João, era filho de Zebedeu e Salomé, irmão de Tiago. Seu pai era pescador no Mar da Galiléia e os dois filhos ajudavam-no no seu árduo labor, trabalho pouco rendoso por falta de um mercado consumidor, e que era suficiente, quase que exclusivamente, para suas subsistências.
Cafarnaum era um pequeno povoado às margens do lago da Galiléia, e sua população viveria, como nos dias de hoje vivem os pobres pescadores de zonas afastadas dos centros urbanos consumidores. Ali não existia qualquer atividade industrial que pudesse empregar as pessoas aptas para o trabalho, portanto a vida era de extrema pobreza. É provável, portanto, que toda a população fosse constituída de pessoas de precária instrução.
Em Atos dos Apóstolos, 4:l3 , conforme a Bíblia Edição Ecumênica Barsa, l977, fls. 103/l04, e Bíblia Livros do Brasil S/A, FL. 354 consta: -"Vendo eles, pois, a firmeza de Pedro, e de João, depois de saberem que eram homens sem letras, e idiotas, se admiraram... A Bíblia de Jerusalém apresenta uma tradução mais moderada e diz que eram "iletrados e homens do povo... (Idiota:- Dicionário Jayme de Seguier: homem particularmente ignorante; atacado de idiotismo; estúpido; destituído de inteligência. Dicionário Escolar da Língua Portuguesa: Idiota: bobo; parvo; imbecil; tolo; falto de inteligência; cretino). " Nestes termos as Bíblias Católicas identificam os Apóstolos João e Pedro, dando-os como incapazes de produzirem obras literárias, mesmo rudimentares.
A "Bíblia Sacra - Vulgatæ Editiones", l849, fl. 85, diz textualmente: "Videntes autem Petri constantiam et Joannis, comperto quod homines essent sine litteris, et idiotæ, admirabantur, et cognoscebant eos quoniam cum Jesu fuerant.”
No original grego, manancial de onde são feitas a centenas de traduções do Novo Testamento, consta, textualmente: “ QeorounteV de thn tou Petron parresian kai Iwannou kai katala bomenoi oti anqrwpoi agrammatoi eisin kai IDIWTAI, eqaumazon epeginwskon te autouV oti sun tw Ihsou hsan...
João, o Evangelista, é o suposto autor do quarto Evangelho canônico. A tradição, segundo Irineu, Bispo de Lião, (140-202), santo da Igreja, situa-o em Éfeso, com um tempo de exílio em Patmos. Essa versão coincide com outra que diz ter Paulo visitado Maria, mãe de Jesus, naquela cidade, onde não se estendia a perseguição dos Padres do Templo Judeu, por estar fora da sua jurisdição. Com Maria, Paulo teria obtido subsídios que foram comentados por seu discípulo Lucas, em seu Evangelho.
Quando Jesus, ainda na cruz, diz à sua mãe: "Mulher, eis aí o teu filho" e a João : "Eis aí a tua mãe", teve a intenção de deixá-la sob a proteção do seu discípulo predileto, pois, certamente não confiava em seus irmãos e em suas irmãs, indícios de uma família pouco unida, mesmo na hora da execução de um seu membro, pois que nem ali compareceram.
A crítica moderna está dividida sobre a origem precisa de todos os textos do Evangelho de João. (Enciclop.Universo, fl. 2929). Em seu Evangelho, 14:6, põe na boca de Jesus a seguinte frase: “ Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Quem escreveu essa assertiva conhecia o que está escrito no Livro dos Mortos, do Egito, capítulo CLIV: “Como impedir que o corpo se corrompa: o corpo de Osiris responde: Não conhecerei a corrupção. O verme não me atacará. Eu sou, eu sou. Eu vivo, eu vivo. Eu creio, eu creio”.
Sobre os Evangelhos, em geral, há teorias de críticos estudiosos “ de que os Evangelhos são, na realidade, falsificações do segundo século, e não foram de modo nenhum escritos pelos discípulos de Jesus. (Despertai -
Quanto ao seu Evangelho, tido como positivamente apócrifo, escrito por outros interessados em tornar Jesus um Deus, (Jesus e Sua Doutrina, fl.483) tem positivo amparo nas referências sobre a pouca, ou nenhuma intelectualidade do pescador João.
Esse Evangelho tem uma redação requintada, e, no entanto, faz referências a atos praticados por Jesus como se este fosse um demente e irresponsável. João, como discípulo predileto, não teria dado seu aval para esses relatos, e muito menos os teria escrito. Os Atos dos Apóstolos, atribuídos a Lucas, foram escritos, possivelmente, a partir do ano 6l. O Evangelho de João teria aparecido por volta do ano 98, ou mesmo no princípio do século II, por seus discípulos. Teria, entre os anos 6l, quando ele era analfabeto e idiota (assim consta das Bíblias Católicas) e o ano 98, um espaço de, aproximadamente, 37 anos, freqüentado faculdades onde teria conseguido ilustração bastante para escrever um Evangelho e um Apocalipse numa linguajem tão erudita?
