A Inquisição

Conforme J. Seguier: "Tribunais estabelecidos na Idade Média, e tempos modernos, para perseguir e punir os hereges. Criou fortes raízes e tornou-se uma instituição poderosíssima, que deixou lúgubres recordações. A característica principal do modo de proceder era o segredo absoluto da instrução judiciária".

Herege - Conceito. - Uma divergência em assunto religioso. A interpretação de um texto de modo diverso do aceito pelo clero. Um retraimento na prática dos sacramentos. Uma indagação inocente sobre a origem do mundo. Uma indagação sobre mistérios da religião. Qualquer manifestação do pensamento que discordasse das normas da Igreja era suficiente para açular os implacáveis e radicais juizes do Santo Ofício.

Um Bispo brasileiro, conforme Jornal do Brasil, de 24-10-94, dá o seguinte conceito para heresia: “ A negação de uma verdade revelada ensinada pelo magistério da Igreja como verdade ou artigo de fé (dogma). E uma verdade central da fé cristã é nossa redenção pela vida, paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus”.

Quando a Igreja se apoiava na Inquisição, a heresia era considerada “o maior e mais grave dentre os crimes mais terríveis”, (Manual dos Inquisidores - Directorium Inquisitorum -pg. 179) passível irremediavelmente da pena de morte na fogueira.

No capítulo 37 são mencionados os procedimentos considerados crimes pela Igreja, conforme constam de processos arquivados na Torre do Tombo, em Lisboa.

Heresias para o cristianismo antigo, hoje não mais são consideradas como tais.

Quem ousaria afirmar que a Terra é o centro do Universo e que, ao seu redor, giram o sol, as estrelas, as nebulosas e as galáxias que se encontram a milhões de anos-luz de distância, feitos, unicamente, para o deleite das vistas dos humanos, criados à semelhança do próprio Deus? Por negar essa verdade eclesial, Galileu quase foi levado à fogueira, o que não aconteceu por ter abjurado dessa idéia, e afirmar que concordava com a Igreja.

Quem afirma, atualmente, como nos foi ensinado num seminário católico, que o Universo foi criado em sete dias (de 24 horas)?

Quem mais acredita que Jesus esteja em corpo e divindade dentro de uma hóstia, simplesmente porque um frade disse umas palavras mágicas convocando-o?

Pegar numa hóstia consagrada”, com as próprias mãos, era um “pecado mortal”, no entanto, agora, ela é entregue a qualquer pessoa durante as missas.

Esse artigo de jornal, não passa de uma nostalgia, no subconsciente dos membros da Igreja Católica, do tempo da Inquisição, quando o que era dito pelo frade, deveria ser considerado como dito pelo próprio Deus.

Thomaz de Kempis, em sua obra editada em 1427, introduziu na heresiologia do Santo Ofício uma relação de "crimes" para os quais não foram alheios centenas de processos que culminavam sempre no confisco de bens e, muitas vezes nas fogueiras.

O cristão tinha o dever de fazer-se ignorante e considerar-se morto sobre a terra. (Cap. 44). No confissionário poderia fazer perguntas, que no entender do confessor, seria um desejo de auscultar mistérios que não lhe eram afetos, dando origem à sua denúncia ao Tribunal da Inquisição, por suposta heresia. As denúncias eram, quase sempre, anônimas, forjadas quando o denunciado era possuidor de bens cobiçáveis, sabendo o delator que o seu nome jamais seria revelado, mesmo no momento de receber sua parte no espólio. Ao cristão era vedado discorrer curiosamente sobre “coisas que excedam o seu entendimento” (Cap. 58), como os casos de Copérnico, Galileu e centenas de outros curiosos. “Todo homem tem desejo natural de saber; mas que aproveitaria a ciência sem o temor de Deus? Melhor é, por certo, o humilde camponês que serve a Deus do que o filósofo soberbo que observa o curso dos astros. Renuncia ao desordenado desejo de saber. Os letrados gostam de ser vistos e tidos por sábios. Quanto mais e melhor souberes, tanto mais rigorosamente serás julgado". (Livro 1, Cap. 2).

Com esses ensinamentos se anestesiava a consciência do povo. Ante o conceito, vago e sinuoso de heresia, todo o povo tinha sobre as suas cabeças a espada de Dâmocles, e ao bel-prazer de qualquer monge, nenhum cristão tinha sua vida e seus bens a salvo da cupidez do clero. A heresia era considerada crime de lesa-majestade divina e nenhum herege ficaria a salvo do tormento da Inquisição. (Ordenações Filipinas. 1º vol. Tit.133. 2).

Embora todos os padres da Igreja dissessem condenar o castigo corporal aos heréticos, a perseguição a estes tornou-se prática comum não só na época de Constantino, como até a instituição oficial da Inquisição pelo Concílio de Verona em 1184, pelo Santo Padre Lúcio III. Durante a Idade Média, o combate às heresias por meio da Inquisição intensificou-se em virtude da estreita ambição que existia na Igreja da época, entre o espiritual e o temporal.

Antes de constituir-se regularmente o tiraníssimo tribunal do Santo Ofício, os prelados católicos, as ordens monásticas, os oradores sacros não cessaram, durante séculos, de infundir e radicar na alma das multidões fanáticas e ignorantes, bem como dos seus dominadores, o ódio e o horror ao herege.

Foi um trabalho lento, pertinaz, contínuo, para o qual concorrera poderosamente o temor de Satã, explorado, talvez, com muito mais proveito para a Igreja, do que a morte lendária de Cristo. Desde os primeiros dias em que se acentuou o prestígio político do catolicismo, até o século XIII, quando os Papas imprimiram à Inquisição uma jurisdição regular, a heresia passou a ser o maior crime que se poderia cometer contra a ordem social que, então o clero confundia com os seus próprios interesses e ambições. Até São Tomaz de Aquino não hesitou em dizer que os hereges não só mereciam a excomunhão, como deviam ser eliminados pela pena de morte. (A Questão Social e o Catolicismo, fl.151).

