A partir do ano 313 os cristãos deixaram de ser perseguidos, e a partir de 380, quando passou a ser a religião oficial do Império Romano, passou a perseguidor, recebendo o "pomposo" nome de Igreja Católica Apostólica Romana. Aqueles que se diziam continuadores dos apóstolos passaram a atuar de maneira diametralmente oposta ao cristianismo primitivo.
"O cristianismo não mais existe; morreu logo ao ensaiar os primeiros passos no mundo, e precisamente no instante em que Constantino lhe estendeu a mão poderosa e dominadora. Desde esse momento, diluído em crenças muito mais antigas, mais robustas, mais radicadas nos espíritos, mais concordantes com a natureza humana, do cristianismo, pode dizer-se que restou apenas o símbolo a rotular o álacre e bojudo odre do politeísmo greco-romano. ( A Questão Social e o Catolicismo, fl.47).
"O Catolicismo, alem de religião verdadeira, deve ser a única manifestação perfeita do idealismo", pregam... no entanto, é, ao contrário, de um realismo cru; o seu culto das imagens e das relíquias não difere do fetichismo africano a não ser no aparato luxuoso com que apresenta suas divindades que, muitas das vezes, quando em vida, se apresentavam modesta ou pobremente vestidas. O significado que ele empresta à água benta, aos santos óleos, ao vinho consagrado, não passa de uma grosseira materialização do sentimento religioso. Os seus santos, as suas madonas, os seus bemaventurados formam uma hierarquia banalíssima de semi-deuses regionais, que nem mesmo se pode comparar ao politeísmo greco-romano, que, ao menos, tinha a realçá-lo a beleza artística. O seu ritual adota práticas litúrgicas tão ridículas que, idênticas, só se encontram entre as raças selvagens. O seu clero tem sido talvez o mais materialista da história da humanidade, porque nenhum, nem o clero budista a que ele um tanto se assemelha, tem gozado, em nome do ascético Messias, uma vida de mais opulência e de mais luxo. Nenhum se tem preocupado mais do que ele, com as coisas da terra..."
A moral católica que deveria ser o refúgio do idealismo religioso, é, ao contrário, humanamente utilitarista: o que ela ensina sobre o bem e o mal é que a um e a outro está preso o interesse do indivíduo. A prática do bem traz uma recompensa; a prática do mal, um castigo. E’ a idéia do aperfeiçoamento moral do indivíduo num ambiente de desejos e de receios, em que a personalidade, em vez de desenvolver-se por um sentimento expontâneo e nobre de si mesma, sai deprimida, amesquinhada, com virtudes que só lhe pertencem de empréstimo. A idéia do bem pelo bem, o sentimento puro de justiça, de bondade, de altruísmo, tanto pode existir no católico como nos adeptos de outras religiões; mas de certo não se ajusta a uma moral em que o seu Deus aparece como credor e devedor universal do gênero humano, comunicando-se com este por intermédio de um grupo numerosíssimo de agentes comerciais, sob a gerência suprema do Papa".
"A Igreja Católica é diametralmente oposta à doutrina de Jesus. Todas as palavras que os chamados evangelistas escreveram, atribuindo-as a Jesus, todas as máximas e sentenças que proferiu, todas as parábolas com que ele respondia às perguntas, sem responder ao pé da letra, já tinham sido escritas por outros reformadores, e ainda se encontram textualmente nos respectivos livros da Índia, da Pérsia, do Egito e da China. O Padre jesuíta Wallace (De L'Evangile au catholicisme par la route des Indes), diz: "O catolicismo não se tem compenetrado de que o Sanatana - Darma, ( livro védico) é o natural pedagogo que conduz ao Cristo". (Jesus e Sua Doutrina, fl.165).
A principal diferença entre o catolicismo romano e o cristianismo é a idolatria, o culto desenfreado de imagens, símbolos, sendo que alguns são até ignominiosos, como a exibição de Jesus pregado numa cruz. Jesus teria sido pregado num madeiro, costume entre os romanos. A invenção da cruz foi um pretexto para castigar mais rigorosamente o indefeso Jesus, pois o termo grego, STAUROS, significa madeiro, pau ou instrumento de suplício, e não cruz. A apresentação sistemática de Jesus pregado numa cruz, com o corpo massacrado, ensangüentado é de um sadismo revoltante e imperdoável. Apresentam Jesus morto, pregado num madeiro, escarnecido, vilipendiado, relembrando insistentemente a humilhação por que passou. Outras apresentações, em que Jesus ostenta roupagens bordadas a ouro, carregado em andores luxuosos sobre os ombros de personalidades de projeção nos meios sociais ou financeiros, é outra zombaria para a pessoa daquele pobre nazareno que andava pelas aldeias da Galiléia recomendando aos seus discípulos que não levassem ouro, prata ou cobre nos seus cintos; nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem bordão.