Consta do seu Evangelho a indescritível cena de loucura praticada por Jesus, no Templo, razão suficiente para ser ele condenado à morte, de acordo com as Leis que vigoravam entre os judeus. Como se sabe perfeitamente, o Templo era a sede do poder teocrático dos judeus. Ali funcionavam casas de câmbio para troca de moedas dos estrangeiros que visitavam Jerusalém. Ali se encontravam os animais reservados para as ofertas sacrificiais daqueles que se utilizassem dos cerimoniais do Templo. Havia ali pombos, cordeiros e bois para serem adquiridos pelos peregrinos, de acordo com suas posses. Tudo isso acontecia sob a supervisão dos Padres do Templo, como acontece nos dias de hoje, em que, nas Basílicas são negociados todos os tipos de oferendas, tais como imagens de santos: de barro, madeira ou outro metal. Rosários de ouro ou de contas vegetais. Santinhos de papel. Bentinhos, escapulários, livros de vidas de santos, bíblias com encadernações modestas ou luxuosas, amuletos e mais uma centena de bugigangas com que são explorados os crentes de boa fé, ou os fanáticos ignorantes.
João conta que Jesus havia feito um açoite com que agredia os mercadores, dispersava os animais; derrubava as mesas dos cambistas, (João 2:13-16) agindo como um endemoniado.
A reação dos Sacerdotes devia ter sido muito violenta, como sempre acontece contra aqueles que infringem as normas eclesiásticas. A repressão dos guardas do Templo teria sido de extrema violência, pois nunca usam de delicadezas contra aqueles que violam ou profanam as dependências dos locais que dizem sagrados.
João, nas bodas de Caná, apresenta um Jesus bastante indelicado com sua mãe (2:4), ao lhe responder: "Mulher, que tenho eu contigo?" .
Dentre os milagres de Jesus, João cita alguns verdadeiramente fabulosos. Para recuperar a vista de um cego, Jesus cuspiu na terra e com seu esputo lamacento fricciona os seus olhos para que a visão lhe voltasse. Não teria Jesus o poder de operar um milagre com mais higiene?
Jesus ressuscita Lázaro, de Betânia, falecido já há quatro dias, quando já cheirava mal (11:39). Seu corpo já estaria em adiantado estado de putrefação e sua ressurreição seria um atentado contra as leis naturais e francamente estupefaciente. A ciência não aceita a concepção de milagres, pois estes se apoiam exclusivamente na fé.
Joseph Ernest Renan, historiador e filólogo francês, que escreveu sobre a vida de Jesus, diz que a ressurreição de Lázaro foi uma fraude elaborada pelo próprio, para dar apoio à afirmação de que Jesus podia fazer milagres.
Ao entrar em Jerusalém, uma voz do céu dizia sobre Jesus: "Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei!" (12:28). As pessoas que ali se encontravam confundiram essa voz com um trovão; outras diziam que era a voz de um anjo!
Esses milagres não se repetem nos dias de hoje. São acontecimentos admitidos nas diversas religiões, sem prova concreta, baseados em supostas visões, explorados pelos seus ministros, o que lhes rendem grandes lucros, não só a favor dos seus cultos, como os enriquecem pessoalmente, proporcionando-lhes luxuosas moradias e todas as regalias que a fortuna pode oferecer.
A João se atribui a composição do Apocalipse, ou melhor, de um Apocalipse entre os diversos que surgiram pouco antes e pouco depois da era cristã.
Apocalipses são pseudo revelações, ditas proféticas, em geral sobre o "fim do mundo" e apareceram entre o III século A.C. e o ano 150 da era atual, sempre quando a Palestina estava ocupada por forças estrangeiras.
Apareceram diversos apocalipses, entre eles o de Baruc, Livro de Enoc, Ascensão de Isaias, Assunção de Moisés, de Paulo, de Pedro além do de João, que foi aceito pelos primeiros cristãos como mais conveniente para os interesses da religião nascente.
Visto por um leigo, o Apocalipse é uma espécie de novela de terror, onde anjos e demônios se misturam adquirindo forma de animais fabulosos cheios de cabeças e chifres. Entre os chamados pagãos pela Igreja, existiu na mitologia, o unicórnio, com um só chifre, bem menos terrificante que os monstros apocalípticos de João.