Na Grande Enciclopédia, tomo 29, lê-se: Estabelecera-se o uso de que os hereges, reconhecidos como tais pela autoridade competente, fossem, se persistissem em seus erros, "entregues ao braço secular" (Concílio Ecumênico - Latrão IV - 1215).

Segundo os cânones, as pessoas de Igreja não podiam, por si, pronunciar nenhuma sentença de morte. (Ecclesia ab-horret sanguinem). Mas estava entendido que a autoridade laica não tinha o direito de recusar-se, sob pena de cometer um crime tão grave quanto a heresia, a punir "condignamente" as pessoas que a Igreja lhe entregasse. Por outro lado, o uso se introduzira, de que o braço secular fizesse perecer os hereges pelo fogo..."

Esse procedimento que revela o paroxismo do ódio e da hipocrisia, exercido sobre indefesos prisioneiros cujos crimes nada mais foram do que pensar de modo diferente com relação a ídolos de barro ou a um culto de liturgia carnavalesca, ou mesmo à simples negativa de depositar uma humilde, insignificante oferenda para as arcas do tesouro sagrado, é um segundo "lavar de mãos" para um holocausto já determinado.

O entregar o herege ao braço secular, era entregá-lo para a morte; dele nada mais restaria senão seu corpo mutilado pelas torturas, sendo que todos os seus bens já teriam sido inventariados e seqüestrados: a parte do leão, para o clero; o restante, para o delator que poderia ser, tanto um inimigo em busca de vingança, quanto o seu próprio confessor santamente escandalizado pelo que ouvira em segredo.


Inocêncio IV

Antes, a Inquisição era jurisdicionada pelos Bispos, mas estes, muitas vezes, preocupados com negócios estranhos ao mister episcopal, pouco se lhes dava que as ovelhas se desgarrassem ou não do rebanho, ou que os ímpios procurassem arrebatá-las dos apriscos. Essa negligência desagradou à corte de Roma, pelo que, conforme a Enciclopédia, o Pontífice Inocêncio III tratou de substituir a inquisição episcopal por um Tribunal Regular que unificasse o seu processo e desse mais eficiência ao combate aos hereges.

Os delegados de Inocêncio, dos seus antecessores e sucessores, freqüentemente estimularam a perseguição quando essa fraquejava. Gregório IX confiou os mandatos de inquisição à Ordem dos Dominicanos, que foram os primeiros a tomarem o título de Inquisidores. A famosa Bula "Ad Extirpanda", de Inocêncio IV, de 15 de maio de 1252, contém um sistema completo de organização inquisitorial. Ela estabelece a perseguição sistemática da heresia como um elemento essencial do edifício social, em cada estado e em cada cidade. O magistrado temporal, ao entrar em funções, devia designar segundo as indicações dos Bispos, dois frades de cada uma das Ordens Mendicantes, doze pessoas, assistidas de notários e de familiares pagos pelo tesouro público, engajados por seis meses e reelegíveis, cujo papel consistiria em descobrir os hereges, em entregá-los, e confiscar os seus bens.

Quando os Inquisidores visitavam uma parte do território submetido à sua jurisdição, deviam ser acompanhados de um delegado do soberano, cujo ofício era constranger, sob juramento, os habitantes de cada aldeia aonde a comissão se transportava, a denunciarem os hereges, e assinalarem os seus bens. O Estado era obrigado a deter todos os suspeitos, a guardá-los em prisão, a remetê-los debaixo de boa escolta ao Bispo ou à Inquisição. Além disso, exigia-se do poder secular que ele, em toda requisição, fizesse infligir a tortura àqueles que se recusassem a denunciar os hereges do seu conhecimento.

Esta Bula devia ser transcrita à perpetuidade em todos os estatutos locais. Foi reeditada por Alexandre IV e por Clemente IV. Originariamente, parece que os inquisidores tinham feito proceder à tortura, como a execução dos obstinados, pelo braço secular; mas era uma complicação incômoda. Alexandre IV, em 1256, autorizou os inquisidores e seus auxiliares a se concederem mutuamente dispensas para as "irregularidades". Desde então, o inquisidor e seus familiares, acobertados pela dispensa concedida por um colega, procederam diretamente às operações de tortura. O abuso foi tal que, desde o fim do século XIII, o governo de Filipe, o Belo, protestou contra o novo método (que ele mesmo empregou tão copiosamente, mais tarde) e Clemente V preparou um projeto segundo o qual a tortura só seria administrada com o consentimento do Bispo, que raramente a negava.

Já ficou mais que patenteado por dados históricos que a Inquisição foi a "obra prima" da Igreja. Que ela exercia uma função político-religiosa, essencialmente eclesiástica, de defesa de interesses católicos, que, em uma época de obscurantismo, de estagnação mental, provenientes, aliás, da tirânica e nefasta educação clerical, se confundiam, por uma lei de regressão sociológica, com os interesses vitais da sociedade e do Estado.

A Inquisição foi instituída para manter a integridade dos dogmas católicos e impô-los pela violência, pela tortura, pelo exílio, pelo calabouço, pela morte mais horrível àqueles que não se submetiam à autoridade eclesiástica. Para arrancarem uma confissão, uma denúncia, uma acusação, recorriam às provas mais terríveis, a instrumentos de suplício, que atestavam um requinte de perversidade que nem os povos mais selvagens seriam capazes de imaginar na repressão de sacrílegas irreverências aos seus tabus. Ninguém sustentará que as penas impostas aos delinqüentes, a começar pelo herege, que a estupidez da época fizera o mais temível de todos os criminosos, se tivessem tornado mais humanitárias. Realmente deve ser muito piedoso arrancar ao paciente a língua com uma torquês, desarticular-lhes ou quebrar-lhes os ossos, decepar-lhes os punhos ou os pés, atirá-los em calabouços infectos e, por último, queimá-los vivos.