Outra sádica injustiça praticada pela Igreja Católica contra Jesus, é apresentá-lo vergado sob o peso de uma cruz, acontecimento que nunca houve, conforme os Evangelhos de Mateus, Lucas e Lucas.
Outra diferença entre o Cristianismo e o Catolicismo é a discriminação racial.
Os primeiros cristãos eram judeus e nada consta sobre haverem perseguido e assassinado compatriotas que não aderiram à nova seita, recém-criada.
Já o Catolicismo, desde os primeiros anos do IV Século, moveu uma guerra anti-judaica que só terminou no reinado de Napoleão Bonaparte, com a proscrição da Inquisição.
O ódio aos judeus e aos “hereges” passou a ser a preocupação primordial da Igreja medieval e dos Papas. O pensamento predominante era a prisão, a tortura sob centenas de meios, a expropriação de todos os bens, e a condenação à morte pela “fogueira”, enfim, uma sêde insaciável de sangue daqueles a quem caluniavam de hereges.
Em 695 o Papa Sérgio I ordena a perseguição de judeus na Espanha.
Em 1182 o Papa Lúcio III ordena a expulsão de judeus, na França. O ódio desse Papa (inclusive seus Cardeais) aos judeus era tal que, em 1184 criou o Tribunal do “Santo Ofício”, e, seus excessos na perseguição de “ hereges” levou o povo de Roma à revolta, tendo que fugir para Verona, onde pediu proteção ao Imperador Frederico I, do Sacro Império.
Em l306 são novamente expulsos da França por determinação do Papa Clemente V. Esse Papa fez investigar o Tribunal da Inquisição, pois achava sua atuação “muito branda” para com os “hereges judeus”.
Fez queimar na fogueira Jacques de Molay, Grão Mestre dos Cavaleiros Templários e dezenas de seus companheiros.
Sisto IV (1471-1484) fez expulsar da Espanha duzentos mil judeus, depois de extorquir-lhes todos os bens, em benefício da Igreja. No seu pontificado surgiu o mais sanguinário assassino de hereges, o Cardeal Torquemada.
Em l497 os judeus são expulsos de Portugal, por ordem do Papa Alexandre Bórgia, Papa esse, considerado um dos “maiores monstros” da humanidade.
Em l509, Júlio II faz expulsar os judeus da Alemanha.
Na coroação do Rei Ricardo, da Inglaterra, o Papa Clemente III faz-lhe um presente sinistro: expulsou todos os judeus do reino, expropriando-os de todos os bens.
Nenhum povo responsável e respeitador homenagearia os seus heróis com constante exibição dos apetrechos em que foram executados, depois de humilhados. Seria ridículo, para os franceses, comemorarem sua Revolução distribuindo “guilhotinas” com Robespierre ali decapitado. No Brasil, quando se comemora a Independência, não se distribuem “forcas” com uma estatueta de Tiradentes balançando numa corda.
Jesus Cristo não é Deus para os Católicos, do contrário não o apresentariam, quase sempre, crucificado, espezinhado, esbofeteado e cuspido como o mais miserável dos condenados.
No subconsciente da Igreja e dos Papas, cessada a perseguição em massa aos judeus, persistiu, e persiste ainda o ódio atávico a tudo que se refere a esse povo. Ainda no subconsciente, esse ódio recai, sem que seja de modo explícito, na pessoa de Jesus. Jesus é judeu! E judeu é judeu!
Quando apresentam Jesus, o fazem subconscientemente da maneira como eram vistos os judeus no interior das suas mentes: morto, dilacerado e humilhado, cuspido, chicoteado.
Vejamos algumas figuras de Jesus como são apresentadas pela Igreja:
Durante a Semana Santa Jesus é relembrado em todo o seu sofrimento. Sua prisão, seu julgamento, sua condenação e sua morte. Com todo o sadismo apresentam-no humilhado, impondo-lhe o transporte de uma cruz, que na realidade, conforme os Evangelhos, ele não carregou; sofrendo quedas no trajeto, o que aliás, também, não aconteceu, com o único e exclusivo fim de apresentá-lo como um judeu execrado. Querem vê-lo massacrado, sofrendo todo o ódio que a Igreja tem pelos judeus.
Porque a Igreja não o apresenta glorioso, com toda a majestade devida a um Deus que se encarnou para vir em salvação da humanidade?
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