Desde o seu nascimento o cristianismo foi uma doutrina ou uma filosofia bastante polêmica. Nunca teria existido como religião, não fosse o aparecimento de Judas Iscariotes que, antes mesmo de Paulo, foi o segundo personagem em importância na existência do cristianismo. Não fosse Judas, possivelmente Jesus teria tido uma vida pacata como um pregador de aldeia, como os havia sempre entre os judeus, e chegado ao fim da vida bastante carregado em anos e sem ter o seu nome na história.
A doutrina do cristianismo, suas pregações, se alicerçam quase que, exclusivamente, no chamado "Sermão da Montanha" e nas Parábolas, como se tivessem sido de autoria de Jesus.
O "Sermão" tem duas versões diferentes.
Mateus,
Como seria essa grande multidão? Devido à efervescência do descontentamento do povo ante a pressão exercida pelos romanos, que não permitiam grandes ajuntamentos, e tinham o povo sob severa vigilância, é de se crer que essa “grande multidão” não passasse de um pequeno número de curiosos que não chegasse a impressionar ao poder romano sempre presente, quando poderia surgir algum distúrbio, comum entre os descontentes com a insustentável situação reinante na época.
Lucas,
Nesse discurso citado por Lucas, o "Sermão" foi bem mais reduzido que o de Mateus.
Quando se fala "em grande multidão" , há der se considerar que há um grande exagero nessa expressão, devido a ser a zona da pregação de Jesus, composta de pequenos povoados e aldeias, e de reduzida densidade populacional. Não consta haver Jesus ter feito suas incursões na cidade de Séforis, capital da Galiléia, pouco distante de Nazaré.
Nos dias de hoje, muitas seitas fazem suas pregações nas ruas e praças, cantando hinos ao som de instrumentos musicais, para atrair ouvintes e curiosos. Também ali acorre "grande multidão", composta de uma dezena ou uma vintena de curiosos, que, após alguns minutos de atenção, se retiram, enquanto novos curiosos se aproximam e ouvem o pegador, mostrando pouco interesse ao saberem que se trata de assunto religioso, já muito comum e sempre ministrado por pregadores de mínima cultura e carregado de “chavões”decorados.
Quando o "Exército da Salvação", com seus abnegados pregadores, ao som de fanfarras, pregam sua doutrina nas ruas das cidades, conseguem batizar novos adeptos e convertê-los para seu culto?
C. F. Potter, em sua "História das Religiões", fl. 254, diz: -"Hoje tendem muitos a considerá-lo (Paulo), maior vulto que o próprio Jesus, no que se refere à fundação do cristianismo atual". Diz também que, não fosse a sua atuação, o cristianismo poderia ter sido apenas uma entre as dezenas de pequenas seitas surgidas do judaísmo, limitada a algumas pequenas aldeias da Galiléia.
Jesus, segundo escreveram sobre ele, veio pregar sua doutrina exclusivamente para os pobres de Israel, conforme Lucas, 4:18-: “ O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para evangelizar aos pobres, enviou-me a curar os quebrantados de coração”.
Em Mateus, 10:5-6, foi taxativo: -" Não ireis pelo caminho das gentes, nem entrareis em cidades dos samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. "
Ainda em Mateus,
Jesus não demonstrava muita preocupação política com o seu povo subjugado e escravizado pelas tropas romanas de ocupação, pelo memos, aparentemente. Nunca deu provas de ser o esperado “messias” restaurador e libertador de Israel, pois como tal, nunca foi reconhecido em suas andanças e pregações, a não ser pelos seus doze companheiros de vida errante, destituídos, tanto de cultura política, como intelectual. Um dos seus discípulos era chamado de “zelote”, portanto, revolucionário, porém nunca se demonstrou qualquer espírito de luta entre seus seguidores.
Como pregador de uma nova doutrina, caso tivesse sido essa a sua intenção, não conseguiu nem catequizar a sua própria família conforme diz João, 7:5- "Porque nem ainda seus irmãos criam nele".
Marcos, em 3:20-21, diz: -"E ajuntou-se outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E quando os seus ouviram isto, saíram para o prender, porque diziam: " está fora de si!". Isso equivale a atribuir-lhe um atestado de insanidade. Os seus próprios familiares o consideravam um visionário, ou mesmo, irresponsável.
Com isto o Evangelista deu a entender que havia momentos, pelo menos, em que Jesus se tornava tão insano ou irresponsável que havia necessidade de prendê-lo, com medo de que pudesse sofrer possíveis agressões, como quando quiseram matá-lo, em Nazaré, não por ter falado de assuntos sensatos, mas de coisas conflitantes com as leis de Israel. Assim consta dos escritos há mais de dois mil anos e que nunca foram modificados.
Sua mãe e seus irmãos não levavam a sério a sua pregação e "muitos dos seus discípulos ouvindo isto”: - ( que sua carne era comida e o seu sangue bebida)- tornaram para traz e já não andavam com ele. (João, 7:66).