Se o ritual inquisitorial correspondesse à finalidade de todo processo, que é por em movimento a máquina do poder público na descoberta da verdade jurídica, seria ele uma garantia para o indivíduo e para a coletividade, não um instrumento de opressão manejado pelo clero contra os que combatiam ou discordavam da sua política de dominação dos povos. Tornando-se secreto, foi o processo inquisitorial um recuo, como todas as instituições em que se fez sentir o poder absorvente da religião católica. A própria Igreja, em princípio, admitia o que estava arraigado na legislação romana, de que, uma sentença não pronunciada em público, se reputava nula, não obrigando ninguém a conformar-se com ela.

Foi o Papa Bonifácio VIII que, sob o pretexto do perigo que podiam correr os acusadores e as testemunhas, no caso de um herege poderoso, permitiu aos inquisidores procederem sem figurar no processo e sem publicar o nome das testemunhas ou dos acusadores, ou delatores.

Por uma constituição de Inocêncio IV, o processo secreto se tornou geral em caso de heresia. Os vexames, as condenações injustas, as arbitrariedades oriundas desse processo "inseparável da tortura" que, como observa o professor Filomusi Guelfi, tornou, com o desaparecimento da publicidade da acusação penal um instrumento de partido, de ódio e de vingança. Outro historiador disse: "O processo inquisitorial era eminentemente perigoso, porque o acusador nele se confundia com o juiz que, muitas vezes, era pessoalmente um fanático. Todavia a Igreja afirmava que o inquisidor era um pai espiritual imparcial, cujas funções, tendo por objeto a salvação das almas, não deviam ser entravadas por qualquer regra. Todas as garantias que as experiências dos homens reconheceram necessárias aos processos judiciários, de caráter mais trivial, eram suprimidas propositalmente, enquanto a vida e a reputação dos acusados, a sua fortuna, durante três gerações, ficavam em jogo. O Inquisidor era autorizado e exortado a proceder sumariamente e a não inquietar-se com formalidades, a não permitir que se lhe criassem obstáculos com normas judiciárias ou argúcias de advogados, a abreviar o processo o mais possível, privando o acusado das facilidades ordinárias de defesa e rejeitando todas as apelações e execuções dilatórias. Se o processo tivesse sido público, teria sido, sem dúvida, atenuada a infâmia desse sistema; mas a Inquisição envolvia-se de um profundo mistério, mesmo depois de proferida a sentença. (Histoire de l'Inquisition au Moyen âge - Vol. I - pags. 456-7). Esse processo se caracterizava pela arbitrariedade de juizes empedernidos pelo ódio secular contra a heresia, visando exclusivamente acautelar os interesses de uma casta, que descobria em todo denunciado um criminoso que devia ser supliciado, para forçá-lo a confessar uma falta mesmo que não cometera, ou a acusar inocentes.

Diz a Enciclopédia: "Assim que um indivíduo era apontado como suspeito, a Inquisição fazia proceder a um inquérito secreto; depois, era ele citado secretamente perante o Inquisidor. Se era citado, dava-se logo como julgado culpado; era, pois, condenado desde o dia da citação. Era preciso que confessasse e aceitasse a penitência; se não confessava, é que se obstinava, e seu caso tornava-se por isso mesmo passível de fogueira. Quando fracassava a habilidade do interrogatório, recorria-se à tortura.

Passara a regra, que um acusado ou uma testemunha só podia ser torturado uma vez; também quando se torturava pela segunda ou terceira vez o mesmo indivíduo, tomava-se a precaução de declarar que se procedia, não à reiteração, mas à continuação do suplício...

Toda confissão feita em conseqüência de uma tortura propriamente dita devia ser renovada posteriormente "sem constrangimento"; mas toda retratação de uma confissão feita era considerada como perjúrio, atestando que o herege era, não impenitente, mas relapso, sendo entregue imediatamente ao braço secular: Assim, nenhum acusado podia escapar quando o juiz estava decidido a condenar. Os culpados conduzidos perante a Inquisição jamais conheciam os nomes das testemunhas que depunham contra eles, inclusive as razões que determinavam a convicção do juiz.

Raramente se escapava à Inquisição quando se era denunciado, mesmo que a denúncia fosse improcedente. Grandes senhores e indivíduos ricos, às vezes conseguiam se libertar, quando grandes ofertas eram levadas, diretamente ao Papa, antes da sentença ser proferida, o que acarretava prejuízos, não só aos Bispos como aos delatores, que se privavam da parte que lhes tocaria do espólio. Nenhuma esperança, porém, restava àqueles que não tinham protetores poderosos.

Muito embora não possa mais acender os braseiros da Inquisição e arrancar, a torquês, a língua dos que combatem a sua moral hipócrita e sua política tortuosa, a Igreja ainda não revogou nos tribunais eclesiásticos a sua velha prática processual. A última ação da Inquisição incidiu sobre o Padre Leonardo Boff, em pleno ano de 1985, obrigando-o a se calar e não mais se manifestar publicamente. Assim, em pleno século XX a Igreja mantém esse aparelho anacrônico de perseguição à liberdade de consciência que, agora, apenas conduz à expulsão do seu seio, a excomunhões inócuas, a censuras patuscas, quando, por ventura, estoura algum escândalo de sacristia.

O espírito da Inquisição continua latente no seio da Igreja, qual uma peçonhenta serpente adormecida em sono letárgico, aguardando a oportunidade de "acordar" e sair em busca dos seus prediletos banhos de sangue.

