Cristianismo e Catolicismo

"Religião é um conjunto de idéias sobre as coisas e princípios morais, cuja base reside na crença da existência e do poder de entidades sobrenaturais. Distingue-se das ciências e da filosofia por não fundamentar-se prioritariamente na observação, na experiência e na razão, mas na intuição e na fé". (Enciclop.Tudo, fl.1075).

As religiões primitivas, focalizadas do estágio atual da civilização, são consideradas superstições, que é um sentimento religioso de medo ou ignorância, tanto na admissão de seres sobrenaturais ou imaginários tais como sacis, curupiras, lobisomem, anjos, como em entidades consideradas maléficas, como os demônios.

Também entidades consideradas benéficas, nada mais são do que superstições, tais como espíritos de ancestrais, anjos, ou espíritos protetores invocados por médiuns, curandeiros, feiticeiros ou sacerdotes.

Os feiticeiros se valiam da ignorância popular para execução de exorcismos, na expulsão de espíritos malfazejos que, supostamente se apossavam das pessoas.

O "exorcismo" é comum nas religiões pagãs, na judaica e nas cristãs, que acreditam na existência de Satanás. Foi praticado na Assíria e na Babilônia e é citado no Novo Testamento. Jesus expulsava "demônios" e seus apóstolos o faziam também”.(Enciclop.Tudo, pg. 513).

Na Igreja Católica ainda se encontra em uso o "batismo", que não passa de um exorcismo para a expulsão de um anátema, porém, sem o ritual estupefaciente usado para expulsão de outros demônios, tais como os que se “encarnam”, principalmente, em pessoas epilépticas.

No batismo, o exorcismo é praticado para expulsar do neófito uma maldição congênita, oriunda de um lendário e suposto pecado de um fantasioso Adão.

Para aqueles que viveram essas crenças em épocas passadas, eram tão verdadeiras, ou tão fantasiosas como as atuais religiões são para os seus crentes e seguidores. Na realidade são todas iguais em princípio, sendo que a diferença está entre seus adeptos e suas liturgias, e no nível intelectual dos seus seguidores.

O feiticeiro da antigüidade agia da mesma maneira que os ministros das religiões atuais, com o mesmo fim, que era o de explorar a crendice popular.

Em séculos vindouros as atuais religiões serão lembradas como mitológicas ou como idólatras, da mesma maneira como vemos as religiões assírias, babilônicas, gregas ou romanas. Os deuses e semi-deuses das religiões a que se dão o título de pagãs, serão lembrados com mais poesia do que essa infinidade de "santos" e "santas" sem qualquer tradição, tendo em seus meios verdadeiros e sanguinários criminosos, tais como S. Pedro Arbues, Santa Irene, S. Domingos, e muitos outros... que enfeitam os altares nos Templos Católicos, e ante cujas imagens devotos extáticos chegam a se emocionar entrando em êxtases hipnóticos.

Na Grécia, cuja civilização até hoje ilumina a cultura moderna, a religião era primordial para o povo. Um dos seus maiores filósofos, Sócrates, foi acusado de impiedade por não atribuir aos "deuses" as virtudes que os sacerdotes lhes atribuíam.

Em todas as religiões, o clero teve papel fundamental, pois, exercendo sua influência sobre o povo, amedrontando-o com castigos diversos após a morte, aliando-se sempre ao poder do momento, se auto-promovendo, gozando de todas as regalias à sombra dos tronos.

No Egito, do passado, quando esse país era um Estado poderoso e teocrático, a quantidade de divindades era quase infinita. Havia uma divindade para cada atividade, mesmo a mais insignificante, impingida à população.

Apesar do domínio quase absoluto das religiões sobre o povo, sempre houve alguém que discordasse dessa influência escravizadora através de diversas crendices.

Mais do que Sócrates, na Grécia, Akhenaton, no Egito, discordou do domínio desses sacerdotes que formavam um Estado dentro do Estado, e do poder paralelo de que o clero abusava sem contestações. Esse Faraó seria um filósofo e acreditava que um Deus supremo e único seria o ponto de partida para a transformação radical daquele estado de coisas, onde só se cogitava da espoliação material do povo, através de diversas espórtulas e da escravização da sua mente. Um novo Deus para ter preponderância sobre os demais, necessitaria de uma existência física e que a sua presença benéfica fosse incontestável. Desde a VI Dinastia os Faraós se proclamavam descendentes de "Ra", o Deus-Sol, que passou a ser o Deus-Único.

