Os primeiros escravos apareceram quando a vida dos povos primitivos deixou de ser nômade e tornou-se sedentária. Povos que viviam da caça e pesca, nômades por natureza, não escravizavam seus prisioneiros. Preferiam matá-los e, quando praticavam a antropofagia, simplesmente os comiam. Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil, foi comido pelos índios Caetés, bem como toda a tripulação do barco em que navegava. Após as batalhas, as mulheres e as filhas, quando poupadas, sendo jovens, eram oferecidas pelos chefes aos guerreiros que por elas se interessassem, isso depois de escolhidas as mais atraentes para si, enriquecendo seus haréns. Essa prática já era comum entre os egípcios, sumérios e outros povos, que usavam os escravos para trabalhos em minas, construções dos seus monumentos, serviços domésticos, como aconteceu com os hebreus escravizados pelos faraós.
Somente no apogeu da Grécia e de Roma, alguns escravos passaram a ter certa significação social, empregados em trabalhos domésticos ou artesanais, e até intelectuais, como aconteceu a Esopo, na Grécia, até hoje considerado um dos maiores fabulistas que a humanidade produziu. No Egito os trabalhos de escultura, construções, em canais, eram praticados por escravos, orientados por engenheiros especializados.
Consta que Moisés era filho de um escravo hebreu com uma princesa egípcia, única razão plausível para que um menino hebreu pudesse ser criado no palácio real, recebendo uma educação aprimorada. ( O Faraó Mernephtah- Conde Rochester).
E bem provavel que tivesse sido filho acidental da filha do Farao e de um pai judeu. Tanto os egipcios como os judeus teriam tido muito interesse em esconder esse fato. Daí a historia muito colorida e ingënua que nos conta o Velho Testamento.(Hnery Thomas - Hist.da Raca Humana,fls.21-22).
Na Carta aos Hebreus, Paulo, no capítulo
Deixaram de ser acorrentados e passaram a ter relativa liberdade, chegando mesmo a se aculturarem ao ponto até de serem aceitos como professores. Quando o escravismo estava em declínio na Europa, aumentou de intensidade na Ásia com o aprisionamento de cristãos pelos muçulmanos, que os vendiam para outros povos. Mesmo aqueles cristãos que eram levados a combater nas Cruzadas, nada mais eram que escravos voluntários sob o comando espiritual da Igreja e dos reis ditos católicos, que desejavam estender o seu domínio imperialista.
Depois da descoberta da América, o comércio de escravos negros passou a ser um grande negócio para as potências que queriam povoar suas colônias. Brasil, Estados Unidos e países do Caribe tem atualmente alta porcentagem de mestiços na sua população, chegando, às vezes, a ter mais da metade dos seus habitantes oriundos dos escravos africanos.
O cristianismo não se mostrou contrário à escravização de seus semelhantes. A justificativa era de que negros e australianos não seriam humanos e, sim, simplesmente um estágio em evolução desprovido de alma!
O apóstolo Paulo, talvez o personagem mais importante do cristianismo, (assim como Judas Iscariotes) aconselhava: "Vós, escravos, em tudo sede obedientes aos vossos amos em sentido carnal, não com atos apenas ostensivos, como para agradar a homens, mas com sinceridade de coração, com temor de Jeová.” (Col. 3:22).
Na primeira “epístola” de Pedro, capítulo
Isso dá a entender que ambos não eram contra o escravatura.
João Crisóstomo, santo católico, disse: "A escravidão é um bem porque é uma ocasião de mérito para o cristão. A autoridade apostólica ordena que o escravo se submeta ao seu senhor".
O primeiro Concílio de Arles, e o segundo de Orange, excomungam quem se aposse de escravos pertencentes ao clero.
O Papa Leão I proibia a admissão às ordens sacras de pessoas que não se recomendassem pela dignidade da sua origem; com que houvesse escravos elevados ao sacerdócio, como se a vileza servil abstivesse o direito de atingir àquela honra. O sagrado ministério é poluído ao seu contato.