Hans Küng, teólogo suíço, faz duras críticas ao atual papa, João Paulo II, sucessor do infeliz João Paulo I que morreu estranhamente no trigésimo terceiro dia do seu reinado, e ao Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé (nova denominação do Tribunal do Santo Ofício), acusando o primeiro de, nos seus sete anos de pontificado, mistificar hipocritamente o ecumenismo, agindo subrepticiamente, bloqueando os entendimentos com as Igrejas Orientais, com os protestantes e anglicanos, substituindo o diálogo do mundo moderno por uma doutrinação unilateral, apresentada de modo ambíguo.

Suas peregrinações por todos os continentes, em exibições atávicas do seu tempo de ator bufo, arrancando estrondosos aplausos de claques fanáticas e ignorantes, já tendo feito turismo em quase todos os países dos cinco continentes às custas dos óbolos do povo ignorante que continua provendo, locupletando as "burras" de São Pedro, não passam de uma missão de ativa política conservadora e, na América Central, agiu em estreita coordenação com a Casa Branca e a CIA.

Sua "evangelização" na Polônia trouxe o risco da deflagração quase eminente da terceira guerra mundial ao se imiscuir acintosamente na política interna da sua pátria. Desabusadamente pretendeu "evangelizar", também, a União Soviética, à qual fez as devidas consultas, isso depois de ter recusado o "visto" no seu passaporte para visitar a Lituânia onde pretendia descobrir algum Walessa para suas provocações.

Se a Inquisição levou às fogueiras alguns milhares de "hereges", o atual Papa seria inscrito na História como o provocador da hecatombe de bilhões, caso restasse alguém para escrever histórias.

O Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé (Santo Ofício), cardeal Ratzinger, alemão, cujo nome faz lembrar, Himmler, Göering, Rundstedt e outros prussianos nazistas que ensangüentaram a Europa, quer a volta do regime da Inquisição que, apesar de haver modificado os seus métodos - o tom é mais comedido, recorre-se a conversações e ações nos bastidores - porém não alterou os princípios: procedimentos secretos, impedimento de que as atas sejam examinadas, e negativa à assistência jurídica.

Na América Latina o Papa perdeu simpatias por causa da campanha do Vaticano contra a Teologia da Libertação e o voto de silêncio imposto ao teólogo Leonardo Boff, bem como ao tratamento indigno a que Roma submeteu os Cardeais e Bispos latino-americanos.

O Prefeito da Fé (Chefe da Inquisição) defende a necessidade de excomunhão, que nunca foi aplicada a criminosos católicos como Hitler, Mussolini e às dezenas de ditadores sanguinários latino-americanos, mas ameaça os teólogos que discordam de alguns caducos procedimentos da Igreja.

A excomunhão foi o pavor na Idade Média. O excomungado era banido da sociedade. Quem tivesse com ele qualquer contato, mesmo os seus familiares, teriam sobre si os mesmos efeitos da excomunhão. Não podia receber nenhum sacramento nem ser sepultado em cemitérios, pois todos eram de propriedade de ordens religiosas. Naquela época de obscurantismo, o excomungado era mais segregado que os leprosos. Era tão temido esse castigo que até reis poderosos se ajoelhavam aos pés do Papa implorando perdão, como aconteceu a Henrique IV e Frederico Barba-Roxa, ambos Imperadores do Sacro Império Romano Germânico. A excomunhão era o primeiro passo para a fogueira e a Igreja abusou ao máximo dessa chantagem espiritual durante séculos.

Para a felicidade da humanidade, agora, que a vetusta serpente perdeu os colmilhos e suas glândulas peçonhentas, envelhecidas, não mais produzem venenos mortais, os cérebros, até então escravizados, já raciocinam sem a tutela dos lúgubres monges nos confissionários. Não mais temem e nem dão importância às excomunhões inócuas e menosprezam os sacramentos envelhecidos e decadentes, caídos em completo descrédito.

A cronologia dos Papas menciona diversos, dezenas de sacrílegos, ateus, assassinos, corruptos, simoníacos e culpados de todos os crimes que o poder absoluto e a impunidade acarretam, porém, nenhum deles, de público, ousou dizer como o atual Papa, João Paulo II, em 28/8/85, aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro:

"A divindade está fora de qualquer categoria utilizada pelo homem para suas definições, e por isso a aproximação máxima com ela só pode ser alcançada através da fé. Deus está fora do intelecto humano, e por isso, especialmente no âmbito da cultura ocidental surgiram condições particulares para a expansão de atitudes agnósticas ou mesmo atéias. Segundo o Papa, Deus continuará a escapar da compreensão do intelecto, apesar do homem ter "um certo conceito de divindade".

Esse pronunciamento seria considerado herético pela Igreja ortodoxa dos séculos passados e seu autor, certamente, seria levado ao Tribunal da Inquisição, pois complicou a compreensão de Deus, e seria mesmo queimado numa fogueira, como herege.

Pelas pregações da Igreja apoiada na infalibilidade dos Papas, Deus é personalizado, sujeito às emoções humanas e passa as eternidades assentado confortavelmente num trono observando o que se passa neste nosso pequeno planeta. O seu reino foi amplamente alargado após as descobertas astronômicas, talvez sendo a razão de João Paulo II lhe dar uma identidade diferente. O Deus que a Igreja impunha aos católicos criou uma humanidade imperfeita e castiga-a eternamente através de guerras, pragas e doenças e faz com que nações escravizem povos e homens predominem sobre seus semelhantes. Faz matar seu Filho sobre uma cruz, condenado como herege e desordeiro, entre ladrões, inutilmente, sem previsão, pois a humanidade é hoje mais perversa do que no tempo de Jesus. Deus criou Satanás como seu rival para com ele viver em eterna disputa pelas almas dos mortais, num sangrento torneio em que os homens representam os prêmios ao vencedor do momento. Para provar a Satanás que era mais poderoso, deixou que este infligisse a Job as maiores
aflições, para depois cantar vitória ao lhe restituir os bens. Deus era humanizado ao moldar o barro de que fez o primeiro homem e ao arrancar-lhe uma costela para lhe dar uma miniatura de mulher. Não previu que uma descendência pecaminosa iria surgir e, quando já eram milhões, arrependeu-se, tardiamente, de os haver criado e os afogou num dilúvio. Pela segunda vez Deus erra nos seus cálculos. Da família que reservou para as novas gerações, seu chefe era um alcoólatra e injusto. Amaldiçoou seu neto por uma visão pornográfica que proporcionou ao filho após uma incontrolada bebedeira. (Gen.9:22-25). “E viu Can, o pai de Canaan, a nudez de seu pai...”