Mesmo entre o clero, havia pensadores que discordavam também dessa infinidade de deuses, que se multiplicavam em milhares de altares, dividindo o povo, provocando ciúmes e rivalidades. Em todos os tempos existiram sacerdotes honestos e certamente o Faraó contava com alguns deles que concordavam plenamente com o seu desejo de reformas.

O Faraó era geralmente divinizado, como aconteceria mais tarde com os imperadores, no Império Romano. Entre a elite dos sacerdotes havia daqueles que sempre se sentiam bem à sombra do poder e, mesmo, para manterem os seus privilégios, não discordavam das idéias oriundas do trono.

Talvez, à custa de ingentes conciliábulos, chegassem à conclusão de que um Deus único fosse a solução para as crises e ciúmes provocados pelos diversos cultos, e assim teve Aton ( o Deus Sol) o seu culto declarado oficial no Egito.

Após a reforma de Akhenaton, um descontentamento geral surgiu no clero, que, vendo seu prestígio abalado e perdendo sua fonte de enriquecimento e prestígio, passou a conspirar surdamente contra o Soberano, aguardando e maquinando uma oportunidade para readquirir seus privilégios.

Assassinatos ou envenenamentos, foram fatos que se tornaram corriqueiros tanto no Império Romano como entre os Papas, na Igreja Católica. Amenhotep ou Akhenaton, morreu ainda jovem, tendo reinado só cerca de dezessete anos. Teria sua morte sido natural, ou algum sacerdote tê-la ia antecipado?

Após sua morte, os conspiradores conseguiram seus fins, fazendo voltar o politeísmo. O clero voltou ao que era antes e restabeleceu o culto dos diversos deuses, só que, agora, com cupidez dobrada, para recuperar o que lhe havia sido retirado.

A volta à idolatria foi restabelecida, mas a filosofia de Akhenaton perdurou como uma fase da evolução da mentalidade religiosa. Uma idéia, se é razoável, depois de exposta, dificilmente é sepultada. Assim aconteceu com o monoteísmo de Akhenaton, que, um século depois, foi implantado por Moisés, segundo o que consta da Bíblia.

O povo judeu permaneceu monoteísta, em parte. Pelos relatos bíblicos a idolatria surgia de tempos em tempos e era supostamente castigada por seu Deus através de derrotas, exílios e uma variedade de castigos, provando que, se ele não era bom conselheiro, pelo menos era rápido nas suas vinganças.

Jacob, (ou uma das suas mulheres), - um dos personagens mais importantes do Antigo Testamento -, foi acusado por seu tio Labão de haver furtado seus ídolos, portanto não havia exclusividade para um Deus único e invisível entre os descendentes de Abraão.

Séculos depois surge Jesus, numa época em que o povo judeu era dominado e explorado por potência estrangeira e pagã, de acordo com o pensamento judeu. Dado como profeta galileu, filho de Deus, e o próprio Deus, como querem os cristãos, pregou, na sua terra, uma doutrina que contrariava as tradições judaicas, razão de ter sido denunciado pelos Sacerdotes ao Templo de Jerusalém. Indo a uma das festividades nesta cidade, e tentando difundir suas idéias como fazia na longínqüa Galiléia, sede do poder dos judeus, foi denunciado, preso, e condenado como blasfemo e sedicioso, sendo executado segundo os costumes romanos, num madeiro. Pelos costumes judaicos, teria sido lapidado.

Seus discípulos foram perseguidos e se dispersaram ou fugiram para a Galiléia. O Templo de Jerusalém continuou, por anos a fio, a perseguição aos remanescentes da nova seita. Um dos sacerdotes, judeu fervoroso e implacável perseguidor dos seguidores de Jesus, numa de suas viagens de caça aos apóstatas judeus, sofreu um acidente, quando numa alucinação, talvez por indigestão, diz ter visto o próprio Jesus que com ele falou. Inconsciente, é levado para Damasco, sendo tratado justamente por um cristão.

Em “ Manuscritos do Mar Morto, pg.204, seus autors, Michael Baigent e Richard Leigh dizem:

“ No caminho, Saulo passa por algum tipo de experiência traumática, que, nas interpretações dos comentaristas, poderia ter sido desde uma insolação, uma crise epilética... Pode ter sido mesmo o resultado de uma insolação ou de uma crise epilética; também poderia ser produto de uma alucinação, reação histérica ou psicótica, ou talvez nada mais do que a consciência culpada de um homem suscetivel, com as mãos sujas de sangue”.

Essas aparições de Jesus a Paulo não deixam de ser curiosas. Nesta primeira Paulo ficou cego, o que teve influência em sua conversão. Na segunda, Jesus lhe aparece como um “aborto” (I-Cor.-15:8)

Supõe-se que essa Damasco não fosse a cidade importante da Síria, província romana, com governo autônomo, independente completamente da Judéia que, por sua vez, tinha governo indicado pelo Imperador, em Roma.

