Os cinco primeiros Livros da Bíblia são designados, pelos judeus, a Lei, ou Torá. Receberam a denominação de Pentateuco em razão da necessidade de se dividir o seu texto em cinco rolos, ou livros, para maior facilidade do seu manuseio, recebendo o nome de origem grega, (PentateucoV) após sua tradução para essa língua. Os judeus de língua hebraica, porém, o chamam de "Os cinco quintos da Lei".
Compõe-no:
1) Gênesis: que explica a origem do mundo.
2) Êxodo: que começa com a expulsão dos hebreus do Egito (Ex. 12:38).
3) Levítico: é um conjunto de leis de diversas origens e civilizações para serem aplicadas ao povo que se retirava do Egito, em sua peregrinação pelos desertos em busca de uma terra onde se pudessem fixar.
4) Números: recenseamento do povo.
5) Deuteronômio: consolidação das Leis.
“A composição desta vasta coletânea era atribuída a Moisés, pelo menos desde o começo da nossa era, aceita por Cristo e pelos Evangelistas. Mas as tradições mais antigas jamais haviam afirmado explicitamente que Moisés tivesse sido o redator de todo o Pentateuco, conjunto de prescrições só admitidas com a participação de eruditos e legisladores, qualidades que certamente não se enquadrariam em Moisés”.
O estudo moderno apresenta diferenças de estilo, repetições e desordens nos relatos, que recusam sua autoria como saída da mão de um mesmo autor. Estudos de sábios afirmam que essa composição se origina de quatro documentos, diferentes pela idade e pelo ambiente de origem, mas todos eles, muito posteriores a Moisés. (Bíblia de Jerusalém).
O Deuteronômio seria reunido depois de Josias. Depois do exílio, o Código Sacerdotal, que continha Leis e algumas narrações, teria sido somado a essa compilação, à qual serviu de arcabouço e moldura.
A descoberta das literaturas mortas do Oriente Médio e os progressos feitos pela arqueologia e pela história das civilizações vizinhas de Israel, mostram que muitas leis e instituições do Pentateuco tinham paralelos extra-bíblicos bem anteriores às datas atribuídas aos "documentos" e que numerosos relatos supõem um ambiente diferente e mais antigo daquele em que teriam sido redigidos. Vários elementos tradicionais eram conservados nos santuários ou eram transmitidos pelos narradores populares. Foram agrupados em ciclos e depois postos por escrito sob a pressão de um ambiente ou pela mão de uma personalidade dominante.
“Elas foram revisadas, receberam complementos, foram enfim combinados entre si para formar o Pentateuco. As fontes escritas do Pentateuco são momentos privilegiados de uma longa evolução, são pontos de cristalização nas correntes de tradição que se originam mais acima e que, em seguida, continuam seu fluxo. A pluralidade dessas correntes de tradição é um fato evidenciado pelos duplicados, repetições e discordâncias que chamam a atenção desde as primeiras páginas do Gênesis”. (Bibl. Jer.pg.26).
O Pentateuco é a base da religião histórica de Israel e fundamenta-se na pseudo-revelação do seu deus a determinados homens, em determinados lugares e circunstâncias, e nas pseudo-intervenções do mesmo em todos os assuntos, quer familiares ou sociais, e nas conquistas territoriais.
O Deus de Israel (Num. 21:14) tinha, até, um Livro das Guerras. O seu relacionamento com o povo era estabelecido por pactos bilaterais: Deus se comprometia a fazer determinadas tarefas recebendo retribuições. Deus era humanizado e procedia como qualquer chefe de comunidade.
Certas horas se lembrava (Gen. 9:15) "Então me lembrei do meu conserto, que está entre mim e vós... - (Ex. 2:24) : "E ouviu Deus o seu gemido e lembrou-se Deus do seu conserto"... e (6:5: -E também tenho ouvido os gemidos dos filhos de Israel, aos quais os egípcios fazem servir, e me lembrei do meu conserto, donde se deduz que era sujeito a esquecimentos.
Travava longas discussões com humanos (Gen. 18:23/33: Abraão intercede pelos homens de Sodoma e Gomorra e Deus argumenta com ele.
Fazia perguntas, demonstrando desconhecimentos. (Num. 22:9): A Balaão: Quem são esses homens que estão contigo?
Fazia reclamações como qualquer queixoso (Num. 14:11): Até quando me provocará este povo? e até quando me não crerão por todos os sinais que fiz no meio deles?
Fazia juramentos para se fazer acreditado (Gen. 26:3): ...e confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão teu pai.
Pedia autorização para realizar algo (Ex. 32:10): Agora pois deixa-me que o meu furor se acenda contra eles, e os consuma: e eu te farei uma grande nação.
Falava com humanos pessoalmente (Ex. 33:11): E falava o Senhor cara a cara, como qualquer fala com o seu amigo... e conversava "boca a boca" (Num. 12:8): Boca a boca falo com ele, e de vista, e não por figuras...
Outra hora se desmente (Ex. 33:20): Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá.
Em Números, 13:1/33, desconhece a terra que "daria" aos hebreus, pois recomenda a Moisés que mande espiões para verem: “que terra era, o povo que nela habitava; se é forte ou fraco; se pouco ou muito”.
Segundo Fabre D'Olivet, (Histoire Philosophique du genre humain), os dez primeiros capítulos do Gênesis são tradições egípcias, razão para ser aceitável, pelo menos em parte, sua autoria por Moisés, ou por sua interferência. Entre todos os povos antigos havia "estórias da criação", tanto entre os persas, como babilônios, e mesmo, entre os cananeus. Constituiriam a base para a narrativa bíblica?
O principal mito babilônico da criação diz que, durante uma insurreição entre os deuses, o deus Marduque tomou a deusa Tiamate e a partiu em duas partes. Metade dela tornou-se a Terra e a outra metade, o Céu. Os deuses formaram a humanidade com as partes de outro deus que fôra executado. (Ancient Near Texts, de Pritchard, pgs. 67/68).
As duas ilustrações mostram a presença da “Árvore da Vida” já entre os egípcios e os babilônios, muito antes da existência de Moisés, a quem é atribuído o Gênesis.
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