Esse é o Deus de Abrahão, de Isaac e de Jacob; da Igreja e das Escrituras, no entanto, o Papa não o reconhece, dizendo que só pode ser admitido através da fé. Porque não do que consta nas Escrituras?

A Inquisição deu à Igreja Católica grandes vultos pelo ódio e ferocidade com que defendiam a fé romana, levando às fogueiras milhares e milhares de "hereges" com o piedoso e hipócrita fim de lhes salvar as almas. A "purificação" tinha início ao ser amarrado em uma roda ou torniquete onde seus membros eram esticados lentamente até se desprenderem nas articulações. Um jato de água fria voltava-o do desmaio. Amarrado numa poltrona pela cabeça, derramavam-lhe pela boca, ou sobre os olhos, estanho derretido ou, na falta deste, azeite fervente. Cortavam-lhe, com machado, as mãos e os pés, depois de lhes ter arrancadas as unhas com torqueses. A morte pela fome e sede numa masmorra murada era considerada morte suave, para pequenas heresias. Prisioneiros eram dependurados pelos polegares ou por um gancho no tendão de Aquiles, de uma das pernas, quando sofriam torturas com ferro em brasa, pancadas e outros martírios, sempre com o cuidado de não deixar a morte sobrevir e não roubá-lo à coroação da purificação numa fogueira em praça pública, assistida pelo clero engalanado e por fanáticos entoando cânticos sacros.

Frades especializados em torturas pesquisavam cuidadosamente novas modalidades e, quando surgia uma, buscavam-se nas prisões vítimas para as experiências.

Para mulheres, além da algozaria regular, havia a degradação sexual quando a vítima era entregue aos instintos bestiais de verdugos estúpidos que agiam sob as vistas de um monge fiscalizador que, muitas vezes atribuía a si mesmo as primícias quando a vítima era jovem e bonita, após o que era liberada aos carrascos.

As cerimônias a que deram o nome de "auto de fé" eram precedidas de extrema humilhação e degradação do prisioneiro: caminhar pelas ruas descalço, dentro de uma camisola amarela com uma grande cruz negra, levando na mão uma vela acesa. O Bispo, que precedia uma solene procissão, caminhava sob um majestoso pálio bordado a ouro e prata, tendo nas mãos o ostensório com a hóstia consagrada, onde, diz-se, está Jesus em "corpo, alma e divindade", para que Cristo pudesse assistir o desagravo às ofensas que sofrera sua religião. Aos lados do Bispo, quatro ou seis altos dignitários da Igreja transportavam, contritos, a cobertura que abrigava o episcopal oficiante. Seguiam-no dezenas de monges, com suas cógulas repuxadas sobre os rostos e cantando em coro, com voz soturna, o "requiem", acompanhados, em segunda voz, por uma centena de freiras e beatas cantando em falsete. Tudo isso ao som do tilintar de campainhas ou sinetas e pelo dobre de finados de inúmeros sinos das Igrejas ao longo do itinerário. O povo acorria em massa, a mesma multidão ignara que tanto aplaude como condena, em trajes festivos, certos de receberem grandes indulgências prodigamente distribuídas para redução dos futuros estágios no purgatório. Muitas vezes a fogueira recebia para a purificação pelo fogo simples cadáver, pois o corpo, não resistindo às torturas, liberava a alma deixando assim, incompleta, a solenidade tão cuidadosamente preparada.

Grandes Inquisidores deixaram seus nomes na história, causando inveja a milhares que tentaram se projetar, não passando, porém, de pequenos matadores de aldeias. A Igreja não regateou canonizações àqueles que salvaram almas através do fogo e da tortura.

Confrontados com os executores inquisitoriais, os grandes criminosos atuais, que sequestram, estupram, matam ou torturam suas vítimas, não passam de mesquinhos infratores das leis da sociedade.

São João Capistrano - Franciscano, foi dos mais severos inquisidores da Igreja. Responsável pela queima de João Huss, Jerônimo de Praga, entre outros intelectuais. Foi Inquisidor na Itália, Alemanha e Polônia. Aniquilou a seita dos "fratricellos" de Ancona, Florença e Toscana. Arrancou de Joana II, rainha de Nápoles, um decreto que lhe entregava os judeus, dos quais extorquiu os bens antes de levá-los às fogueiras. Na Polônia condena uma comunidade judaica sob o pretexto de que uma espiã e delatora judia tinha sido assassinada por seus irmãos.

São Raimundo de Peñafort - Dominicano. Foi inquisidor em Aragão, Castela, Navarra e Portugal. Com (São) Tomaz de Aquino, colaborou na composição da famosa “Suma contra os gentios”, com argumentos para maior incriminação de “hereges”.

Diego de Espinosa - Cardeal e Grande Inquisidor nomeado pelo Papa Pio V para o setor marítimo, depois da vitória de Lepanto. Garroteava marinheiros dentro das naves, acusados de proferirem blasfêmias, tão a gosto do trabalhador do mar.