O Templo de Jerusalém não tinha autoridade política, portanto não poderia mandar Paulo para outra província romana numa expedição policial sem um “salvo-conduto” do governador da Judéia, que, certamente não o concederia, por se tratar de assunto religioso, sobre o qual Roma não interferia.

O Império Romano dificilmente teria admitido “pelotões de busca” autoproclamados, passando de um território para outro dentro de seus domínios, fazendo prisões, cometendo assassinatos e ameaçando a precária estabilidade da ordem cívica”. (Manuscritos do Mar Morto, pg. 172 - Michael Baigent e Richard Leigh).

De acordo com descobertas arqueológicas, é provável que uma localidade com nome de Damasco estivesse localizada nas proximidades de Jericó e Qumran, onde foram descobertos pergaminhos que receberam o nome de “Documentos do Mar Morto,” com regras de vida da comunidade, hoje extinta, possivelmente de “essênios,” então sob a jurisdição religiosa de Jerusalém.

Impressionado como havia ficado, foi catequizado, e, de inimigo, transformou-se em seguidor da seita que tanto perseguira. Esse foi Paulo de Tarso, o sacerdote judeu, apóstata do judaísmo, graças a quem a nova doutrina não caiu no esquecimento, como tantas outras seitas que tiveram vidas efêmeras.

Não fosse Paulo, ou mesmo Judas, talvez não houvesse cristianismo. Todos os discípulos de Jesus, pobres pescadores, ignorantes, analfabetos, sendo João e Pedro idiotas ( sine litteris et idiotæ. - Vulgata, Atos 4:13) vivendo da pesca num lago nas proximidade de pequenas aldeias, onde o mercado consumidor do produto era escasso, viviam dum mísero trabalho de subsistência. Esses discípulos poderiam ser comparados, nos dias de hoje, a esses romeiros que palmilham estradas sem fim em busca das localidades de peregrinação, como aqueles que vão em busca dos milagres do Padre Cícero, no sertão do Ceará, ou dos devotos que vão, como cordeiros, em busca de milagres, ou para cumprirem inexplicáveis "promessas" por supostos benefícios que receberam de imagens milagrosas, seja em Fátima, seja em Lourdes.

Que poder de persuasão teriam esses pobres pescadores de aldeias da longínqüa Galiléia para "converterem" à uma nova doutrina os adeptos do judaísmo, que possuíam Leis explicadas seguidamente nas Sinagogas por sacerdotes instruídos, fariseus formados em academias e outros, chamados Doutores da Lei? Como seriam suas manifestações ao público em discursos e sermões, já que eram completamente iletrados, e não passavam de pobres pescadores? Como convenceriam os habitantes de uma cidade, sobre uma nova religião, pobres pescadores de pequenas aldeias, com seu linguajar rude e pobremente vestidos?

Como seriam recebidos, hoje, nas ruas das nossas cidades, humildes e ignorantes pregadores sem qualquer argumentação, falando de uma nova religião?

Paulo, fariseu e doutor da Lei, autoridade respeitável pela sua oratória e pelo seu saber, surgiu a tempo de salvar o cristianismo do esquecimento. De acordo com os relatos dos Evangelhos, Paulo teve atritos sérios com os Apóstolos, vencendo sempre os seus pontos de vista, o que veio salvar e consolidar a nova "religião".

Assim nasceu o cristianismo, como uma religião monoteísta, porém, com o correr do tempo, passou a sofrer influências estranhas de pensadores que queriam se destacar vaidosamente, enfeitando e complicando uma religiosidade humilde e pura legada pelos primeiros apóstolos, e pelo próprio Jesus.

Cismas surgiram ainda no Século I: no Apocalipse João fala dos "nicolaitas", seita surgida nas cidade de Pérgamo e Éfeso, sem maiores explicações sobre sua filosofia. Paulo se insurge contra a circuncisão, adotada por Jesus (Gal. 2:7), depois vacila e a pratica também. (Atos, 16:3).

Os "quiliastas", seita cristã surgida em Cerinto, pregavam que após o Juízo Final, os predestinados viveriam ainda 1000 anos gozando prazeres sensuais.."

Os “docetistas”, cisma, também do Século I, diziam que Jesus nada sofreu, porque sendo divino, seu corpo era unicamente aparência.

No Século II surgem o "adocionismo", o "montanismo, os "carpocráticos" e outros, cada qual defendendo o idealismo primitivo, ininterruptamente adulterado pela igreja nascente.

