, osculando-os, voluptuosamente.
Para os chamados crimes políticos, subjetivos e que não afetam a vida da coletividade, a não ser a dos opositores, a lei é bastante rigorosa e permite a mais violenta repressão, com penas excessivas, muitas vezes precedidas de torturas que, em grande percentagem, levam às vítimas lesões físicas irreversíveis, quando não, à morte.
Quando o crime é contra a fé, sua repressão é bem diferente das demais e é sempre procedida com ódio virulento, quando se procura atingir a vítima no seu físico e no seu moral. Nos crimes comuns, a aplicação dos castigos é delegado a funcionários subalternos. Nos castigos aos hereges, fazem-se de executores mesmo membros proeminentes do clero, quando não durante toda a seção de tortura, pelo menos nela tomando parte para demonstração de zelo na extirpação da heresia e deixar extravasar um pouco do ódio à humanidade pecadora, ódio esse que têm armazenado no seu íntimo e satisfazer a um orgulho macabro ao sentir alguém vergado ante o seu poder de censor de almas e defensor da fé católica.
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A legislação para tais julgamentos era extraordinariamente hipócrita. As perguntas, durante o interrogatório, eram tão ambíguas que, qualquer resposta dada pela vítima, mais a incriminaria. As penas impostas não tinham o fim de castigar, mas, hipocritamente, de purificar e salvar a alma do herege. O Inquisidor era apresentado ao povo como um pai carinhoso e que, como Ministro de Deus, considerava a vítima como um filho mui querido que havia se afastado e que a Igreja reclamava para o seu rebanho de amor e justiça.
Quando os Bispos aplicavam pessoalmente a tortura, em vítimas especiais, não somente seguiam os rituais, como o faziam com prazer satânico de vê-las sofrerem, prolongando-lhes as agonias ao máximo de resistência até que perdessem os sentidos. Recuperados a jatos d'água fria, procedia-se à sua continuação, com o cuidado, como nos dias de hoje, da presença de um médico, que determinava a interrupção quando a resistência estava se extinguindo. A legislação da tortura era "benevolente", não permitindo que uma vítima sofresse duas ou mais torturas. Quando isso acontecia, de maneira rotineira, tinha-se o cuidado de mencionar no processo que as torturas subseqüentes eram continuação da inicial.
O celibato do clero tem uma influência psicológica sobre esse sistema. O indivíduo recalcado em seus instintos naturais, angustiado, adquire uma mentalidade mórbida e, tanto quebra furiosamente seus objetos de uso pessoal, atirando-os histericamente pelo chão, como é capaz de matar um animal de estimação para sobre ele descarregar o ódio impotente ao se sentir contrariado por uma força superior. Esse ser humano, transformado momentaneamente em monstro, é capaz de todas as atrocidades quanto tem sob seu arbítrio um ser incapaz de se defender.
O Poder cega os homens e, quando esse poder é absoluto, pode fazer de um santo um tirano. Nero iniciou o seu reinado aos dezessete anos de idade como um príncipe humanitário. Aos vinte dois anos, ensoberbecido de poder e riqueza, transformou-se num monstro sanguinário. Na sua própria casa matou, sua mãe Agripina, sua esposa Otávia, seu irmão Britânico e o seu mestre Sêneca. Para satisfazer sua neurose, quem quer que fosse seu adversário, era eliminado com um simples gesto do Imperador. A sua psicose era a morte, tanto que a aplicou a si mesmo num momento de desespero.
O Imperador tinha o poder do Estado. O Papa, além desse, detinha o poder espiritual, apregoado como recebido de Deus. Os Imperadores e Reis recebiam a aprovação de Deus, através do Papa, seu representante. Para o povo aterrorizado pelo fanatismo e pela ignorância, o Papa estava em contato direto com a divindade. Tomava um pedaço de pão, fazia uns exorcismos, e ali aparecia Jesus em corpo, alma e divindade. Era maior do que Aladim que, para chamar o gênio poderoso, precisava ter a lâmpada mágica e dar-lhe uns esfregões. O Padre tem Jesus em suas mãos com umas poucas palavras, antigamente pronunciadas em grego, depois em latim, pois na certa Jesus as entendia. Modernamente, com os computadores, Jesus comparece mesmo que invocado em dialetos africanos. O poder do clero é tão grande que, estando Jesus em audiência com o Pai, no Paraíso, deixa-o apressadamente para se integrar numa hóstia segura, às vezes, por dedos ensangüentados. E o povo acreditava. Se duvidasse, havia as fogueiras da Inquisição, santo remédio usado pela Igreja para dirimir dúvidas em assuntos de fé.
O Papa, às vezes é mais poderoso que o próprio Deus. Caso Deus tenha reservado um mortal para incensar-lhe o trono divino, o Papa, enciumado, poderá excomungá-lo e o seu destino passa a ser as chamas eternas no inferno, tirando totalmente a autoridade divina.
Para mostrar como os Papas não respeitavam os direitos humanos e desprezavam todas as normas de ética que deviam ser o apanágio dos poderosos, alguns informes superficiais nos darão uma pálida idéia do que foram os sucessores de São Pedro, no capítulo “Resumo da História dos Papas”, mais adiante, neste volume.
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