Francisco Jimenez de Cisneros - Provincial dos franciscanos, confessor da Rainha Izabel, de Castela de quem era protegido. Nomeado Grande Inquisidor, Primaz da Espanha e Chanceler. Intransigente em questão de fé, foi de uma crueldade feroz. Mandava invadir as propriedades dos eruditos em busca de livros heréticos (que não pregavam religião!), queimando-os em praça pública e penitenciando seus possuidores com penalidades diversas, podendo até levá-los às fogueiras.

Tomaz de Torquemada - Dominicano. Foi o mais lúgubre torturador da história. Seu nome tornou-se sinônimo de intolerância e fanatismo. Seus fabulosos crimes chegaram a impressionar o Papa Alexandre VI, (também acusado de muitos crimes) que o aconselhou a se conter, caso contrário deixaria a Espanha desabitada. Estima-se em 2.000 as pessoas que mandou queimar e 200.000 o número de judeus que perseguiu e expulsou da Espanha depois de espoliá-los dos seus bens.

Até recentemente o espírito da Inquisição estava vivo como brasas encobertas por cinzas. O Papa Pio IX, em sua encíclica "Quanta cura", diz que a Igreja tem o direito de constranger com penas temporais, os violadores das suas leis, com multa, confisco de bens, prisão, mutilação e morte...

Esse mesmo Papa proibiu que protestantes e judeus fossem enterrados em cemitérios cristãos.

Tão arraigado estava em seu caráter o espírito da Inquisição que, não podendo ressuscitá-la, resolveu santificar um inquisidor de Saragoça, feroz e sanguinário, tão odiado que foi assassinado quando oficiava em plena Catedral pelo povo enfurecido com seus crimes. Assim foi elevado aos nichos das Igrejas Católicas como São Pedro Arbues de Epila.

Uma das atribuições dos Bispos, além das ações inquisitoriais era a faculdade de excomungar seus semelhantes, privando-os da comunhão da Igreja e condenando-os às penas eternas do inferno e segregação total entre os vivos.

Qualquer alteração dos cânones, dos rituais e dos costumes consagrados pela Igreja era considerada heresia.

Combater a tonsura clerical, o uso das batinas ou o celibato era ir de encontro às normas e assim, considerado heresia. A missa e os ofícios religiosos só poderiam ser rezados em latim. A submissão, e a remessa de prebendas a Roma, não podiam ser contestadas.

Por se rebelar contra essas normas, que julgava obsoletas e caducas, D. Carlos Duarte da Costa, em 1945, foi repreendido e posteriormente excomungado pelo arcebispo D. Jaime Câmara, com conhecimento do Papa Pio XII, que era radicalmente contrário a qualquer modernização, tanto da Igreja, como também das ciências.

O resultado foi um novo cisma na Igreja com a fundação da Igreja Católica Apostólica Brasileira, desvinculada de Roma.

Vinte anos depois as reivindicações do Bispo de Maura, foram quase todas atendidas, fazendo com que a Igreja, contra sua vontade se modernizasse. Não se oficia mais em latim, os padres não raspam mais o "zero" em suas cabeças, e, nas ruas, são confundidos com os transeuntes em seus trajes à última moda.

Teria a Igreja, após alterar essas tradições, revogado a excomunhão? Infelizmente, nada consta.

Em outras de suas liturgias podemos conhecer as que se relacionavam com a preservação da fé.

A Igreja desconhecia que a fé é um estado de espírito em que se devia aceitar uma proposição que não podia ser comprovada racionalmente. A imposição da idéia de que um indivíduo sobreviveria à morte é uma questão de fé, que não pode ser comprovada. A ressurreição de Jesus só é admitida porque encontraram o sepulcro vazio, por isso é uma prova indireta e subjetiva, completamente desarrazoada.

Se furtarem ocultamente um corpo de uma sepultura para ser estudado numa aula de anatomia, caso ela seja aberta, poder-se ia afirmar que houve ressurreição, se por acaso o defunto tivesse sido um “santo” ou um eclesiástico.

As ressurreições de Jesus e de Lázaro, só podem ser admitidas pela fé, pois um organismo que deixou de viver, cujas células morreram, vem imediatamente seguido de decomposição. Após alguns minutos depois da morte o cérebro sofre transformações tais que faz com que a paralisação do seu funcionamento se torne irreversível.

Crianças acreditam na ressurreição da Branca de Neve...

Uma planta arrancada do seu elemento natural, depois de considerada morta, nunca mais poderá reviver. A vara de Aarão que floresceu e deu frutos instantâneos, não passa de uma lenda. (Num. 17:6-8)

Josué fazer com que as águas do Jordão se separassem para a passagem dos sacerdotes com a Arca (Jos. 3:16-17), é outro fato absolutamente irreal, que só pode ser admitido pela fé.

Jesus ser transportado pelo demônio ao ponto mais alto do Templo ou ao alto de um monte, é outra alegação lendária. Jesus teria sido arrastado, manietado, agarrado pelos cabelos pelo interior do Templo, sede do governo teocrático de Israel, passando por soldados, sacerdotes e crentes no seu interior, sem gritar ou pedir socorro, é outro acontecimento que não resiste ao menor raciocínio. Só pode ser admitido pela fé, uma fé irracional.

A fé em assuntos de religião está relacionada com o sobrenatural, por isso é fictícia e simbólica.

Quando Prometeu foi acorrentado no alto do Cáucaso por ordem de Júpiter, onde os abutres devoravam o seu fígado, que se refazia sempre para aumentar sua tortura, foi uma realidade para o povo da época, porém, para nós já não passa de uma lenda.

Assim, a fé só poderá ser admitida por sugestão, e para esse objetivo a Igreja tinha seus métodos próprios, através de machados, cordas e fogueiras.