No Século III surgem os seguidores de Sabélio, que não se conformavam com a idéia de imitarem as religiões mais antigas criando um Deus Trino, ou uma “Santíssima Trindade,” entrando em choque direto com o monoteísmo bíblico.

E foi assim que surgiram as dissenções no cristianismo, que causariam a morte de milhões de vítimas das intransigências doutrinárias nos séculos futuros; cristãos matando cristãos, comprovando assim que a doutrina era falha, e não a expressão de uma verdade inspirada por Deus. Se Deus tivesse postulado uma doutrina, essa seria inquestionável, e não levaria seus seguidores a se dividirem e se entredevorarem.

Esse espírito de ódio que nasceu entre os cristãos, se estendeu a perseguições às divindades a que chamavam de "pagãs" por onde passavam, atingindo até Roma. Os cristãos passaram a ser odiados e perseguidos de maneira cruel, não por serem adeptos de uma nova doutrina, e sim por não respeitarem os deuses cujos cultos já estavam consagrados e arraigados, possuindo seus Templos desde longas datas.

O cristianismo, apesar das próprias contradições, adquiriu grande progresso pois pregava para os pobres, escravos e outros oprimidos, anunciando-lhes um futuro de compensações após a morte, num paraíso de gozos infindáveis.

As promessas de benefícios celestiais e rocambolescos ainda fazem milhões de adeptos, tal como a "Igreja Universal do Reino de Deus" que absorve completamente o povo mais pobre e mais ignorante, que abre mão dos seus parcos recursos para a compra caríssima da sua salvação. Sua aceitação entre as camadas mais pobres e dos empregados domésticos é impressionante, desviando, diariamente, centenas de novos adeptos de cultos decadentes para suas fileiras, quando falsos e insidiosos milagres cimentam a crença nessas cabeças de curto raciocínio.

No IV Século o cristianismo já representava um poder imenso, tanto em Roma como na África e na Ásia. Constantino, Imperador Romano, esperando tirar proveito dessa força embrionária, no ano 3l3 faz cessarem as perseguições e lhes dá liberdade de culto. Em 325, de acordo com o Bispo de Roma, Silvestre, convoca um Concílio em Nicéia quando ficou estabelecida a Trindade para a nova religião, entronando Jesus como Deus, para mais fácil assimilação pelos não romanos, aos quais chamavam “bárbaros”.

Em 380, Teodósio faz do Catolicismo Romano,- nova denominação do cristianismo-, religião oficial do Império. Com as conquistas romanas, que deram a Roma o governo quase absoluto do mundo ocidental, o Catolicismo se expandiu apoiado pelas baionetas, pelas forcas e fogueiras, meios mais convincentes para as conversões dos pagãos e bárbaros do que o palavreado nem sempre compreensível de sacerdotes iletrados.

Nessa ocasião a Igreja formulou o "Credo", oração obrigatória para todos os católicos.

Sua redação merece ser conhecida pelos atuais católicos: (Ver Cap. 32)

V. Courdaveaux -"Comment se sont formés les dogmes", transcreve o Dogma que criou para o Catolicismo uma "trindade" como as das demais religiões:

"Aquele que quer salvar-se deve guardar sua fé católica, que é adorar um só Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, sem confundir as Pessoas, nem dividir a Substância. Pois outra é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas, a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma, sua glória iguala sua majestade externa. Tal é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo. Todos três são increados, três incompreensíveis, eternos, todo poderosos e, no entanto eles não são três increados, três incompreensíveis, três eternos, três todo poderosos; mas, um só increado, um só incompreensível, um só eterno, um só todo poderoso. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; no entanto eles não são três Deuses, mas um só Deus. Do mesmo modo o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; no entanto eles não são três Senhores, mas um só Senhor. Enquanto o Pai increado não é feito, nem engendrado, o Espírito Santo, increado por sua vez, é do Pai e do Filho, não tendo sido nem engendrado, mas, procedente. O que faz com que haja um só Pai, e não três Pais; um só Filho e não três Filhos; um só Espirito Santo, e não três Espíritos Santos. Mas dessas três Pessoas, nenhuma é anterior ou posterior à outra; nenhuma é inferior ou superior, de modo que por todos os lados, é mister adorar a Unidade na Trindade e a Trindade na Unidade.

O Pai não é feito nem engendrado, nem procedente. O Filho é engendrado, não procedente. O Espírito Santo é procedente e não engendrado."

Isso é um mistério (!) no qual se deve acreditar sem discussão, pois foi editado por hermeneutas inspirados pelas Três Pessoas da chamada Santíssima Trindade! e numa época em 99,9% da população era completamente analfabeta!

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