Santos são pessoas que, em vida, tiveram aprovações da Igreja e dos Papas, mesmo que seus passados, às vezes, fossem pontilhados de delitos, ou mesmo de crimes contra a pessoa e a coletividade.
Inigo Lopez de Recalde teve uma vida bastante agitada na sua juventude. Foi pagem dos Reis da Espanha, militar, espadachim, cortesão e sacerdote. Adotou o nome de Inácio de Loiola, fundou uma ordem religiosa e, apesar de ter sido duramente perseguido pela "Santa Inquisição" que queria vê-lo assado numa fogueira, tornou-se santo nos altares da Igreja Católica.
Não fosse a proteção do Cardeal legado Benedetto Conversini (1538), teria sido pego pelos padres inquisidores, e não seria "santo" e o seu nome só figuraria no martirológio dos hereges, como um condenado comum.
São João Capistrano, foi um dos mais severos e sanguinários Inquisidores da Igreja Católica. Fez queimar nas fogueiras, entre centenas, ou até milhares de "hereges", a João Huss, Sacerdote e Reitor da Universidade de Praga. Em 1411 Huss foi excomungado pelo Papa Gregório XII . Compareceu a um Concílio (Constança) munido de um "salvo-conduto" do Imperador Sigismundo, do Sacro Império, para fazer sua defesa oral. Foi traído pelos padres, preso, encarcerado, julgado como herege e queimado na fogueira.
Submeteu ao terror da Inquisição da Igreja Católica a Jerônimo de Praga, reformador religioso da Boêmia, por fazer críticas às escorchantes indulgências e à autoridade dos Papas, e o fez queimar nas fogueiras do "Santo Ofício".
Aniquilou a seita dos "fratricelos" (que pregavam a pobreza e a humildade nos moldes dos ensinamentos de Jesus), em Ancona, Florença e Toscana, entregando milhares desses "hereges" ao braço secular, que obrigatoriamente os assassinava nas fogueiras.
Arrancou de Joana II, Rainha de Nápoles, em 1427, um decreto para "inquirir" os judeus do reino, expropriando-lhes os bens e condenando-os à morte, quase sempre nas fogueiras, embora a Inquisição tivesse centenas de meios para punir os descendentes daqueles que pregaram Jesus numa cruz.
Esse santo parece que disputava com Torquemada qual seria o maior matador de "hereges".
São Raimundo de Peñafort, dominicano, foi Inquisidor em Aragão, Castela, Navarra e Portugal, condenando centenas de "hereges".
São Domingos foi fundador da Ordem dos Dominicanos, aprovada pelo Papa Honório III , com o fim especial de perseguir "hereges", isso depois desse "santo" ter demonstrado no Languedoc, onde destruiu, queimou, saqueou diversas cidades, matando indiscriminadamente homens, mulheres e crianças, entre elas Beziers, Carcassona e outras, o que mostrou o seu profundo e doentio ódio àqueles que discordavam das liturgias da Igreja Católica.
São Pedro Arbues de Epila foi Inquisidor em Saragoça. Exercia com tanto rigor e ódio o seu ministério de eliminador de "hereges", que o povo revoltado por suas crueldades, o assassinou no momento em que rezava uma missa na Catedral da cidade.
São Pedro de Verona, foi Inquisidor no norte da Itália. Era tão sanguinário que o povo o fez assassinar nas imediações de Como.
Esses foram alguns entre as centenas de Inquisidores que proliferavam onde a Igreja Católica se implantava. Sem falar das dezenas de milhares de maias e aztecas, do México, queimados em fogueiras que a Inquisição trouxe para o Novo Mundo. O que se passou na América, no século XVI, foi inconcebível e torna-se difícil acreditar na crueldade dos Ministros de Jesus. Apresentavam um crucifixo com um corpo ali pregado, e diziam para os nativos: -"Este é Jesus. É o Deus verdadeiro. Foi ele que fez o mundo, o sol, a terra, os mares e os animais e peixes!" Vocês devem abandonar e queimar os seus ídolos e adorar este".