O indivíduo inculto ou preguiçoso de pensar, aceita-a após ouvir um sermão em que o orador comove a sua sensibilidade com a sua retórica, ou a aceita sob torturas e ameaças, sendo, portanto, uma fé superficial. A fé ou a religião encontra um campo bastante fértil, muitas das vezes, entre as mulheres, influenciadas pela apresentação física do ministrador.

Para a obtenção da fé forçada, a Igreja criou métodos próprios, martirizando os hereges para purificação e salvação das suas almas. Usou de um instrumental muito superior ao que Dante viu no seu romântico inferno. Os demônios muito teriam que aprender dentro das masmorras e cláustros onde oficiavam os frades dominicanos.

A seguir, a descrição de alguns aparelhos de convicção para a salvação de almas “hereges”, muitos dos quais ainda podem ser vistos nos museus dos antigos conventos em Toledo, e outras cidades da Espanha, onde a Inquisição brilhou com toda a intensidade..

Esses instrumentos de tortura eram confeccionados por equipes de monges imaginativos que se especializavam nas suas invenções.

Milhares deles não são registrados pelos historiadores, não sendo guardados, pois não obtiveram o sucesso desejado, que era de prolongar ao máximo a resistência do herege, causando uma morte mais rápida, o que tirava o maior interesse da função.

Qualquer idéia que se faça sobre o Tribunal do Santo Ofício, das suas torturas, em suas seções de horror, fica muito aquém do que era praticado nos porões das prisões da Igreja. Os frades que fiscalizavam as execuções dos “hereges”, se deliciavam, em verdadeiros orgasmos de felicidade, ao verem as vítimas se estorcendo em convulsões de sofrimentos infindáveis, pois se procurava aumentar, ao máximo, o tempo de tortura.

Conseguimos obter alguns informes sobre tais instrumentos:

Tambor de estripar: O carrasco abria parte do ventre da vítima e puxava uma dobra do seu intestino. Essa era presa a um torno manual. À medida que o torno girava, as tripas se enrolavam nele, arrastando consigo as vísceras: fígado, rins, estômago até que nada mais restasse na cavidade abdominal. Mesmo que a morte sobreviesse antes do final da operação, essa era efetuada até que se consumasse, isso à vista de um frade fiscal da Igreja, ou mesmo de um Bispo mais zeloso no cumprimento da sentença.

Caixão - como o nome indica, era uma caixa, hermeticamente fechada, onde o “herege” era preso até à morte, por fome, sede ou asfixia.

Purificação pelo fogo: O “herege”, na presença do Bispos e de outros frades, era amarrado, de olhos vendados, e seus pés se queimavam sobre uma fogueira enquanto um frade rezava umas orações consolando-o com sua próxima entrada no “Paraíso”.

A fogueira - Era uma grande solenidade para a Igreja a queima de um “herege”. O clero todo engalanado com vestes de cerimônia; o Bispo com suas ricas indumentárias sob um pálio levado por altas autoridades; umas dezenas de frades e freiras entoando soturnos cânticos “gregorianos”; os sinos repicando em todo o percurso toques de finados; uma legião de adolescentes com alvas sobrepelizes badalando furiosamente sonoras campainhas e, o “herege”, vestido de um saco amarelo enfeitado com duas grandes cruzes, uma na frente e outra nas costas, caminhava cabisbaixo, rumo à fogueira que iria remir os seus pecados. Um grande crucifixo na ponta de uma alabarda era esfregado no seu rosto, por um frade especialmente engalanado, antes que o fogo o fizesse soltar o último suspiro.

O povo acorria, em massa, em trajes domingueiros, pois, se faltasse a esse espetáculo, poderia ser considerado simpatizante do inimigo da Igreja, o “herege”. A recompensa para todos os presentes eram grandes “indulgências” que os livrariam do “purgatório” por um determinado número de dias, ou mesmo de anos.

Esmaga cérebro: Aplicado quase que exclusivamente em intelectuais. Um mecanismo simples, constante de duas barras de ferro ou madeira unidas entre si por uma espécie de gorro metálico, que se aproximavam movidas por uma manivela. A cabeça da vítima era posta sob o gorro e seu queixo na parte inferior. Quando o verdugo girava a manivela, as duas barras iam comprimindo a cabeça e, lentamente as mandíbulas trincavam, os dentes quebravam ou se incrustavam nos alvéolos, os olhos saltavam deixando sair por suas cavidades toda a massa encefálica. Era aplicada lentamente, podendo durar mais de um dia.

O garrote: Herança da Inquisição, foi até ainda recentemente usado durante a ditadura do General Franco. A vítima era amarrada pelo pescoço a uma espécie de cadeira ou cama onde uma engrenagem fazia penetrar lentamente uma adaga em sua nuca ou o sufocava. O melhor carrasco era aquele que pudesse prolongar ao máximo a vida da vítima. (No governo do General Franco, na Espanha, esse meio de execução não era raro, mas, durante a Inquisição eram diárias e, às vezes, assassinando dezenas de vítimas num só dia).

Pêndulo - O “herege” era dependurado pelos tendões dos pés ou por ganchos espetados nos pulsos, e suspenso através dos movimentos de uma manivela movida por um carrasco, muitas vezes um frade cioso de salvar aquela alma pecadora. A absolvição era dada com as palavras sacramentais: “Requiescat in pace”.

Arranca seios; Como o próprio nome diz, era só para mulheres. Faltam comentários sobre seu funcionamento.

Pêra de bronze: Com o formato de uma pêra, era introduzida na vagina da mulher ou no ânus do homem. Ao ser acionada por um torniquete a pêra se abria como uma forma monstruosa de flor e era puxada por roldanas, arrancando carne e ossos das vítimas.

A roda: Uma roda parecida com as de moinho d'água. A vítima era colocada de costas, sendo que os pés eram presos numa barra fixa. Os dois braços amarrados na parte superior. Conforme a vontade do frade fiscal, a posição podia ser invertida: os braços na barra fixa e as pernas no alto da roda. À medida que se movia uma manivela os membros eram retezados até que se desprendesse a parte superior do tórax da parte inferior, ou os membros rompidos.

