A Igreja Catolica e os Direitos Humanos

O conceito de direitos humanos desenvolveu-se a partir dos séculos XVII e XVIII, na luta contra o feudalismo, o absolutismo e a intolerância religiosa representada pela Igreja Católica que, desde o ano 324, foi a organização que mais torturou, exterminou, degradou e matou seres humanos por supostos delitos de consciência.

A época mais negra para a humanidade foi justamente aquela em que a Igreja de Cristo, desvirtuando os seus ensinamentos, adquiriu o poder temporal absoluto sobre todas as nações que sofreram a influência das conquistas romanas.

Esses falsos seguidores de Jesus transformaram a religião católica na maior perseguidora dos direitos humanos, quando a sua preocupação transcendental passou a ser a morte, a sede de sangue, a queima de corpos humanos nas fogueiras da “Santa Inquisição”, por simples e degenerados caprichos dos seus “bispos” que, imbuídos de poder, transformaram os seus próprios cérebros em geradores de morte, para todos aqueles que ousassem discordar dos seus mais mesquinhos pensamentos.

A delação passou a ser o normal na vida claustral. A matança de “hereges” e a apropriação dos seus bens, a excomunhão dos seus familiares passou a ser tão indispensável aos membros da Igreja como o ar que respiravam. Para eles, desde o Papa ao mais obscuro sacristão, a finalidade da vida passou a ser a morte.

O conceito de “Direitos Humanos” foi se transformando com o correr dos anos e da mentalidade daqueles que o pretendiam praticar.

Não houve evolução na sua interpretação, houve, antes, pelo menos no Brasil, uma involução, passando a não ser mais em favor das vítimas , mas em favor dos infratores das leis e dos criminosos.

Se em épocas passadas, os criminosos eram acorrentados em celas imundas, por delitos os mais diversos, que muitas vezes não afetavam a sociedade de um modo geral, e tão somente àqueles que dispunham de poder, mesmo arbitrário, hoje, nos países sub-desenvolvidos, esse direito passou a ser manipulado por associações hipócritas, que se auto denominam defensoras dos “Direitos Humanos, e só auferem vantagens pecuniárias, ou de, pelo menos, projeção social..

A defesa dos “direitos humanos para os delinqüentes” passou a ser tão escandalosa e incompreensível, que até uma plêiade de “Defensores da Justiça” impetrou uma ação indenizatória contra o Estado em favor das famílias dos bandidos mortos em recontro com as autoridades. (Nos jornais de 24/2/l989).

No Brasil, infelizmente, onde a criminalidade talvez seja a mais eficiente e protegida dentre todos os países que querem ser considerados civilizados, os criminosos levam uma vida mais confortável nas prisões do que quando em liberdade.

Jornal do dia 3/9/1986 publica como é feita a alimentação dos detentos: café da manhã, almoço e jantar. Em l4/7/l988 o mesmo jornal explica como são servidas as refeições: garçonetes lhes servem, no almoço, arroz, feijão purê de batata, carne ao molho, com melancia de sobremesa.

Outro jornal, de 3l/7/l988, publica: “A vida na prisão é preferível para muitos criminosos, que passam a ter higiene e onde se alimentar e dormir.”

Outro jornal, de 25/6/l983, contém a declaração de um Deputado, quando protesta contra as mordomias dos detentos nas penitenciárias que recebem cinco alimentações por dias, contendo, nas duas principais, carne de gado, frango, carne de porco, com uma vida de fazer inveja a trabalhadores honestos.

Outro jornal, de Minas Gerais, do ano de l992, diz que o presidiário ali tem assistência médica, dentária e hospitalar, onde não faltam os medicamentos, quando a classe trabalhadora, no país, vive miseravelmente sem quase nenhuma assistência, enfrentando dezenas de horas em intermináveis filas ao relento, não sendo convenientemente atendidas por falta de equipamentos nos hospitais.

A Igreja, porta-voz dos direitos humanos, através de Bispos, chamados Príncipes da Igreja, é a primeira a reverenciar bandidos enclausurados.