Os nativos, a princípio, pensavam que os padres estivessem brincando, e se recusaram a abandonar seus deuses e aceitar aquele corpo morto como o deus verdadeiro. Como poderia ser Deus, se estava morto e pregado num pedaço de pau? A seguir eram espancados, torturados e mortos às centenas à vista dos nativos apavorados. Para escaparem da morte, passaram a "acreditar" que aquele morto pregado na cruz era realmente o deus que criara o Universo. Era melhor dizer "sim" de joelhos, se entregarem à escravidão, do que morrerem nas fogueiras, quando os padres diziam que tudo era feito para a salvação da suas almas "hereges".
Cenas dantescas se repetiam às vistas de frades catequizadores: soldados espanhóis fazim apostas cujos vencedores fossem os que conseguissem decepar a cabeça de um “ nativo” com um único golpe de chanfalho. Isso sob risos e gargalhadas de uma multidão de soldados que tinham uma cruz estampada nas suas armaduras.
Outros "santos" foram canonizados pela Igreja exclusivamente para auferir vantagens políticas e não por seus supostos méritos de santidade.
Em 993 o Papa João XV inventou a canonização, isto é, decretou que poderia "fabricar" santos e que estes seriam habitantes do "paraíso", mesmo que não fosse desejo do próprio Deus. Para povoar o céu de altas personalidades que foram influentes na Terra e que pudessem ocupar um bom lugar mais próximo do Trono do Altíssimo, decretou que "todos os Papas", desde o pobre pescador e Papa (?) São Pedro até o Papa Silvério, que reinou até o ano de 537, fossem todos canonizados e "santificados."
Sempre houve disputas para a ocupação da "cadeira de São Pedro" entre os candidatos a vigários de Cristo, mesmo com lutas sangrentas onde o suborno e a corrupção eram quase que normais.
O atual Papa está levando aos altares um indivíduo cuja santidade será difícil de comprovar: Don Juan Tenório, famoso por suas conquistas amorosas, seus duelos em disputa por mulheres de maridos ciumentos. É, na Espanha, sua terra, considerado o maior conquistador de amores, reputação conhecida e que faz parte de todo folclore do Ocidente. (O Globo,
A inclusão de santos para adoração nas igrejas foi de tal maneira volumosa, que o Papa Paulo VI resolveu eliminar do calendário litúrgico 200 “santos” que não tiveram processos regulares nos arquivos da Igreja, portanto, “falsos santos”.
Certamente, junto ao trono da Trindade Divina, ficariam os Papas, que foram representantes de Jesus, na Terra, bem como todo o escalão clerical da Igreja, merecedor de tal distinção, pois seus padres quando vivos, tinham o poder de trazer Jesus vivo e manuseá-lo a um seu simples desejo, encerrado numa pequena hóstia de farinha.
Para não se imiscuírem com santos plebeus, viriam os santos que foram poderosos enquanto vivos:.
Personalidades Cargos na terra Dia de festa
Santa Brígida, da Suécia Princesa 8 de outubro
Santa Clotilde, mulher de Clodoveu I, rei franco Rainha 5 de junho
Santa Edwiges, da Polônia Duquesa 17 de outubro
Santa Helena, mãe do Imperador Constantino Rainha 18 de agosto
Santa Irene, mãe de Constantino VI,
que o fez cegar para lhe roubar o trono Imperatriz ?
Santa Izabel, da Hungria, filha de André II Princesa 19 de novembro
Santa Izabel, de Portugal Rainha 4 de julho
Santa Joana, filha do Rei Afonso V Princesa 12 de maio
Santa Mafalda, de Portugal Princesa 2 de maio
Santa Margarida, da Escócia Rainha 10 de junho
Santa Margarida, de Sabóia Princesa 27 de novembro
Santa Mathilde, mulher de Henrique I - Germânia Rainha 4 de março
Santa Sancha, filha de Afonso III Princesa l3 de março
Santo Eduardo, da Inglaterra Rei 13 de outubro
Santo Estevão, da Hungria Rei 2 de agosto
Santo Eurico, Rei da Suécia Rei 18 de maio
São Canuto, da Dinamarca Rei 19 de janeiro
São Cassimiro, príncipe da Polônia Príncipe 4 de março
São Fernando, de Castela Rei 3 de maio
São Ladislau, da Hungria Rei 27 de junho
São Luiz (IX), da França Rei 25 de agosto
São Ricardo, da Inglaterra Rei 7 de fevereiro
São Venceslau, da Boêmia Duque 28 de setembro
São Vladimir, de Novgorod e Kiev Príncipe 15 de junho
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