A jaula: Era uma gaiola de ferro onde o herege era suspenso e ficava à espera da morte por ausência de alimentos, por vários dias, ou até que a morte o libertasse.

Todas as cenas de tortura eram acompanhadas por um Frade ou mesmo pelo Bispo da diocese. Outro frade erguia e abaixava um crucifixo para que Jesus pudesse assistir ao desagravo da ofensa que lhe foi praticada pela vítima. Assim que era constatada a morte, o frade encerrava a seção com um solene "requiescat in pace". Todos saiam, ficando o cadáver por conta dos carrascos, que os violentavam, quando eram de mulheres, principalmente jovens, acusadas de feitiçarias.

Como se disse, o número de instrumentos era às centenas, entre eles: açoite, cinto de castidade (em que uma parte era introduzida na vagina), mulher de ferro (uma espécie de ataúde como aqueles em que se guardavam as múmias), além de diversos tipos de turqueses, para arrancar unhas, nariz, orelhas; línguas, ferros de diversos formatos usados incandescentes, além de fornalhas diversas para a queima parcial de membros.

Muitas vezes essas torturas eram aplicadas em maridos à vista das suas mulheres, ou vice-versa. Às vezes em crianças, para forçar as confissões dos pais.

É, como disse Mahatma Ghandi: "Os maiores crimes foram cometidos em nome das religiões".

Os católicos, de modo geral, ou mesmo em quase toda sua totalidade, nada lêem sobre religião, nem a própria Bíblia. Quando o fazem, não se detêm sobre os capítulos que exigem reflexões. Nos colégios católicos, são fornecidas “Histórias Sagradas” onde a “história” se transforma em “estória” repleta de milagres e sobrenaturais. Nas Igrejas, é questão de fé a pregação de sacerdotes e ministros com conhecimentos completamente bitolados, sem a menor inteligência. Estão, ainda, em plena época medieval.

Na Idade Média foi editado um “Manual dos Inquisidores, sob o nome “Directorium Inquisitorum”, pelo frade Nicolau Eymerich, traduzido para o português e editado pela Editora Rosa dos Ventos, com prefácio do padre Leonardo Boff, onde se pode ver que a Igreja Católica Romana construiu um inferno próprio, que deixava o inferno tradicional como um “inferninho camarada”, e quase de brinquedo.

Foi com a aplicação rigorosa desse Manual que a Igreja se transformou no maior monstro que pudesse ser concebido por um cérebro criminoso e doentio, e se transformou no maior poder diabólico imposto sobre a humanidade...

Como os católicos não lêem, ouvem muito, e não sentem a necessidade de pensar; outros pensam por eles, mesmo que desarrazoadamente. Tudo o que o padre ou o pregador diz nos seus sermões, sempre repetitivos e sem qualquer argumentação sólida, consideram palavras de Deus, portanto, incontestáveis e suficientes para o preenchimento das suas necessidades de católicos para com a sua religião.

Uma pessoa se ajoelhar aos pés de um Padre, muitas vezes mais pecador que o penitente aos seus pés, e abrir-lhe o seu coração, contar suas particularidades, seus anseios, suas possíveis faltas, inclusive dos seus familiares, ao responder perguntas desnecessárias ao ato que se realiza, mas de interesse para uma espionagem atávica, é um resquício dos tempos da Inquisição. Quem pratica esse ato, pode ser até ignorante, pois o é, não só o iletrado, mas, também, aquele que segue exclusivamente o pensamento alheio, deixando que sobrepuja o seu próprio, fazendo-se um autômato, pois raciocina com o raciocínio de outra cabeça.

Os Papas e seus Ministros católicos são diabólicos em seus ódios, até mesmo entre si. Vão a seguir algumas citações que constarão de outro capítulo, com mais minúcias.

Papas assassinados:

João I - Foi aprisionado e morto na prisão.

João VIII: Assassinado pelos cardeais.

Formoso:- Depois de morto, foi desenterrado, esquartejado e lançados os seus pedaços no Tibre, pelo Papa Estevão VI.

Bonifácio VI: Papa por 15 dias. Teve a língua e os olhos arrancados pelo Papa Estevão VI.

Estevão VI:- Foi aprisionado, encarcerado e assassinado por estrangulamento.

Teodoro II:- Papa por 20 dias. Por haver reabilitado a memória do Papa Formoso, foi assassinado.

João X:- Assassinado por ordem da senadora Marózia, mulher do Papa Sérgio III.

João XI: - Assassinado quando encarcerado, para o entronamento de João XII.

João XII:- Foi Papa com 18 anos de idade. Assassinado pelo marido de uma sua amante.

João XIII:- Como aconteceu com Estevão VI, desenterrou o cadáver de João XII e cortou-o em pedaços.

Bento VI:- Assassinado por estrangulamento, na prisão, por ordem do tribuno Crescêncio.

João XIV:- Assassinado pelo Papa Bonifácio VII.

Gregório V:- Foi assassinado, depois de mandar cortar os pés, mãos e orelhas de Crescêncio, e fazê-lo passear mutilado pelas ruas de Roma.

João XVII:- Papa por 5 meses, foi assassinado por envenenamento pelo Papa João XVIII.

João Paulo I: Morreu de causa misteriosa, no dia 28/9/78, após um mês de pontificado. Era temido pelos cardeais por sua origem socialista.

Vê-se que o nome de João, para os Papas, é fatídico: João I, X, XI, XII, XIII, XIV, XVII, como também João Paulo I.

Nessa série assustadora de assassinatos, fica no ar uma interrogação do que teria sucedido a João Paulo I. Só no próximo século a verdade poderá virá à tona.

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