Um Arcebispo vai às penitenciárias e, todo sorridente, se confraterniza com bandidos irrecuperáveis, levando-lhes presentes, apoio e guloseimas.

Numa penitenciária do nordeste, um Bispo recentemente seqüestrado e ameaçado de morte por bandidos, num gesto de grotesca hipocrisia, e fingida humildade, convoca a Imprensa para ser fotografado ostensivamente osculando luxuriosamente os pés de criminosos que, enfileirados, lhes estendem esses membros que já os transportaram em dezenas de crimes hediondos, agora recompensados e acariciados pelos lábios de um Príncipe da Igreja, lábios esses que têm o poder de pronunciar certas palavras exorcistas e chamar Jesus-Deus, em corpo, alma e divindade, ao sabor da sua vontade.

O catolicismo intolerante desenvolveu-se devido à tolerância da Roma pagã com os primeiros cristãos, quase todos judeus ou "bárbaros". Se foram perseguidos em Roma, não o foram por motivos religiosos, e sim pela intolerância que demonstravam contra as religiões e deuses do Império, quando desrespeitavam seus cultos, depredavam seus templos e as imagens dos deuses tradicionais, inclusive as dos próprios Imperadores divinizados. Os primeiros cristãos observavam as prescrições judaicas contra as imagens e as desprezavam, razão pela qual se tornaram antipáticos frente aos romanos e aos demais bárbaros que viviam em Roma e tinham seus cultos e deuses respeitados, razão única de terem sido perseguidos.

A partir do início do século IV, o Império Romano foi se degradando e a sua administração, fragmentada entre “augustos e cézares”, fazia prever-se uma derrocada não muito remota. Os cristãos já representavam um poder embrionário.

Os cristãos vinham sofrendo perseguições sucessivas desde os primeiros dias, em Jerusalém. Em 64, após o incêndio de Roma, Nero os persegue, imolando-os nos circos, ora como gladiadores, ora como carnes para as feras ou iluminando as arenas com tochas humanas feitas de cristãos embebidos em alcatrão. Novas perseguições se sucedem sob Domiciano, Nerva, Trajano, mais tarde sob Adriano, Marco Aurélio, Lúcio Vero e Severo.

Justamente em razão das perseguições, o cristianismo teve um crescimento assombroso entre a plebe, chegando mesmo a atingir membros do patriciado. Nos reinados de Heliogábalo e Severo Alexandre as perseguições diminuíram e a doutrina tomou novo alento. Apesar de ser cristã a mãe do Imperador Severo, e ele mesmo haver colocado uma imagem de Jesus entre os deuses do Império, não hesitou em banir para a Sardenha o Papa Ponciano, por estar se imiscuindo em assuntos do Estado. Em 235 o Papa é trazido para Roma pelo novo Imperador Máximo e morto e bastonadas.

Em 250 o Bispo de Roma já não mais lembrava os cristãos primitivos e já era bastante orgulhoso e soberbo ao excomungar Privato, Bispo da África, mesmo estando os cristãos sob violenta repressão por parte do Imperador Décio.

Ser Bispo de Roma era um cargo já disputado ferrenhamente pelo clero romano. De 217 a 235, os Papas Zeferino, Calixto I, Urbano I e Ponciano reinaram juntamente com o anti-papa Hipólito. Em 251 Cornélio I pontifica juntamente com Novaciano.

Bispos de Roma eram freqüentemente assassinados: Lúcio e Sixto, pelo Imperador Valeriano. Marcelino é decapitado por Diocleciano que aumentou a perseguição de tal modo que o cargo ficou vago dos anos 305 a 307.

Em 313 Constantino e Licínio dão liberdade de culto aos cristãos pelo Édito de Milão. Em 314 o Papa Silvestre, em pleno gozo de uma liberdade conseguida através de tantos sofrimentos, deixa de ser caça e passa a caçador: inicia uma perseguição ao donatismo, para o que convoca um Concílio em Arles.

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