Se suas palavras eram simbólicas, não eram para serem compreendidas pelo povo sem qualquer instrução, que, interpretando-as ao “pé da letra”, o tomaram por blasfemo e “herege”.
Da mesma maneira acontece nos dias de hoje: certos pregadores de seitas as mais exóticas, conseguem influenciar grande quantidade de ingênuos, porém, os mais esclarecidos se afastam ao perceberem os exageros das pregações e os embustes dos falsos milagres, permanecendo fieis somente aqueles mais fracos de espírito.
Se Jesus arrebatava multidões, é fato realmente estarrecedor, tendo em vista a escassa população das aldeias galiléias, mesmo assim não conseguia conquistar seguidores, pois sendo Filho de Deus, e o próprio Deus, como querem os cristãos, sua palavra deveria ser divinamente convincente. Na sua cidade, Nazaré, não foi tomado a sério. Marcos, em 6:4-5, atribui a Jesus as seguintes palavras: -"Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa”. “E não podia fazer milagre algum; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos".
Natanael ao ser convocado para tomar parte do grupo e se tornar um discípulo, zombou de Jesus, dizendo: -"Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?". (João, 1:46).
Lucas, em
Jesus, de acordo com o que consta dos Evangelhos parece não ter sido bom filho. Ali não consta uma única referência ao seu pai, ou padrasto, José, esposo da sua mãe, que, afinal, foi quem o criou, educou e tentou ensinar-lhe uma profissão. Para Maria, sua mãe, só pronunciou palavras que demonstravam o seu desprezo por ela.
Quando diz que veio trazer a discórdia: “pai contra filho; mãe contra filha; sogra contra nora, (Lucas, 12:53), mostrou-se como verdadeiro inimigo da humanidade, contrastando esses dizeres com toda a bondade que querem lhe atribuir.
Jesus também não respeitava preceitos da Lei que obrigavam o jejum, tanto que foi observado pelos discípulos de João Batista, de que até os fariseus observavam o que ele desprezava.
Nas suas pregações aconselhava seus seguidores a não trabalharem, que levassem uma vida ociosa, esperando que todas as suas necessidades fossem satisfeitas pelo Pai Celestial. Em Mat.
No versículo 34 vem o conselho, que poderia ser razoável naquela época, porém, hoje, é completamente inoportuno: " Não vos inquieteis pois pelo dia d'amanhã, porque o dia d'amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal."
A caridade não era também uma virtude constante nos seus procedimentos: quando um dos seus discípulos lhe diz: “Senhor, permite-me que primeiro vá enterrar meu pai”. Jesus, sarcasticamente lhe responde: “Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos”.
Os cristãos, de um modo geral, não estudam os Evangelhos, e mesmo poucos os lêem e, quando se deparam com um versículo, ou um capítulo que exige reflexão, simplesmente "passam por cima". Aceitam pacificamente o que os "ministros" das centenas de seitas, que se dizem cristãs apresentam, com o fim exclusivo de obterem suas subordinações incondicionais e, não por acaso, as suas contribuições para propagação da palavra de Deus...representadas, sempre, por dinheiro.
Quase nenhum cristão estuda ou medita sobre o que na verdade está claramente escrito na Bíblia. Os ministros religiosos só dão explicações sobre o que lhes interessam diretamente e, quando solicitados para esclarecimento de uma dúvida, recorrem no seu sub-consciente àquela máxima da Idade Média: " Renuncia ao desordenado desejo de saber... Quanto mais e melhor souberes, mais rigorosamente serás julgado. (Imitação de Cristo, 2:2-3).
Sabe-se que o cristianismo se divide em milhares de seitas que se atacam reciprocamente, dizendo-se, cada uma, senhora da verdade absoluta. Nenhum ministro quer admitir que a sua seita não seja a verdadeira, ditada por Deus. Os católicos romanos combatem e acusam de hereges e infiéis todos aqueles que não freqüentam às missas e não desnudam suas vidas íntimas nos indiscretos confissionários.
Os católicos não reconhecem as outras Igrejas que têm, também, Jesus como seu patrono. O Papa Benedito XV rejeitou propostas de outras Igrejas cristãs para estudarem as diferenças doutrinárias que as separavam. Pio XI não só recusou a idéia como a recebeu com hostilidade. Pio XII também não aceitou um convite do Conselho Mundial das Igrejas, demonstrando, assim, que havia um grande abismo entre os que se dizem seguidores das doutrinas de Cristo.
Isso vem mostrar claramente que o catolicismo não é a religião de Jesus e só faz parte do conglomerado de seitas que se digladiam e se excomungam reciprocamente, achando-se cada uma, hipocritamente, detentora da verdade. Se Jesus aparecesse nos dias de hoje, qual delas consideraria continuadora dos seus pensamentos?
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