Nessa desvairada descrição, Jesus aparece com uma coroa de ouro e uma aguda foice na mão.(14:14). Noutra descrição aparecem testemunhas profetizando por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco! (11:3). Uvas pisadas, em vez de produzirem vinho, produzem sangue. Aparecem anjos com taças transbordantes de pragas. João, no seu Apocalipse, talvez por medo dos romanos, não ataca Roma, e expressa todo o seu ódio incontido sobre a Babilônia. Satanás é encerrado por mil anos.(20:2). No cap.11:9, consta: "Homens de vários povos e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio e não permitirão que seus corpos mortos sejam sepultados".
Segundo estudos de Dupuis, (Origine de tous les Cultes), o Apocalipse de João, como o de Daniel, de Ezequiel e outros, "é uma cópia da mistagogia oriental e povos ainda mais antigos." (Jesus e Sua Doutrina, pg.345).
Querer atribuir interpretações cabalísticas ao Apocalipse de João, só poderá ser aprovada por uma fé insensata, tal como acontece com o Mistério da SS. Trindade, sobre o qual corria uma anedota nos meios seminaristas. Vamos ver como nos eram ministrados esses mistérios.
Consta que Santo Agostinho, passeando por uma praia, quando meditava sobre o Mistério da SS. Trindade, viu um lindo adolescente retirando água do mar com uma pequena concha, depositando-a em um pequeno buraco que havia feito na areia. Depois de algum tempo de observação, o Santo, intrigado, lhe pergunta: -"O que estás fazendo, jovem?" - Este, encarando o Santo, responde: "É mais fácil eu colocar toda a água do mar neste buraco do que alguém decifrar o Mistério da SS. Trindade!”
Como o Apocalipse de João, o mistério da SS.Trindade é insolúvel, e só pode ter saído de cérebros quer tripudiavam sobre a ignorância total da humanidade durante dezenas de séculos de obscurantismo, quando a Igreja Católica Romana era senhora da vida e das consciências de toda a cristandade.
Vejamos como foi apresentado esse insondável mistério:
SS.TRINDADE - DOGMA ESTABELECIDO PELOS CONCÍLIOS
DE NICÉIA (325) E CONSTANTINOPLA (381)
"Aquele que quer salvar-se deve guardar sua fé Católica, que é adorar um só Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, sem confundir as Pessoas, nem dividir a substância. Pois outra é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma; sua glória iguala sua majestade externa. Tal é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo. Todos três são increados, três incompreensíveis, três eternos, três todo poderosos, e, no entanto eles não são três incredos, três incompreensíveis, três eternos, três todo poderosos. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; no entanto eles não são três Deuses, mas um só Deus. Do mesmo modo o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; no entanto eles não são três Senhores, mas um só Senhor. Enquanto o Pai increado não é feito, nem engendrado, o Filho, também increado, é nascido, no entanto, do Pai, não feito, mas engendrado; e o Espírito Santo, increado por sua vez , é do Pai e do Filho, não tendo sido nem engendrado, mas procedente. O que faz que haja um só Pai, e não três Pais; um só Filho e não três filhos; um só Espírito Santo e não três Espíritos Santos. Mas dessas três pessoas, nenhuma é anterior ou posterior à outra; nenhuma é inferior ou superior, de modo que por todos os lados, é mister adorar a Unidade na Trindade, e a Trindade na Unidade. O Pai não é feito, nem engendrado, nem procedente. O Filho é engendrado, não procedente. O Espírito Santo é procedente e não engendrado."
As palavras não tem mais significação, se se admitir semelhante pilha de contradições, sob a capa desilusória do nome "mistério". ( V. Courdaveaux- :Comment se sont formés les dogmes).
Esse mistério da Santíssima Trindade faz com que se reporte a uma pergunta popular e imbecíl: “Quem nasceu primeiro, a galinha ou o ovo?” A Igreja diz que Maria é mãe de Deus. Quem nasceu primeiro, Deus ou Maria? A mãe ou o filho?.
O Evangelho dito de João, amado por Jesus (13:23 -
2:3-4 dirige-se desrespeitosamente à sua mãe: “ Mulher que tenho contigo?”
4:2 - Diz que Jesus não batizava.
6:60/6 - Depois de falar aos discípulos, muitos o abandonam.
6:67 - Enraivecido, pergunta aos discípulos se não o querem abandonar também.
7:5 - Diz que nem seus irmãos criam no que pregava.
7:3/10 - Mente a seus irmãos sobre a ida à Judéia.
20:1/7 - Levanta dúvidas sobre a suposta ressurreição de Jesus ao mencionar os lençóis e o lenço que cobriam a cabeça de Jesus morto.
Marcos em 3:20/21, 31, 35 - 6:3/4 e 11:12/14; - Lucas em
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