Atribuir ao cristianismo influência na abolição da escravatura em qualquer país, é uma incoerência. Os últimos servos libertos antes da Revolução Francesa, foram os da Igreja.
Bossuet, bispo de Meaux, ferrenho inimigo do protestantismo, portanto bem visto pela Inquisição, justificava a escravidão com a eloqüência de que era privilegiado.
O último país a libertar os escravos foi o Brasil, mesmo assim por etapas, em dose de conta-gotas.
José Bonifácio, o Patriarca da Independência, um dos maiores estadistas brasileiros, diz:
"A nossa religião é na maior parte um sistema de superstições e de abusos anti-sociais. O nosso clero, na maior parte ignorante e corrompido, é o primeiro que se serve da escravidão, para se enriquecer pelo comércio e pela agricultura e, para formar, muitas vezes, com as desgraçadas escravas, um harém muçulmano".
Quem diz isso não é nenhum revoltado e não quis mencionar que, na Igreja, tanto os escravos, como as propriedades eram obtidos por testamentos engendrados, muitas vezes, através do confissionário, tanto de ignorantes fazendeiros, quanto de viúvas fanatizadas por uma pregação cavilosa em que suas consciências eram levadas a acreditar que, quem dava a Deus, ou à Igreja, estava emprestando a Deus, e receberiam as famosas “indulgências” que lhes abririam as portas do Paraíso, dependendo do valor da doação.
Joaquim Nabuco, em 1883, escrevia: "Entre nós o movimento abolicionista nada deve, infelizmente, à Igreja; pelo contrário, a posse de homens e mulheres pelos conventos e por todo o clero secular, desmoralizou inteiramente o sentimento religioso dos senhores de escravos. No sacerdote o escravo nunca vira senão o homem que o podia comprar; no escravo, o padre nunca vira senão a última pessoa que se lembraria de acusá-lo".
A deserção do nosso clero do posto que o Evangelho lhe marcou foi a mais vergonhosa possível; ninguém o viu tomar a parte dos escravos, fazer uso da religião para suavizar-lhe o cativeiro e para dizer a verdade moral aos senhores. Nenhum padre tentou, jamais, impedir um leilão de escravos, nem condenou o regime ignominioso das senzalas.
A servidão da gleba foi, também, impiedosamente aplicada pela Igreja. Os bispados, as abadias, os mosteiros, além das senzalas, possuíam milhares de servos sobre os quais exerciam a mesma exploração iníqua dos senhores feudais. Na Grécia atual, cento e trinta mil hectares pertencentes ao clero foram estatizados pelo governo (Jornais de
Em algumas congregações ainda persistem os "irmãos leigos," que são membros da comunidade mas não recebem ordens sacras e não fazem parte do clero. São escravos voluntários que entregam suas vidas pela ilusão de um lugar no paraíso.
Nas vésperas da Revolução Francesa os cônegos de Saint Claude dispunham de um exército de doze mil servos que eram tratados exatamente como os da Idade Média. (Cartulaire de Nôtre Dame - Ch. Letourneau - pag. 480).
Se a Igreja, hoje, não tem mais a servidão da gleba, ficou-lhe ainda, a servidão voluntária das massas supersticiosas e ignorantes, das beatices pródigas, das matronas da classe média, que prodigalizam a esses ministros da Igreja todos os confortos e desejos, mesmo os mais escusos.
Quando eram as dinastias reais que dirigiam os homens, a Igreja enlaçou-se com elas contra os oprimidos; foi realista, feudalista, partidária extremada das prerrogativas da coroa e do feudo. Onde foi implantado o regime republicano, ela bandeou-se do "direito divino" dos reis para amparar-se nessa outra ficção: o direito soberano do povo.
Se hoje ela se volta para a questão social, envolvendo-se na discussão dos problemas que se prendem à emancipação econômica, moral e intelectual do operariado, é porque já compreendeu o alcance que terá para a sua política oportunista colocar-se ao lado de uma grande força que cada dia mais se faz sentir na balança do Poder.
É do seu programa sempre estar com os fortes contra os mais fracos. Abandonar seus aliados vencidos e aliar-se aos vencedores do dia.
E. G. Goyau, uma das figuras mais proeminentes do socialismo católico, diz: "É pelo povo que, na nossa idade de democracia, a idéia religiosa, como todas as outras, pode atingir ao triunfo". Isso como já aconteceu desde o século IV, em que, tendo Constantino e Teodósio, feito do cristianismo a religião oficial do Estado, a Igreja "como representante de Deus" na terra tem sido a companheira inseparável dos poderosos.
Esse apoio incondicional da Igreja rendeu frutos para ambas as partes: Helena, concubina de Constâncio Cloro, pai de Constantino, é a mesma "Santa Helena" que enfeita os altares da Igreja.
Irene, esposa de Leão IV, imperador de Bizâncio, foi tutora dos seus dois filhos. Para se conservar no trono, mandou prender e furar os olhos do seu filho Constantino VI, que morreu na prisão. Essa é a mesma "Santa Irene" ante a qual se prostram milhares de devotos ignorantes, pois é impossível a uma pessoa esclarecida aceitar essa demoníaca "santa".
Clotilde, esposa de Clodoveu I, tornou-se "Santa Clotilde".
Georges Spencer, tio afastado de Diana da Inglaterra foi beatificado por Paulo II, para solapar a influência da Igreja Anglicana.
Izabel de Castela, ferrenho e sanguinário braço da Inquisição na sua maior época de perseguição a mouros, judeus e outros, a quem chamavam de heréticos, está sendo beatificada.
Don Juan Tenório, considerado o maior e mais romântico conquistador da história, o mesmo que tomava esposas matando em duelos os desafortunados maridos, está sendo canonizado. Com certeza será o futuro padroeiro dos celerados.
Nas suas viagens pelo mundo, já tendo percorrido mais de metade dos países dos cinco continentes, o atual Papa vai adquirindo o seu prestígio fazendo santos aos borbotões. Na Coréia do Sul beatificou 103 ditos mártires. O mesmo na Venezuela, Zaire e Lituânia. Na Espanha mandou reabrir um processo para santificar "seis mil oitocentos e trinta e dois" (6.832!) religiosos mortos na guerra civil, que defendiam o franquismo.
O que aconteceu com Joana D'Arc é estupefaciente: entregue pela Igreja aos ingleses que lutavam contra a França, foi queimada e desonrada pela Igreja, que estava ao lado dos invasores da França. Em mil novecentos e vinte, para agradar aos franceses, o Papa Bento XV diz que Joana D'Arc nunca foi feiticeira e faz dela outra santa da Igreja.
São centenas de casos semelhantes que aconteceram e vêm acontecendo para agradar aos poderosos.
A Igreja não tem mais o espírito evangelizador do cristianismo. Jesus é um simples pretexto para a manutenção dessa oligarquia suntuosa que vive da exploração da consciência do povo. Não de um povo religioso, mas de um povo supersticioso e, pasmem: POVO ATEU.
A Igreja prega um paraíso para depois da morte se um moribundo recebe indulgência plenária. Se após a morte pode-se ir para a presença de Deus, porque ninguém deseja entrar no gozo dessa ventura e se apavora só em pensar que vai morrer? Não acreditam no que a Igreja prega; são hipócritas e ateus.
Sobre a Igreja escreveu Huxley:
"Se apenas pudéssemos ver, de uma só espiada, as torrentes de hipocrisias e crueldades, as mentiras, as matanças, as violações de toda obrigação da humanidade, que fluíram das Igrejas no decurso da história das nações cristãs, nossas piores imaginações sobre o inferno, sumiriam diante dessa visão. Não consigo ver, no processo histórico, que as Igrejas tenham sido outra coisa que não os inimigos da razão no pensar, e da justiça nos arranjos sociais".
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